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Nesta sua reunião de dois dias o Comité Central do PCP procedeu à análise da situação económica e social e das consequências decorrentes do Pacto de Agressão. Avaliou o desenvolvimento da luta de massas e definiu o conjunto das principais tarefas do Partido, bem como deliberou ainda sobre aspectos de organização, conteúdos e dinamização do debate preparatório do XIX Congresso do PCP, a realizar no presente ano.
O Comité Central não pode deixar de sublinhar como um elemento marcante na evolução da situação política nacional a dimensão e o significado histórico da manifestação do passado dia 11 de Fevereiro, no Terreiro do Paço, em Lisboa. Manifestação que é uma inequívoca expressão da ampliação do descontentamento com o actual rumo do país e sinal claro da acentuada erosão da base social de apoio do governo. Uma manifestação que se integra numa nova fase da luta contra a política de direita em Portugal.
Por muito que os nossos governantes gritem “nós não somos gregos”, as suas políticas conduzem-nos, infelizmente, à mesma situação que a Grécia está a viver. Temos de desconstruir o slogan e de agir contra o desastre, e não nos iludirmos pelo facto de a estratégia de humilhação seguida pela Alemanha ser – também por razões históricas e de geoestratégia – mais ofensiva contra o “mau exemplo” grego.
Confirmam-se os efeitos desastrosos dos sucessivos pacotes de austeridade.
O desemprego e o subemprego atingem diretamente mais de 1 160 000 trabalhadores (mais de 20% da população ativa), sendo que apenas 1 em cada 3 tem acesso ao subsídio de desemprego. Há uma faixa etária jovem, com formação escolar significativa, em que a soma dos desempregados com os que emigraram atinge 50% do total dessa população, significando forte fator de empobrecimento do país.
Um novo estudo feito pelo Conselho Mediterrâneo de Estudos de Inteligência (MCIS) no Almanaque de Estudos de Inteligência de 2012 atenta para o uso dos medias sociais como “a inovação em inteligência tática de captação aberta de informações”. Joseph Fitsanakis da IntelNews.org, co-autor do estudo, declara:
Sustentamos que o Facebook, o Twitter, o YouTube e uma série de outras plataformas de redes sociais são cada vez mais consultadas por agências de inteligência como inestimáveis canais de aquisição de informações. Baseamos nossos resultados em três estudos de caso recentes, os quais, acreditamos, destacam a função da inteligência em relação às redes sociais. (Joseph Fitsanakis, Pesquisa: Cada vez mais espiões usam Facebook e Twitter para coleta de informações, intelNews.org), 13 de fevereiro de 2012. [1]
Porém, o que o estudo não menciona é o uso dos medias sociais feito por agências de inteligência para outros fins. A investigação nos leva a acreditar que os media sociais são somente um instrumento de captação de informações da inteligência, quando na verdade, um número de declarações mostrou que é utilizada para promover propaganda, inclusive para criar perfis falsos para dar suporte a operações secretas. Estas práticas são discutidas no Exército de Fakes de Mídia Social para Promover Propaganda, Mídia Social: Força Aérea Encomenda Software para Monitorar Exército de Fakes Virtuais e Pentágono Busca Manipular Mídia Social para Fins de Propaganda [2] , publicados no Global Research em 2011.
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O declínio dos Estados Unidos entrou há algum tempo numa nova fase: a do declínio autoinfligido. Desde os anos 70 tem havido mudanças significativas na economia dos EUA, à medida que estrategas, estatais e do sector privado, passaram a conduzi-la para a financeirização e para a exportação de unidades industriais. Essas decisões deram início ao círculo vicioso no qual a riqueza e o poder político se tornaram altamente concentrados, os salários dos trabalhadores ficaram estagnados, a carga de trabalho aumentou e o endividamento das famílias também.
Há aniversários significativos que são comemorados solenemente – o do ataque japonês à base da Marinha norte americana de Pearl Harbor, por exemplo. E há outros que são ignorados, e no entanto poderiam sempre aprender-se importantes lições acerca do seu significado nos tempos que se seguiram. Na verdade, no tempo de agora.
Neste momento, erramos ao não comemorar o 50° aniversário da decisão do presidente John F Kennedy de promover a mais assassina e destrutiva agressão do período pós-Segunda Guerra: a invasão do Vietname do Sul e depois de toda a Indochina, deixando milhões de mortos e quatro países devastados com perdas que ainda neste momento estão a crescer, causadas pela exposição do país aos agentes cancerígenos mais letais de que se tem conhecimento, que comprometeram a cobertura vegetal e a produção de alimentos.
O primeiro alvo foi o Vietname do Sul. A agressão expandiu-se depois para o Norte, e para a sociedade remota do nordeste do Laos, até finalmente chegar ao rural Camboja, cujo bombardeamento atingiu o impressionante nível de ser equivalente ao de todas as operações aéreas aliadas da região do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo as duas bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki. Aí, as ordens de Henri Kissinger estavam a ser obedecidas – “bombardear qualquer coisa que voe ou se mova”; uma convocatória para o genocídio rara na história.
Pouco de tudo isto é lembrado. A maior parte desses massacres é escassamente conhecida para além do estreito círculo dos activistas.
Quando a invasão teve início, há cinquenta anos, a preocupação era tão reduzida que havia poucas tentativas de justificação; dificilmente iam além da indiferente afirmação do presidente de que “nos estamos a opor, em toda a parte do mundo, a uma conspiração monolítica e brutal que trata, principalmente sob meios ocultos, de expandir a sua esfera de influência” e, se a “conspiração” conseguir concretizar os seus objectivos no Laos e no Vietname, “os portões ficarão amplamente franqueados”.
Numa outra ocasião, acrescentou também que “as sociedades liberais, tolerantes e autoindulgentes estavam para ser varridas para os escombros da história [e] só a força… pode sobreviver”, reflectindo neste caso a propósito do fracasso da agressão e do terror estadunidenses na tentativa de esmagar a independência cubana.
Quando os protestos começaram a crescer meia dúzia de anos depois, o respeitado historiador militar e especialista em Vietname Bernard Fall – de modo nenhum um pacifista – previu que “o Vietname como entidade histórica e cultural…está ameaçado de extinção…[enquanto]…a sua área rural morre literalmente sob os bombardeamentos da maior máquina militar jamais concentrada numa área desta dimensão”. Estava, uma vez mais, a referir-se ao Vietname do Sul.
Quando a guerra acabou, oito horrendos anos depois, a opinião dominante estava dividida entre aqueles que a descreviam como uma “causa nobre” que poderia ter sido vencida se tivesse havido maior empenho, e o extremo oposto, os críticos, para quem se tratou de “um erro” que se provou ser altamente dispendioso. Por volta de 1977 pouca atenção foi dada ao Presidente Carter quando explicou que “não havia dívida” nossa para com o Vietname porque “a destruição fora mútua”.
Inicio hoje a minha correspondência regular nesta coluna. Espero honrar o nome – 4 ângulos -, isto é, trazer aqui um outro olhar, um outro ângulo de análise da vida pública. Por ser o primeiro texto, carrega uma simbologia especial. Escolhi como tema o endividamento, marca deste tempo, problema global e local, do sistema e do país … e, também, do município.
Comecemos pelo princípio, pela origem do problema. Segundo um homem do topo do sistema, Barack Hussein Obama, foram três as razões para as famílias das classes médias americanas terem mantido o nível de vida nas últimas décadas do século XX: o emprego feminino, o 2º (e 3º) emprego e o crédito fácil.
Do crédito fácil – enquanto substituto da melhoria salarial e negócio da banca – à dívida (difícil) foi um instante. Na União Europeia, com a chamada crise da dívida soberana e a intervenção da troika nos países ditos periféricos, chegou-se, em particular nestes países, a um beco sem saída.
A dívida cresce, os cortes sucedem-se, a recessão e as dificuldades para pagar a mesma aumentam. A dívida grega, desde que a “ajuda” começou, não parou de aumentar. A dívida portuguesa, segundo as simpáticas estimativas oficiais, após a “ajuda” vai ser maior do que quando esta começou. Por isso, vão-se suceder os empréstimos para pagar dívidas e os cortes nos rendimentos dos cidadãos. Aonde vamos parar?
Cá por Arouca, tendo o actual presidente da Câmara “herdado” uma gestão autárquica sem investimentos de vulto mas também sem dívidas, fez muito bem em avançar com alguns projectos, cujo exemplo mais paradigmático é a rede escolar do 1º ciclo, até porque a dívida não é toda má. Aquela que traz proveitos económicos e/ou sociais é boa para a comunidade.
No entanto, com o tempo foi tomando opções que levaram a um endividamento crescente – os 5 milhões de que se fala – sem cautela na análise do binómio utilidade da obra / custos futuros. É disso exemplo o sobredimensionamento das escolas do 1º ciclo em relação à Carta Educativa e a intervenção na Praça Brandão de Vasconcelos. Não acrescentam mais valias económicas ou sociais, são, portanto, dívida má.
A obra da Praça, com os seus espelhados taipais, as radiosas imagens do futuro, a informação ausente (do início e fim da obra, seu custo e fontes de financiamento), esconde, de olhares indiscretos, o que sai das suas entranhas. Perdida a Estrada é esta, agora, a obra do regime – nada pode obstaculizar a sua conclusão a tempo da consagração prevista.
Entretanto, há investimentos que não vão ser feitos (se for o caso do do rio Paiva, ainda bem, há que dizê-lo), há serviços que não vão ser prestados. É que feita a obra, útil ou inútil, a dívida, essa, é para pagar.
in “Discurso Directo” a 24 de Fevereiro de 2012
1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
2.
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3.
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4.
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?
Sra Presidente
Srs Deputados
O Governo quis fazer o papel de bom aluno da troika e cortar o carnaval aos portugueses mas perdeu essa batalha. O Governo quis tirar mais um feriado aos trabalhadores portugueses, mas o país demonstrou que não é um fantoche na mão do Governo e que não está disposto a acatar as ordens de quem se quer impor perante o povo, mas nunca levanta a voz perante a troika.
O Governo não deu tolerância de ponto, mas foi feriado em Portugal.
Por todo o país, nas autarquias, nos transportes públicos, na CP, no Metro, RTP, na TAP, na ANA, CTT, Imprensa Nacional, na Águas de Portugal, em muitos hipermercados e outras empresas, as portas estiveram fechadas ou o trabalho foi organizado e pago como perante um feriado, como aliás, o é a Terça-Feira de Carnaval em muitos contratos colectivos de trabalho.
O Governo perdeu a batalha e foi ainda o alvo do escárnio típico de uma altura carnavalesca, que trouxe ao entrudo a luta e a revolta de um povo que, tendo um Governo vergado, não quer seguir-lhe os passos. Essa batalha perdeu também a Assembleia da República com a decisão da Srª Presidente (apoiada pelo PSD, CDS e PS) ao se colocar a reboque do Governo e na contramão do país.
O país seguiu os corsos em luta e protesto demonstrando que o Governo deveria estar mais preocupado com os mais de 1 milhão e 200 mil portugueses que não podem trabalhar porque estão no desemprego do que com aqueles que gozam o feriado de carnaval.
Outras batalhas perderá o Governo se persistir neste caminho da arrogância típica de quem se mostra muito forte perante o povo, mas sempre muito servil ante os senhores do dinheiro.
A situação em que o país se encontra, a degradação acentuada da qualidade de vida dos portugueses, a desvalorização dos salários, os roubos nos subsídios, o alastramento da pobreza, o crescimento galopante do desemprego, agravado pelo vasto desemprego entre jovens, o aprofundamento da recessão económica são elementos que ilustram o resultado de anos e anos de políticas de direita, protagonizadas ora pelo PS, ora pelo PSD, com ou sem o prestável amparo do CDS
Porém resulta da reunião de ontem com a troika que, para estes senhores, estes técnicos do FMI, BCE e CE, tal como PS, PSD e CDS, não são as opções de desmantelamento do aparelho produtivo, a corrupção, a privatização de todas os sectores fundamentais da nossa economia, a destruição das pescas, da agricultura e da indústria, a concentração da riqueza, a reconstituição dos monopólios que representam um perigo.
Não, o que representa um perigo é a luta das populações, a luta dos trabalhadores, o levantamento espontâneo mas esclarecido daqueles que empobrecem a trabalhar ou que estão no desemprego.
A destruição do emprego aumentou muito no último trimestre de 2011, como consequência do agravamento da politica de austeridade recessiva, o que é um indicador claro que a recessão económica está a ser mais profunda do que a prevista pelo governo, pela “troika estrangeira” e pelos seus defensores. No 3º Trim.2011 foram destruídos em Portugal, em média, 437 empregos por dia, enquanto no 4º Trim.2011 o número de empregos destruídos diariamente aumentou para 1.314, ou seja, mais que triplicou. Como consequência, o desemprego oficial disparou tendo atingido, no 4º trimestre de 2011, 771.000, e o desemprego efectivo 1.160.700 portugueses, o que corresponde a uma taxa efectiva de desemprego de 20,3% (a taxa oficial é de 14%). A diferença entre o desemprego oficial e o desemprego efectivo é determinada pelo facto de existirem centenas de milhares de trabalhadores desempregados que não são incluídos no número oficial de desempregados, ou porque não procuraram emprego no período em que foi feito o inquérito ou por terem realizado pequenos biscates. No 4º Trimestre de 2011 eram, segundo o INE, 389,7 mil.
No debate da apreciação parlamentar apresentada pelo PCP sobre a transferência dos fundos de pensões para a banca, Honório Novo afirmou que o objetivo não é, nunca foi, resolver o problema dos reformados bancários. Foi sempre resolver mais um problema à banca, sempre à custa do Estado e das reformas dos bancários.
COMPETITIVIDADE – é a disputa entre trabalhadores para ver quem vende mais barato a sua força de trabalho, fazendo o jeito ao patronato. O termo em si comporta uma dimensão anti-progresso porque coloca os povos, os trabalhadores, em posições antagónicas entre si, iludindo que só a cooperação e não a competição pode gerar elevação do bem-estar de todos.
A ideia de competição entre trabalhadores, entre povos, nações ou estados, desvia para uma avaliação ideológica dos problemas do capitalismo errada, assente na clivagem intra-classe e não inter-classe. Os trabalhadores de qualquer país não competem entre si, mas com o patronato de todo o mundo.
in “Império Bárbaro“
Será que nas próximas décadas o aquecimento global será compensado por uma actividade solar reduzida? É isso que afirma num livro recente Fritz Vahrenholt, um executivo alemão dos serviços públicos de electricidade. Numa entrevista a Spiegel, argumenta que as previsões oficiais das Nações Unidas sobre a gravidade da mudança climática são exageradas e apoiadas numa ciência débil.
O executivo bem-falante mostra-se nervoso no início da conversa. Parece estar à procura de palavras – o que não é muito vulgar para um provocador experimentado. Afinal, Fritz Vahrenholt, de 62 anos, que é doutorado em química, tem sido um rebelde toda a vida. “Provavelmente é típico da minha geração”, diz.
É típico da parte duma pessoa que amadureceu durante o movimento estudantil contestatário do final da década de 60, e que lutou contra as instalações de fabrico tóxicas da indústria química nos anos 70. O seu partido, o Partido Social Democrata (PSD) alemão, de centro esquerda, escolheu-o como senador do ambiente na cidade estado de Hamburgo, onde enfrentou a fúria do lobby ambientalista construindo uma grande instalação incineradora que lhe granjeou a alcunha de “Feuerfritze” (Fire Fritz = Fritz Incendiário). Depois disso, trabalhou na indústria, primeiro para a multinacional petrolífera Shell e depois para o fabricante de turbinas eólicas RePower, que ajudou a desenvolver. Agora, como director executivo do grupo de energias renováveis RWE Innogy, está em vias de se envolver na sua próxima importante batalha. “Vou arranjar inimigos em todas as áreas”, afirma.
“Não está a ocorrer nenhuma catástrofe climática”
Pretende quebrar um tabu. “Não está a ocorrer nenhuma catástrofe climática”, escreve no seu livro “Die Kalte Sonne” (O Sol Frio), publicado por Hoffmann and Campe, que estará nas livrarias na próxima semana.
O número de vezes que Passos Coelho garantiu que “este Governo não pedirá mais tempo nem mais dinheiro” à UE e FMI só deve ser comparável ao número de vezes que, durante a campanha eleitoral, garantiu que, com o PSD no Governo, não haveria aumentos de impostos. Só que se soube que, enquanto Passos Coelho garantia isso, o seu Governo ia desenvolvendo contactos para… pedir mais tempo e mais dinheiro.
O empobrecimento do país que o actual primeiro-ministro se propõe (ele próprio o confessou, num dia em que, como o outro, se achou mais pachorrento) tem sido marcado por tantos e tão lamentáveis episódios que a conversa de Vítor Gaspar com o ministro alemão das Finanças sobre a renegociação do programa da “troika”, gravada pela TVI, suscitou só uma polémica mansa, logo esquecida mal surgiu a polémica seguinte.
Desde o Financial Times até à extrema-esquerda, toneladas de tinta têm sido gastas a escrever acerca de alguma variante da “Crise do capitalismo global”. Se bem que os autores divirjam quanto às causas, consequências e curas, de acordo com as suas luzes ideológicas, há um acordo comum em que “as crises” ameaçam acabar o sistema capitalista tal como o conhecemos.
Não há dúvida de que, entre 2008 e 2009, o sistema capitalista na Europa e nos Estados Unidos sofreu um choque severo que abalou os fundamentos do seu sistema financeiro e ameaçou levar à bancarrota seus “sectores principais”.
Contudo, argumentarei que as “crises do capitalismo” foram transformadas em “crises do trabalho”. O capital financeiro, o principal detonador do crash e da crise, recuperou-se, a classe capitalista como um todo foi fortalecida e, acima de tudo, ela utilizou as condições políticas, sociais e ideológicas criadas em resultado das “crises” para mais uma vez consolidar sua dominação e exploração sobre o resto da sociedade.
Por outras palavras, a “crise do capital” foi convertida numa vantagem estratégica para promover os interesses mais fundamentais do capital: a expansão de lucros, a consolidação do domínio capitalista, a maior concentração da propriedade, o aprofundamento de desigualdades entre capital e trabalho e a criação de enormes reservas de trabalho para promover o aumento dos seus lucros.
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No final de Dezembro, o terreno era apenas um grande descampado; contentores de metal vermelho escuro assentes numa extensão de cascalho esbranquiçado, vedada por uma cerca com arame farpado. Os militares norte-americanos no Afeganistão não querem falar nisso, mas, em breve, será uma nova base para a guerra de drones no Grande Médio Oriente [1].
No próximo ano, este descampado será uma base de dois andares em cimento armado para a guerra de drones norte-americana, fortemente iluminada e equipada com potentes computadores, mantidos num confortável ambiente controlado, num país onde a maioria da população não tem acesso a electricidade. Terá quase 7 000 metros quadrados de escritórios, salas para reuniões e conferências e um grande centro de operações de “processamento, exploração e divulgação”; e, claro, vai ser pago com o dinheiro dos impostos norte-americanos.
Não que seja anormal. Apesar de tudo o que se disse sobre reduções e a retirada, houve um impulso de construção no Afeganistão que dura há anos e que mostra poucos sinais de abrandamento. No início de 2010, a Força de Assistência à Segurança Internacional (ISAF), liderada pelos EUA, tinha cerca de 400 bases no Afeganistão. Hoje, afirmou à TomDispatch o Tenente Lauren Rago, das Relações Públicas da ISAF, o número ultrapassa 450. Leia o resto deste artigo »
1 – A política energética em Portugal está hoje completamente subordinada aos interesses dos grupos monopolistas. Desde a propriedade das principais empresas, passando pela política tarifária, à posse das infra-estruturas, os interesses nacionais estão a ser rapidamente substituídos e submetidos aos interesses do grande capital.
Não foi por acaso que o pacto de agressão assumido pelo PS, PSD e CDS com a União Europeia, foi tão detalhado no conjunto de medidas a concretizar no sector energético e, em particular, na energia eléctrica. Na verdade, trata-se de um sector básico e estratégico para qualquer país. A sua posse, exploração, regulação e controlo, determinam não só a possibilidade de lucros descomunais, mas também relações de dominação sobre a actividade económica e a própria soberania do país.
Privatizar, liberalizar, encarecer, explorar – eis a receita que, mês após mês, tem vindo a ser concretizada por este governo.
A história, aqui no distrito de Viseu, do Centro de Produção de Mangualde da PSA Peugeot-Citröen é esclarecedora do ressurgimento dos negreiros no século XXI. Não é caso único. Mas é um exemplo elucidativo:
- Durante anos a fio os prémios e outras remunerações devidos aos trabalhadores foram canalizados para Seguros de Vida, ou de Complemento de Reforma, feitos na seguradora AXA. A Empresa apresentava-los como «custos de exercício» para não pagar impostos. Mas dos quais ainda nenhum trabalhador foi beneficiário. Onde pára o dinheiro é um «mistério» que tarda em ser esclarecido.
- Em 2007 a empresa recebeu do governo português, para além de benefícios fiscais em sede de IRC, 8,6 milhões de euros (Resolução do Conselho de Ministros nº 34/2007) para criar mais 80 postos de trabalho acima dos 1.226 que tinha e manter a laboração até 2013. Onde pára o dinheiro é outro «mistério».
- Em vez disso despediu perto de 500 trabalhadores. Cerca de 400 contratados e temporários que não viram os seus contratos renovados e 80 efectivos que aceitaram a rescisão amigável.
- Implementou um banco de horas duma forma ilegal, meses antes da entrada em vigor do novo Código do Trabalho. Ilegal também porque não está previsto no contrato colectivo de trabalho aplicável a este sector.
- Chegou-se ao cúmulo de exigir aos trabalhadores que as licenças de paternidade e maternidade, ou as licenças por baixa médica fossem compensadas à empresa com dias de trabalho não pago. Leia o resto deste artigo »
Carta aberta a Sua Exª o Ministro da Defesa Nacional
Não vou perder muito tempo a analisar este vídeo.
Ele consta de uma entrevista que Mário Crespo fez ao Presidente do Conselho Nacional da Associação de Oficiais das Forças Armadas, a propósito de uma carta aberta que este oficial, enviou ao ministro da Defesa e que nós tivemos ocasião de publicar neste Blogue, no dia 8 de Fevereiro passado.
A posição tendenciosa que Mário Crespo assumiu, na forma e no conteúdo das perguntas, clarifica o seu carácter, de profissional engajado, que manda a isenção às urtigas.
Já me indignei suficientemente com o seu comportamento malicioso, para me ter dado ao trabalho de em 16 de Janeiro passado lhe ter enviado uma “carta aberta”, a propósito da vergonhosa entrevista que fez a Arménio Carlos, novo secretário-geral da CGTP.
A sua grande experiência profissional, permite-lhe utilizar uma técnica que confunde a acutilância das perguntas, com a manipulação dos factos.
A interpretação tendenciosa que utiliza sistematicamente, para interrogar os entrevistados que não tenham uma posição política reaccionária semelhante à sua, leva-o a exprimir-se como se de juiz em causa própria se tratasse, obrigando os entrevistados a uma manifesta retracção intelectual, como é óbvio.Deu-se muito mal com Arménio Carlos, que fez dele “gato- sapato”. Leia o resto deste artigo »
O pior que pode acontecer aos poetas é irem parar à lapela dos políticos, mas mesmo isso é uma gota no universo.
Tem um pensamento torrencial. É difícil não sucumbir ao encanto, ao humor, à inteligência e às histórias. Consegue defender o cepticismo da forma mais apaixonada, tornando-o quase o seu inverso. Não acredita em milagres, mas faz tudo para que eles aconteçam. A conversa começou pouco religiosa sobre a relação entre os intelectuais e os políticos. Já não me lembro da primeira pergunta, mas a primeira resposta foi a que se segue.
Um dia o Sócrates telefonou-me, eu tinha escrito uma crónica em que falava das declarações do então treinador do Benfica, Camacho, que garantia que o clube jogava bem mas não metia golos. Relembrei que o objectivo do futebol não era “jogar bem”, mas meter golos, nem que seja com a mão. Comparava a situação com a do governo, dizendo que estava tudo óptimo, com o pequeno problema de não funcionar. Estava em casa e o telefone tocou. Atendi – ainda bem que fui eu, a minha mulher teria decerto descomposto o tipo a pensar que era um brincalhão – e escutei uma voz: “Daqui José Sócrates.” Ainda na dúvida se não era alguém a gozar comigo, ouvi: “Venho protestar consigo na minha qualidade de benfiquista e já agora de socialista”, e convidou-me a ir almoçar a S. Bento. Vou-lhe dizer uma coisa, ele surpreendeu-me. Olhe que a certa altura até me citou o Ruy Belo, e apropriadamente, com uma citação certa. Estava acompanhado daquele tipo que vinha do SIS, o Almeida Ribeiro, a partir daí telefonava–me muitas vezes. Eu sei que ele fazia isso a várias pessoas, porque quando morreu o Eduardo Prado Coelho li uma declaração em que ele dizia: “Era uma grande pessoa, uma grande figura, e até tinha um almoço marcado com ele.” Garanto-lhe que aquilo funcionava. Continuei a dizer o que pensava, mas durante uns tempos não escrevia “José Sócrates”, mas “primeiro-ministro”, para desfulanizar, como dizia o António Sérgio. Começámos a afastar-nos quando ele, num discurso que fez no Norte, em 2008, no início da crise do subprime, garantiu que os portugueses deviam estar seguros de que a Segurança Social não especulava com o dinheiro das pessoas como as economias de casino. Eu com aquele péssimo hábito que tenho de jornalista, fui confirmar as coisas, consultei o site da Segurança Social e vi que 80% dos fundos estavam aplicados em acções. Ele tinha dito expressamente que não se aplicava dinheiro em acções e não era verdade. Leia o resto deste artigo »
Quando em março de 2010 deixei a minha coluna no Creators Syndicate e pus a caneta de lado, recebi tantos protestos dos leitores que dois meses mais tarde comecei de novo a escrever. Esta renovada atividade resultou neste novo ano num sítio de rede pessoal.
http://www.paulcraigroberts.org/
As minhas colunas vão aparecer primeiro no meu sítio. Os sítios onde os meus leitores estão habituados a encontrá-las podem continuar a publicá-las desde que ligadas ao meu sítio e indicando os direitos de autor. O sítio mantém-se se o apoio dos leitores o justificar. De outro modo, concluirei que o custo do sítio excede o valor daquilo que tenho para dizer.
Este passado ano não foi bom para os 99% e o novo ano parece vir a ser ainda pior. Esta crónica trata das perspectivas sobre a liberdade. A próxima será sobre as perspectivas económicas.
As perspectivas para a liberdade são tristes. Os escritores críticos das guerras ilegais de Washington e da subversão da Constituição dos EUA podem ver-se em prisão indefinida, porque as críticas às políticas de Washington podem ser consideradas ajudas aos inimigos de Washington, podendo incluir organizações de caridade que forneçam ajuda às crianças palestinianas bombardeadas e frotas que tentem fornecer ajuda humanitária a Gaza. http://www.reuters.com/article/2011/06/24/us-israel-usa-flotilla-idUSTRE75N4A620110624
Os regimes de Bush/Obama estabeleceram as bases para a detenção de críticos do governo sem o devido processo legal. A Primeira Emenda tem sido restringida a todos menos aos americanos snobs que cantam USA! USA! USA! Washington estabeleceu-se a si própria como procurador mundial, condenando outros países por violações dos direitos humanos, ao mesmo tempo que pelo seu lado bombardeia meia dúzia de países atrasados e ameaça vários outros com o mesmo tratamento, violando de caminho a lei fundamental dos EUA e as convenções de Genebra sobre a tortura a detidos http://www.mcclatchydc.com/2008/06/18/41514/general-who-probed-abu-ghraib.html
Washington cerca vários políticos estrangeiros cujos países sofreram guerras civis e envia-os para serem julgados como criminosos de guerra, enquanto os crimes de guerra próprios continuam a aumentar. Contudo, se alguém denuncia os crimes de guerra de Washington, esse alguém é mantido sem acusação em condições que se aproximam da tortura.
Bradley Manning é o caso em questão. Manning, soldado americano, é acusado de ser a pessoa que forneceu à WikiLeaks o vídeo “Collateral Murder” (“Assassínio Colateral”), o qual, nas palavras de Marjorie Cohn, “mostra forças americanas num helicóptero Apache matando 12 civis desarmados, incluindo dois jornalistas da Reuters. Pessoas que tentaram salvar os feridos foram também alvejadas e mortas.”
Um dos sacrificados era pai de duas crianças pequenas. O video mostra o deleite que o pessoal americano gozou fazendo-os estoirar a partir de longe no ar. Quando se tornou evidente que os Soldados da Democracia para o Povo tinham rebentado com duas crianças, em vez de arrependimento ouve-se a voz de um dos carrascos dizendo: “é o que faz trazerem crianças para uma zona de guerra.” Leia o resto deste artigo »
20 de Janeiro de 2012
Presidente e director do Centre for Research on Globalization, Michel Chossudovsky conversou com o i sobre essa possível terceira guerra mundial, de que fala no seu livro “Towards a World War III Scenario: The Dangers of Nuclear War”. Crítico da fortificação militar que os Estados Unidos estão a construir em torno da China, o professor canadiano da Universidade de Otava defende que a opinião pública é fundamental para evitar uma guerra nuclear.
Diz no seu livro que a guerra com o Irão já começou e que os Estados Unidos estão apenas à espera de um rosto humano para lhe dar. Acredita que os objectivos políticos e geoestratégicos de Washington podem levar-nos a uma guerra nuclear com consequências para toda a humanidade?
Não quero fazer previsões e ir além do que aconteceu. Tudo o que posso dizer, e tenho vindo a dizê-lo de forma repetida, é que a preparação para a guerra está a um nível muito elevado. Se será levada a cabo ou não é outro patamar, e ainda não o podemos afirmar. Esperemos que não. Mas temos de considerar seriamente o facto de que este destacamento de tropas é o maior da história mundial. Estamos a assistir ao envio de forças navais, homens, sistemas de armamento de ponta, controlados através do comando estratégico norte-americano em Omaha, Nebrasca, e que envolve uma coordenação entre EUA, NATO e forças israelitas, além de outros aliados no golfo Pérsico (Arábia Saudita e estados do Golfo). Estas forças estão a postos. Isto não significa necessariamente que vamos entrar num cenário de terceira guerra mundial, mas os planos militares no Pentágono, nas bases da NATO, em Bruxelas e em Israel, estão a ser feitos. E temos de os levar muito a sério. Tudo pode acontecer, estamos numa encruzilhada muito perigosa e infelizmente a opinião pública está mal informada. Dão espaço a Hollywood, aos crimes e a todo o tipo de acontecimentos banais, mas, no que toca a este destacamento militar que poderá levar-nos a uma terceira guerra mundial, ninguém diz nada. Isso é um dos problemas, porque a opinião pública é muito importante para evitar esta guerra. E isso não está a acontecer, as pessoas não se estão a organizar para se oporem à guerra. Isto não é uma questão política, é um problema muito mais vasto, e tenho de dizer que os meios de comunicação ocidentais estão envolvidos em actos de camuflagem absolutamente criminosos. Só o facto de alinharem com a agenda militar, como estão a fazer na Síria, onde sabemos que os rebeldes são apoiados pela NATO, na Arábia Saudita e em Israel, e como fizeram na Líbia, é chocante do meu ponto de vista, porque as mentiras que se criam servem para justificar uma intervenção humanitária.
Em vez de uma guerra nuclear, não podemos assistir a um cenário semelhante à Guerra Fria, com os EUA, a União Europeia e Israel de um lado e a China, a Rússia e o Irão do outro?
Esse cenário já é visível. A NATO e os EUA militarizaram a sua fronteira com a Rússia e a Europa de Leste, com os chamados escudos de defesa antimíssil – todos esses mísseis estão apontados a cidades russas. Obama sublinhou em declarações recentes que a China é uma ameaça no Pacífico – uma ameaça a quê? A China é um país que nunca saiu das suas fronteiras em 2 mil anos. E eu sei, porque ando a investigar este tema há muito tempo, que está a ser construída toda uma fortaleza militar à volta da China, no mar, na península da Coreia, e o país está cercado, pelo menos na sua fronteira a sul. Por isso a China não é a ameaça. Os EUA são a ameaça à segurança da China. E estamos numa situação de Guerra Fria. Devo mencionar, porque é importante para a UE, que, no limite, os EUA, no que toca à sua postura financeira, bancária, militar e petrolífera, também estão a ameaçar a UE. Estão por trás da destabilização do sistema bancário europeu.
O INE acabou de divulgar os dados resultantes do Inquérito ao Emprego do 4º trimestre de 2011. A taxa de desemprego em sentido restrito calculada para este trimestre é de 14,0%, o que corresponde a 771 mil desempregados. Em sentido lato, isto é, incluindo o subemprego visível e os inactivos disponíveis, a taxa desemprego situa-se nos 20,3%, o que corresponde a mais de um milhão e cento e sessenta mil desempregados (1 160 700).
Em termos médios anuais, a taxa de desemprego em sentido restrito fixou-se nos 12,7%, o que corresponde a 706,1 mil desempregados, enquanto em sentido lato a taxa de desemprego média anual em 2011 foi já de 18,4%.
Os dados agora divulgados reflectem uma subida impressionante do desemprego no último trimestre de 2011 e uma queda enorme no emprego. Não há memória de queda tão abrupta no emprego e de subida do desemprego, entre dois trimestres consecutivos.
Kaus Regling é alemão e chefe executivo do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).
João Ferreira, PCP, Fevereiro de 2012
No espaço de dois anos, duas reportagens de algum fôlego sobre cultura e economia (duas palavras cada vez mais vistas juntas, coladinhas uma à outra) publicadas no jornal Público espelham bem o processo de mercantilização em curso da cultura. Ambas as reportagens são assinadas por Alexandra Prado Coelho.
A primeira é de 24 de Março de 2010. O Público noticiava com honras de primeira página a apresentação do estudo O Sector Cultural e Criativo em Portugal, uma encomenda do Ministério da Cultura à empresa Augusto Mateus & Associados.
O título garrafal dando o mote à reportagem era uma pergunta:
«A cultura pode salvar a economia?»
Logo na altura, dado o conteúdo e conclusões do estudo liderado pelo famigerado ministro da Economia do PS de Guterres, pareceu ser mais pertinente a seguinte formulação:
«A cultura pode salvar o capitalismo?»
Mercantilização e repto à «classe criativa»
De facto o mistificador estudo de conclusões predefinidas encomendado pelo Ministério da Cultura português (à semelhança de outros estudos de igual índole feitos nos Estados Unidos, vários países europeus e pela UNESCO) indica o caminho para uma política radical de mercantilização das artes e da cultura, partindo de uma percepção dos países capitalistas ditos avançados de que é inevitável (e até saudável) que as suas economias se centrem cada vez mais no sector dos serviços, sendo que a cultura e a criatividade seriam os «inputs» determinantes que lhes permitiria ganhar à concorrência, isto é, às economias emergentes. A cultura e a criatividade como elos salvadores de um capitalismo em agonia. Leia o resto deste artigo »
Sem surpresa, ficou-se a saber que a «al-qaeda» se juntou aos esforços das potências imperialistas na guerra não declarada que está em curso para derrubar o regime sírio. Naquele que era não só um esperado, como inevitável, reencontro de amigos, ei-los de novo unidos, depois dos forjados pretextos que serviram para estender a dominação dos Estados Unidos da América no Afeganistão, dar espaço à cruzada sionista contra o povo e causa palestiniana ou justificar a invasão e ocupação do Iraque. Velhos conhecidos e inseparáveis aliados, como já bem se tinha percebido na destruição da Líbia, o que o facto revela são os sólidos laços de comprometimento no assumido uso da destruição e do terror que os liga e anima. Pelo que da sã convivência entre as várias expressões de terrorismo em presença – a de grupos animados por um fanático fundamentalismo, a que assumidamente se afirma como política de Estado ou a que resulta das ambições imperialistas de dominação hegemónica, seja com origem nos EUA ou na União Europeia – nada mais haverá a esperar do que aquilo que o mundo tem sido obrigado a observar: o espezinhamento de princípios básicos da ordem internacional sempre acobertado na deplorável cumplicidade dos principais responsáveis das Nações Unidas; a destruição massiva de cidades e países logo inscritas como janela de oportunidade para o negócio de reconstrução por parte dos que as transformaram em ruínas; um rasto de morte e sofrimento lançado sobre povos inteiros, cinicamente justificado por pretensas razões humanitárias ou altruístas ímpetos libertadores. Leia o resto deste artigo »
Senhora Presidente, Senhores Deputados,
O Governo e a troika estrangeira que hoje regressa a Portugal, não podem ignorar a voz da revolta e do protesto das trabalhadoras e trabalhadores que no passado sábado, vindos aos milhares de todo o País, inundaram o Terreiro do Paço e o transformaram numa torrente de Povo contra o pacto de agressão imposto a Portugal pelas mãos do PS, do PSD e do CDS-PP.
O “FMI não manda aqui”, gritaram centenas de milhares no passado sábado.
Sim, senhores deputados, ouçam bem o Povo: nem o FMI, a União Europeia ou o Banco Central Europeu mandam nos trabalhadores portugueses; nem a Senhora Merkel, o seu Ministro das Finanças ou o alemão Presidente do Parlamento Europeu mandam em Portugal. Podem mandar ou comandar o Governo Português, mandar ou comandar os partidos que subscreveram o Memorando da Troika, mas nunca mandarão no nosso Povo, não conseguirão levar o nosso País ao declínio ou à pobreza generalizada, não conseguirão nunca fazer-nos regressar aos níveis de exploração e ao desprezo pelos direitos semelhante aos que existiam em Portugal há trinta e oito anos.
Em criança, depois em adolescente, e talvez mesmo até ao início dos anos 1980, interrogávamo-nos como fora possível que povos amassados em cultura, como os alemães em especial, tenham sido incapazes de prever aquilo que veio a ser feito, aquilo que foi cometido em seu nome antes e durante o período da Segunda Guerra Mundial. De forma acessória, essa interrogação servia para moderar os ardores daqueles que estavam sempre disponíveis para se inclinar perante a mais insignificante emoção popular e, em particular, perante aquelas que pareciam indicar a insatisfação de tal ou tal fracção da população nos países do “socialismo real”. E, sobretudo, ela proporcionava aos mais argutos a oportunidade para relembrar em cada dia uma evidência que fere, ao que parece, o preconceito democrático: a de que os povos podem equivocar-se. E podem, consequentemente, votar mal… Hitler (podemos, naturalmente, lamentá-lo) não se apossou do poder por meio de um golpe de Estado! Na eleição presidencial de Março-Abril de 1932 tinha obtido 2,75 milhões de votos, o que representava 37,3% do eleitorado, mas tinha sido ultrapassado, em qualquer caso, pelo marechal Hindenburg. Num contexto marcado, entretanto, pelas terríveis acções violentas dos bandos nacional-socialistas (contavam-se às centenas os mortos que estes tinham provocado apenas no decurso do mês de Julho, em confrontos de rua desde a Prússia até Altona, a norte de Hamburgo), o NSDAP obteve igualmente 37,3% dos votos nas eleições de 31 de Julho de 1932.
Face aos recentes desenvolvimentos na região do Médio Oriente, o PCP alerta para os perigos que a intensificação das manobras de ingerência externa e chantagem imperialistas contra países soberanos como a Síria e o Irão comportam para a paz e segurança regionais e internacionais.
O PCP repudia frontalmente a estratégia que as principais potências da NATO – em coordenação com a Turquia e com as monarquias e regimes ditatoriais do Conselho de Cooperação do Golfo – desenvolvem no Irão e na Síria visando a sua desestabilização interna, a instigação de conflitos sectários e a preparação de novas agressões imperialistas contra povos e estados soberanos.
Alertando para as terríveis consequências que novas aventuras militares imperialistas teriam na já extremamente tensa situação na região do Médio Oriente e Ásia Central, o PCP denuncia e deplora a gigantesca campanha internacional de mistificação e mentira que tenta esconder as reais razões da violência registada na Síria há vários meses e tenta apresentar descaradas manobras de ingerência externa, de infiltração de forças especiais e serviços secretos, de financiamento, treino e armamento de mercenários armados e grupos terroristas, como se de uma genuína luta popular pela democracia se tratasse.
Quase meio ano depois do acordo que PS, PSD e CDS assumiram com a União Europeia e o FMI, a vida prova que é para servir o capital e as grandes potências que sujeitam o povo e o país a este pacto de agressão. Para além da reduzirem os salários e as reformas, aumentam os impostos, aumentam brutalmente o custo de vida com a subida de preços.
1. O INE divulgou as suas primeiras estimativas de evolução do PIB no 4º trimestre de 2011 e na totalidade do ano. O INE estima que o PIB tenha caído -1,5% em 2011 e que em termos homólogos no 4º trimestre a queda tenha sido de -2,7% e em cadeia de -1,3%. O 4º trimestre de 2011 foi sem qualquer margem para dúvida o pior trimestre do ano, com o PIB trimestral a recuar em termos reais para valores inferiores aos registados no 4º trimestre de 2005.
2. Estes dados confirmam que em 2011 após um 1º semestre em que a queda do PIB foi de -0,7%, no 2º semestre o PIB afundou-se caindo -2,2%. Este dado é tanto mais relevante quanto esta é a maior queda registada em termos percentuais no PIB do 2º semestre, desde 1996 ano em que esta nova série de dados trimestrais do PIB se iniciou.
No passado domingo, cerca de 500 populares, entre eles autarcas dos concelhos de Castelo de Paiva e Arouca e alguns deputados eleitos pelo distrito de Aveiro, percorreram em marcha lenta automóvel parte da EN 234, em protesto contra o anúncio do encerramento do tribunal de Castelo de Paiva.
Meia-hora de caminho e 365 curvas depois eis o que espera os Paivenses, cada vez que forem ao tribunal da sua nova comarca a situar-se, futuramente, no Tribunal de Arouca.
«Um disparate», rematou Gonçalo Rocha, edil de Castelo Paiva, já frente ao tribunal de Arouca, que maior será se se considerar que «só há um autocarro por dia de Castelo de Paiva para Arouca». No entanto, o autarca ainda acredita que só o desconhecimento da realidade local explica a decisão governamental em encerrar o tribunal em Castelo de Paiva, daí que «a ministra da Justiça quando tiver oportunidade de a verificar, vai dar-nos toda a razão», dando assim por concluída a concentração de protesto.
Num gesto de solidariedade com os promotores da iniciativa, também os activistas da CDU de Arouca marcaram presença neste protesto, tendo reiterado a sua crítica sobre o novo Mapa Judiciário e o modelo de acesso dos cidadãos à justiça proposto por este governo, referindo a propósito que este «tem suscitado justas preocupações e fortíssima contestação». Tadeu Saveedra, em representação da concelhia do PCP/Arouca afirmou ainda que «não contestamos a necessidade de melhorias na organização e no funcionamento do sistema judicial» mas contestamos «o sentido da reforma e as consequências negativas que teria para os cidadãos no seu acesso à justiça, mas também para as comunidades e o país, nomeadamente para as populações do concelho de Castelo de Paiva».
Concentrações realizadas em dezenas de cidades dos EUA exigiram o fim da política hostil para com o Irão e expressaram o repúdio do povo norte-americano face a uma possível ofensiva militar contra a nação persa, cuja probabilidade ganha força.
As iniciativas ocorreram sábado, dia 4, em cerca de 80 grandes e pequenas cidades de 30 dos 50 estados norte-americanos, garante uma nota divulgada pelas organizações promotoras.
«Não à guerra, fim às sanções» foram as principais palavras de ordem ouvidas em Nova Iorque e Los Angeles, mas também em Boston, Albany, Philadelphia, Baltimore, Washington, Atlanta, Tampa, Cincinnati, Detroit, Chicago, Milwaukee, Minneapolis, Dallas, Houston, Tucson, Phoenix, Albuquerque, Salt Lake City, São Francisco, Seattle ou Honolulu.
No dia anterior, em Rockport, no Estado do Illinois, outra manifestação juntou a rejeição da guerra à denúncia do orçamento dos EUA para a Defesa relativo ao ano de 2012, que destina 662 mil milhões de dólares para o sector.
Ao contrário do que os resultados obtidos pelos principais bancos privados até ao final do 3º trimestre faziam prever – um lucro superior a 1,5 milhões de euros/dia -, BCP, BES e BPI, apresentaram os resultados de 2011 com um prejuízo superior a mil milhões de euros, no quadro de uma gigantesca operação ideológica que visa, entre outros objectivos, dar suporte político ao financiamento por parte do Estado à banca privada em Portugal.
Chegou mesmo a ser comovente a forma como os três banqueiros apresentaram publicamente os resultados, atribuindo os prejuízos a um conjunto de adversidades e malfeitorias a que foram sujeitos. Só faltou dizer que os principais responsáveis foram os cidadãos, aqueles que são as principais vítimas da gestão agiota dos bancos.
Mas o que levou estes bancos que tiveram em tempo de crise resultados operacionais de 2 642,9 milhões de euros – fruto de elevadas taxas de juro, spreads incomportáveis e das enormes comissões bancárias – a apresentarem resultados negativos de cerca de mil milhões de euros e simultâneamente os banqueiros a considerarem os seus bancos mais fortes e mais resilientes?
Amigos, companheiros, camaradas
Passados menos de oito meses sobre a realização da Assembleia-Geral Constitutiva da Associação Conquistas da Revolução, aqui estamos, agora em Assembleia-Geral electiva dos órgãos sociais – ou seja, dando mais um importante passo no processo de construção deste nosso projecto.
Sobre a oportunidade e a necessidade da criação de uma Associação com estas características, o tempo e a evolução da situação política, económica, social e cultural no nosso País, têm-se encarregado de nos dar múltiplas provas de que tínhamos toda a razão quando decidimos criá-la.
Com efeito, neste tempo em que tudo o que ainda cheira a Abril é alvo da feroz ofensiva contra-revolucionária da política de direita das troikas, a existência de uma Associação que tem a Revolução de Abril e as suas conquistas históricas como referência maior, é, mais do que necessária, indispensável.
Acresce que temos como referência, também, um vasto conjunto de personalidades, civis e militares, que deixaram os seus nomes para sempre ligados à Revolução de Abril e a tudo o que ela nos trouxe e nos permitiu conquistar.
Dessas personalidades, emerge, em primeiro lugar a figura ímpar do General Vasco Gonçalves. Tudo já foi dito e tudo resta para dizer do Companheiro Vasco, exemplo de dignidade, de coragem e de inteireza de carácter; de extrema dedicação a Portugal e ao povo português; de elevada estatura moral, política, intelectual, humana, revolucionária.
Por isso – pelo seu exemplo, pela sua obra, pelo seu pensamento – quisemos, inicialmente, que o seu nome fosse o nome da nossa Associação – o que só não aconteceu por obstáculos impossíveis de superar e que todos conhecemos. Leia o resto deste artigo »
Camaradas,
O Terreiro do Paço é Terreiro do Povo, é Terreiro de Luta, de indignação, de protesto, mas também de esperança e confiança, de todos aqueles que acreditam que com a luta é possível um país com futuro, onde os direitos dos trabalhadores, dos jovens, dos desempregados e dos reformados sejam respeitados e valorizados.
A política de austeridade que nos está a ser imposta pelo FMI/UE/BCE e pelo Governo PSD/CDS-PP, não só não resolve os nossos problemas, como está a encaminhar o país para o precipício económico e social.
Qualquer que seja o parâmetro usado, o balanço não pode deixar de ser outro, de programa em programa, de austeridade em austeridade, os sacrifícios sucedem-se sem fim à vista, o país definha economicamente e a pobreza alastra.
Na próxima semana anuncia-se uma nova visita dos senhores da troika. Os representantes da ingerência externa vêm a Portugal para fazer uma avaliação da implementação do memorando de entendimento e do impacto que está a ter para o seu negócio especulativo. Mas antes que cheguem, aproveitamos a oportunidade para fazer a avaliação daqueles que sofrem todos os dias as consequências desta política de desastre nacional.
Por isso, dizemos que este memorando é bom:
- É bom para os credores, que num empréstimo de 78 mil milhões de euros, cobram 35 mil milhões de euros de juros;
- É bom para a troika, que só em comissões por estas avaliações cobra 655M€;
- É bom para os bancos, que têm à sua disposição 12 mil milhões de euros para o que der e vier e transferiram para o Estado os fundos de pensões, em condições que se podem tornar numa bomba relógio em termos de sustentabilidade financeira da Segurança Social;
- É bom para os grandes accionistas da EDP, PT e GALP, a quem foi oferecido a participação especial que o Estado detinha nestas empresas (Golden Share);
- É bom para o Grande Patronato, a quem querem oferecer despedimentos mais fáceis e baratos, a desregulação dos horários de trabalho e a redução dos salários dos trabalhadores;
- É bom para os detentores das grandes cadeias de distribuição que continuam a asfixiar os preços na produção e a colocar as suas sedes fiscais em paraísos fiscais para não pagar impostos;
- é bom para os 10% mais ricos, que têm um rendimento 10,3 vezes superior aos 10% mais pobres e cuja diferença está a aumentar, como conclui um estudo recente da própria Comissão Europeia.
Mas, se as medidas do memorando são boas para o capital, são más para os trabalhadores, os jovens, os desempregados e os reformados e pensionistas:
- Que continuam a ser confrontados com a redução brutal do poder de compra;
- São más para os 2,7 milhões de portugueses que estão em risco de pobreza ou de exclusão social e, apesar disso, o Governo teima em reduzir ainda mais os apoios sociais;
- São más para meio milhão de trabalhadores com emprego que vivem abaixo do limiar da pobreza, o que mostra bem a dimensão dos salários de miséria que se praticam em Portugal;
- São más para os mais de 41% dos desempregados que vivem abaixo do limiar da pobreza;
Mas são más, também, para o país:
- Porque promovem a recessão económica, deixando o país numa situação cada vez mais debilitada;
- Porque a criação de riqueza caiu para níveis inferiores a 2001;
- Porque é responsável pelo encerramento de inúmeras empresas e a destruição massiva de postos de trabalho;
- Porque a dívida pública, só no último ano, aumentou 19 pontos percentuais, atingindo os 110% do PIB e não pára de crescer. Este é o maior aumento dos países da U.E., logo atrás da Grécia;
A manifestação nacional convocada pela CGTP para hoje, 11 de Fevereiro, trouxe a Lisboa mais de 300 mil manifestantes. Mas o seu significado excede em muito essa impressionante dimensão quantitativa.
Em primeiro lugar pela invulgar participação: pode dizer-se que nela estiveram representadas, no fundamental, todas as classes e camadas que a política da troika estrangeira, servilmente subscrita e executada pela troika nacional, atinge e agride. Trabalhadores de todos os sectores de actividade, de todas as regiões do continente, de todas as idades. Trabalhadores manuais e trabalhadores intelectuais. Homens, mulheres, jovens. Com um traço relativamente invulgar: enquanto a enorme massa humana se deslocava pelas ruas da Baixa o número de espectadores nos passeios era bastante reduzido, ao contrário do que é habitual em acções semelhantes. Nesta grandiosa manifestação ninguém quis ficar de fora: todos foram participantes. Leia o resto deste artigo »
Actualmente, é recorrente que o Irão vai cortar as exportações de petróleo à Grécia, Espanha e Itália, como forma de antecipar o embargo anunciado pelos países europeus. Mais uma vez os países imperialistas da Europa estão tomando decisões que vão prejudicar o sul da Europa. Os países líderes não serão afectados por uma possível restrição sobre as exportações do Irão, pois recebem o seu petróleo da Arábia Saudita, da Rússia e de outras partes.
Por esta razão, agora existe um perigo. Caso a Europa anuncie um embargo contra o Irão, o mesmo irá cortar as exportações e colocar grande parte da Europa imersa numa crise ou, pelo menos, aprofundar a situação catastrófica existente.
Isso mostra que o Irão não está disposto a entregar-se aos países imperialistas. O Irão está capacitado para exportar petróleo para a Ásia, não dependendo da Europa. A Europa só constitui 18% do mercado do Irão. E, se os europeus impuserem um embargo, seguindo a liderança do império norte-americano, a China poderá comprar mais petróleo do Irão, assim como a Índia e outros países da Ásia.
Isso mostra, mais uma vez, que o Irão tem a capacidade de enfrentar o imperialismo, tomar medidas de defesa e contestar as agressões. Leia o resto deste artigo »
O veto da Rússia e China no Conselho de Segurança da ONU é uma rara notícia positiva a emanar daquele órgão. Positiva por ser um entrave a mais uma agressão imperialista. Quase seguramente não impedirá que o imperialismo avance, tal como a ausência da cobertura pela ONU não impediu que os democratas de Clinton e sociais-democratas da UE atacassem a Jugoslávia, ou os republicanos de Bush e atroika Blair-Aznar-Barroso invadissem o Iraque. Mas é positivo que não possam invocar a chancela da ONU, ao contrário do que aconteceu no caso da Líbia.
A reacção do imperialismo ao veto foi delirante. A representante dos EUA na ONU, Susan Rice, declarou que »«aqueles que bloquearam o último esforço para resolver pacificamente esta questão terão as suas mãos manchadas pelo sangue que se verterá no futuro»» (CNN, 5.2.12). Além de confirmar que se verterá mais sangue com uma «solução» não pacífica – na qual os EUA assumirão o seu habitual papel de primeiríssimo plano – a sra.Rice não conhece o sentido do ridículo. Representa um país que tem, não apenas as mãos, mas todo o seu corpo submergido em caudalosos rios do sangue de muitos milhões de mortos e vítimas dos seus crimes de guerra. O cada vez mais patético Secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, afirmou que o veto «enfraquece o papel da ONU e da comunidade internacional» (» Televideo RAI, » 4.2.12). Faz de conta que não sabe que o preâmbulo da Carta da organização a que preside começa dizendo: » «Nós, os povos das Nações Unidas estamos determinados a salvaguardar as gerações futuras do flagelo da guerra…» ». Durante o seu mandato, Israel lançou o criminoso ataque militar contra a faixa de Gaza, sem que BKM tenha achado seu dever intervir activamente pela paz. Na sua recente passagem por Gaza, BKM foi acolhido por «dezenas de palestinos num protesto hostil […]. Muitos eram familiares de presos palestinos nos cárceres de Israel, zangados com a recusa de Ban Ki Moon em se encontrar com eles para discutir as condições dos presos. Alguns atiraram-lhe sapatos e mostravam cartazes onde se lia “chega de favorecimento de Israel”» (BBC, 2.2.12).
Motiva a interrogação norteadora deste artigo o ensurdecedor silêncio da(s) direita(s) lusa(s) perante as sucessivas impertinências e prepotências – no início a coberto dos segredos da diplomacia, ultimamente, à vista de toda a gente – com que a Srª Merkel tem brindado algumas nações soberanas da Europa.
Primeiro, tivemos o telefonema para o presidente da Itália sugerindo (ordenando) a demissão do primeiro-ministro desse país. Depois, o caso da proposta de controle da execução orçamental da Grécia através de um Comissário Europeu. Agora, a nomeação da Madeira como péssimo exemplo da aplicação dos Fundos Europeus.
Não tem o autor destas linhas qualquer simpatia, na substância, pela política recentemente seguida na Itália, na Grécia ou na Madeira e, muito menos, pela forma como o fazem personagens do calibre de Berlusconi ou de Alberto João. Simplesmente há coisas que um Estadista não faz. Uma delas é dar palpites ou fazer comentário a questões do âmbito da soberania de países que não o seu.
Mas de volta ao início. Porque anda a Direita silenciosa? Eu sei que em muitos momentos da história vimos a direita a abrir as portas à ocupação e domínio estrangeiro. A segunda guerra mundial é talvez o melhor exemplo. Face à força da besta nazi assumiram o papel de colaboracionistas, é justo dizer nem todos (os de direita) o fizeram.
É verdade que o actual governo assumiu a postura de força colaboracionista e o que o actual primeiro-ministro vai regularmente a despacho a Berlim. É verdade que o PS, o PSD e o CDS assumiram o papel de colaboracionismo com a troika estrangeira. Mas, a pergunta é esta – no debate das ideias a questão patriótica não diz nada a liberais, conservadores … e sociais-democratas?
Apesar da experiência e da ciência económica já terem provado que é impossível ter crescimento económico com uma politica de austeridade violentamente recessiva como é a que está a ser imposta a Portugal, governo PSD/CDS, “troika estrangeira” e defensores nos media têm procurado criar a ilusão junto da opinião pública de que isso é possível e que, como afirma o ministro das Finanças, isso “será o caminho para um novo ciclo de prosperidade, crescimento e criação de emprego”. Não há nenhum economista honesto que possa garantir que isso aconteça, até porque tudo que se está fazer em Portugal vai contra os ensinamentos da ciência económica. Aqueles que, por um lado, afirmam que é preciso cumprir o acordo e, por outro lado, dizem que é necessário crescimento económico, como isso fosse possível simultaneamente, como se ouve muitas vezes, ou não percebem nada de economia ou têm a intenção deliberada de manipular e enganar a opinião pública com o objectivo de a levar a aceitar passivamente os sacrifícios brutais que lhe estão a ser impostos que, no fim, se vão revelar inúteis porque o país ficará ainda pior.







