O associativismo português em geral é uma das conquistas do 25 de Abril. Nos tempos dos fascismo, o denominado Estado Novo, todas as organizações grupais eram corporativas, isto é, tinham como função perpetuar os valores da Nação – Deus,  Pátria e Família.
Nos anos setenta e oitenta o movimento associativo teve um boom e foi, juntamente com o poder democrático local, apesar de todos os erros e desvios, uma grande escola de democracia e civilidade. Muitos dos dirigentes políticos da actualidade fizeram escola no associativismo.
Com os anos noventa e a progressiva transformação da sociedade portuguesa numa sociedade de consumo tout court, o movimento associativo começou a declinar em termos de participação popular.

Claro está que neste declínio não lidamos com uma fatalidade dos céus, trata-se de um deliberado esquecimento do poder político e de uma deliberada  desvalorização da capacidade formativa e pedagógica do associativismo na formação integral do indivíduo. Quanto mais esclarecidas e interventivas  forem as pessoas, mais difícil é ludibriá-las.
É com muita preocupação que hoje constatamos em muitos estudos sociológicos que 70% a 80% dos jovens nunca tenham participado na vida de uma associação, seja ela de carácter desportivo, cultural ou político. Quando muito limitaram-se em determinados períodos, no caso de possuírem algum poder económico, a “comprar serviços” nestas áreas.
No caso do associativismo desportivo constata-se uma outra evidência, à medida que os anos noventa avançam e o mercado dos direitos televisivos e de publicidade crescem, há uma canalização progressiva dos apoios do Estado Central e das Autarquias para o Desporto Profissional e para  obras faraónicas. Ao mesmo tempo o Desporto Popular e Amador e as pequenas infra-estruturas de base são esquecidas.
São evidências paradoxais deste paradigma de política desportiva os 10 estádios do Euro 2004, as Naves Polivalentes, a proliferação de Piscinas climatizadas e o financiamento descarado ao Futebol Profissional (casos Nacional, Marítimo, Felgueiras, etc.). Por outro lado, a falta de instalações para o treino de alta competição de algumas modalidades (casos Francis Obikwelu e Nelson Évora), a falta de instalações desportivas nas escolas do ensino básico e um conjunto de dificuldades burocráticas para treinar, competir fora do país com que se deparam treinadores a atletas das modalidades amadoras (por exemplo no Atletismo), a agonia dos clubes populares e a grande farsa que é, enquanto sistema desportivo de base, o desporto escolar.
Nos apoios públicos ao associativismo desportivo tem que haver uma clarificação das águas, de um lado o desporto profissional – o espectáculo, do outro a formação e o desporto amador. O primeiro é uma actividade económica e de mercado, logo auto-suficiente.  O segundo, porque não dispõe de receitas próprias tem necessariamente de recorrer a subsídios de entidades públicas ou privadas sendo que, estas últimas na maior parte das vezes, exigem contrapartidas.

O associativismo em Arouca, à semelhança do que aconteceu no resto do país, teve o seu auge de desenvolvimento nos anos que se seguiram ao 25 de Abril, tendo o número de associações do concelho rondado nessa altura a centena. Houve freguesias que chegaram a ter seis associações. Hoje o panorama é ligeiramente diferente mas mesmo assim,  nos registos da Câmara Municipal de Arouca, podem contar-se cerca de oitenta associações. Destas oitenta, pouco mais de metade têm uma actividade regular.  A maioria dedica-se ao desporto, ao folclore e algumas, poucas, ao teatro. Ambiente e património também fazem parte do rol das associações activas de Arouca.
A maior parte das associações sobrevive com os escassos subsídios das entidades oficiais, Câmara Municipal e  Instituto da Juventude.  Ao nível das entidades particulares os apoios são muito poucos, no entanto merece destaque  a Caixa de Crédito Agrícola que presta apoio significativo às associações de  Arouca.
O apoio ao nível da formação é praticamente  inexistente o que cria dificuldades aos agentes associativos e leva ao desenvolvimento do auto-didactismo.
Uma boa política desportiva autárquica privilegiaria a diversificação da oferta desportiva, nas vertentes formação, desporto para trabalhadores e desporto para idosos, através de avenças de técnicos para a formação e para apoio técnico às associações, do apoio em transportes, do apoio logístico, da disponibilização das piscinas a todos os alunos do concelho recorrendo cada vez menos a transferências em dinheiro.