«É importante que haja uma ajuda à Grécia e que ajude realmente a economia grega e que não contribua para a estrangular», defendia o dirigente bloquista Francisco Louçã aquando da discussão do empréstimo à Grécia, faz agora um ano, nas páginas do Sol. Relembre-se que nesta altura os ministros das Finanças da Zona Euro concordaram em accionar o mecanismo de apoio à Grécia num montante global de 110 mil milhões de euros, sendo os países da Zona Euro responsáveis por 80 mil milhões desse montante e o FMI pelos restantes 30 mil milhões. Com esta operação, Portugal endividou-se em 2064 milhões de euros.

Na discussão da concessão desta «ajuda» na Assembleia da República, PS, PSD, CDS e BE votaram favoravelmente, viabilizando esta agressão ao povo grego em benefício da banca alemã e francesa, como de resto se veio a verificar. «Votaremos a favor desta proposta por uma única razão e mais nenhuma: recusar este empréstimo seria, nas actuais circunstâncias, impor a bancarrota à Grécia, e esta seria a pior opção», declamava então a deputada bloquista Cecília Honório. Para ajudar à festa, José Soeiro justificava a postura do grupo parlamentar do BE dizendo que o empréstimo foi aprovado com o objectivo de «evitar a bancarrota num país massacrado pelas políticas liberais e vítima de um ataque especulativo dos mercados financeiros e das agências de rating».

Vale a pena também contrapor as sábias palavras do deputado do PCP Bernardino Soares neste mesmo debate, em Maio de 2010: «PCP está solidário com o povo grego e recusa este empréstimo à Grécia. As condições que estão subjacentes aos empréstimos à Grécia significam congelamento de salários e pensões, corte de subsídio de férias e Natal, redução brutal do investimento público, encerramento de serviços públicos e privatizações. A União Europeia deve ajudar a Grécia. Mas o que está aqui em causa não é uma ajuda, é uma condenação ao atraso, à dependência, à crise social.» Se somarmos a este empréstimo ruinoso para «salvar» a Grécia da bancarrota os 1,8 mil milhões que resultaram da nacionalização dos prejuízos do BPN aprovados por PS e BE inviabilizando a proposta do PCP em nacionalizar a totalidade da Sociedade Lusa de Negócios, detentora de 100% do capital do BPN e principal responsável por todo o desfalque, são já quase 4 mil milhões de euros «deitados ao mar», com o selo de garantia da chamada Esquerda de Confiança.

A mesma esquerda que está contra a intervenção da troika FMI/BCE/UE em Portugal mas que apoiou esta mesma intervenção na Grécia há precisamente um ano. Com esta Esquerda de Confiança pode de facto o grande capital dormir descansado, confiando que dali não virá nenhum mal para os seus negócios.

(*) Cabeça de lista da CDU por Aveiro

in “Avante”

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