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O grupo de palhaços portugueses Irmãos Esferovite despertou a alegria da população durante uma semana de atuações em várias cidades da Cisjordânia nos dias que antecedem a votação sobre a adesão palestiniana às Nações Unidas.

A praça Manara no centro de Ramallah é um dos símbolos mais marcantes da úlima Intifada. Foram aqui pendurados os cadáveres de supostos colaboradores palestinianos com Israel.

Cerca de uma década depois, esta é uma imagem quase esquecida. Apesar dos cartazes com os caídos da Intifada, esta foi substituída por uma praça cheia de crianças, jovens e adultos que rapidamente se juntaram à comitiva de palhaços.

À sua passagem deixaram à janelas dos edifícios, lojas e ruas adjacentes uma multidão atraída por música, gargalhadas, malabarismo e pasmo dos mais jovens.

Apesar do conflito israelo-árabe ser menos visível, a ocupação israelita dos Territórios Palestinianos foi difícil de esquecer. “Festiclown, Festiclown, ya-habibi, Falastin, Falastine, ya-habibi” foi o hino da marcha que desfilou entre cartazes e grafitis alusivos à data que se avizinha. “Falastine” quer dizer Palestina e “ya-habibi”, “minha querida”.

Para os Irmãos Esferovite esta não foi no entanto uma estreia, depois das atuações noutras cidades, descrevem adultos e crianças que “não se esqueceram de sorrir” apesar de “tanta opressão, caos e violência” e do “esforço para se manterem alegres, mesmo os adultos”.

Segundo Pedro Correia o significado desta viagem à Palestina é “combater o Muro (de separação israelita)”, além de combater o seu “muro interior” que para o artista português se trata de “tentar fazer as outras pessoas felizes” neste caso “as crianças e o povo palestiniano”.

Enquanto se vivem momentos de expetativa nas vésperas da votação, estes poderão ser os últimos dias descontraídos com a incerteza no terreno sobre os próximos desenvolvimentos políticos.

“Estamos perto de uma data decisisva e para nós significa apoio, que as pessoas venham ver que os palestinianos são uma realidade”, explicou Shadi Zmorrod, fundador da Escola Palestiniana de Circo quando questionado sobre a participação portuguesa no festival.

Para André Marques, atuar na Palestina significa “poder trazer alegria àqueles que precisam de esquecer o que se está a passar aqui”. André diz “ter aprendido muito” ao “ver estas pessoas a rir” e como “é preciso ter coragem para esquecer”.

Segundo o fundador da Escola de Circo, o objetivo do festival é dizer aos pais e às crianças “por favor, mantenham a esperança”, combater a “depressão” e incentivar a que se estude, se faça arte e cultura”. “É assim que se constrói um país, não pela violência e pela teimosia”, concluiu.

O Festiclown, um festival de circo, palhaços e risoterapia atuou nos teatros, campos de refugiados e hospitais da Cisjordânia. Cerca de 20 companhias internacionais (Espanha, Argentina, Chile, Estados Unidos, Portugal) particiaram no evento entre nomes como Leo Bassi, Mago Teto, várias companhias palestinianas e a Escola de Circo Palestiniana.

Ramallah, 11 set

Lusa/Fim

 

 

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