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Meu Portugal, minha pátria, para onde te levaram?

Sarcástica Europa para onde atiraste o teu mais ocidental bocado,

e o afastaste do mar e o adentraste na terra de bárbaros?

Para onde levaste o meu país?

Por que lhe proíbes assim praias e mar,

por que o aprisionas em cobiças alheias, porventura a mais alemã,

por que lhe impedes a fama das tempestades do Atlântico?

(As que só ele soube enfrentar e a única que lhe é merecida).

Meu Portugal, minha pátria, onde te enfiaram?

Onde meteram os teus versos que falam em partir e voltar?

Por que te negaram a rota do teu destino?

Meu país, como é que te deixaste levar assim?

A gente tem um pedaço de destino que não podemos partilhar.

Destino, agora onde me queres levar?

Aqui, domando saudades, resto ainda eu,  

povo algo escuso e parado entre a beira-mar

e uma nesga de chão vazio onde antes ficava um país,

como um navio de gente encalhado

que não pode seguir nestas águas de sal,

pois são, hoje, uma lágrima apenas,

só lágrima de Portugal!

 Arouca, 1 de Março de 2012

Álvaro Couto

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