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«O DIREITO À INSURREIÇÃO

 CONTRA A EXPLORAÇÃO DE QUE SE É VÍTIMA»

Cerca de cinco dezenas de pessoas participaram, sábado, em Arouca, num jantar comemorativo do dia 25 de Abril de 1974. Gente determinada, que continua acreditar nos valores de Abril que, através do Movimento das Forças Armadas, «fez nascer, há 38 anos, uma nova esperança ao povo e tornou possível conquistas fundamentais na sociedade portuguesa que, como diz a canção, deram pão, saúde e educação para todos» afirmou Ilda Figueiredo no discurso de encerramento desta jornada, que lembrou ainda a Constituição e o seu «direito à insurreição», no momento em que os portugueses, na sua opinião, «estão a ser vítimas de exploração».

 

Com a noite a principiar, dezenas de pessoas, lendo na vitrine «É possível uma vida melhor», subiram a escadaria de acesso à sala principal do restaurante Manjar e encontravam, num convívio fraterno, uma banca com livros, onde se destacava o «Caderno da Educação – Do Mundo Rural às Escolas Rurais em Arouca». De dentro para fora, os ritmos de Zeca Afonso e Carlos Paredes e os vídeos com diálogos, textos e fotografias evocativas daquela data chamavam e preenchiam os poucos lugares que ainda restavam.

 Depois da apresentação do evento por Tadeu Saavedra, foi a vez de Ilda Figueiredo, reconhecida ex-eurodeputada, rebobinar os acontecimentos do dia 25 de Abril de 1974 e os principais valores inscritos, a partir daí, na Constituição Portuguesa e, com 38 anos a passar pela data, a rebobinar também o actual filme da crise europeia «agora tendo como principal protagonista o nosso País».

Uma situação interna de «pressão sistemática e permanente dos grandes centros do capital financeiro e especulativo», a qual, a continuar, «condenará Portugal à recessão, ao declínio e ao desastre nacional», alertou Ilda Figueiredo, referindo que a saída da actual crise só se faz «pondo o País a funcionar, através da defesa do nosso aparelho produtivo e na defesa de condições de vida dignas para o povo, entretanto conquistadas com o 25 de Abril», e não por «programas de austeridade» ou pela «redução drástica dos rendimentos de trabalho» e a «anulação definitiva dos direitos laborais e sociais conquistados pelos trabalhadores» e pela «exportação do que é o nosso bem mais valioso: a nossa juventude, pois sem ela não haverá futuro para Portugal».

«É uma cega obsessão de classe – a classe daqueles que, no tempo do fascismo, dominavam o País – e que pretendem agora vingar-se de Abril». Uma obsessão, acrescentou, «que, aparecendo num novo contexto, se apresenta com a velha política que até hoje foi incapaz de resolver os problemas do País». Ontem como hoje, os exemplos multiplicam-se «aumenta cada vez mais, e todos os dias, o número de famílias a pedir ajuda nos Bancos Alimentares; metade dos nossos jovens não têm emprego e 90% dos que trabalham, não recebem mais de seiscentos euros e estão em situação precária; há crianças que só comem uma  única refeição completa – a que lhes é dada na escola –, temos a gasolina mais cara da Europa e, entretanto, neste primeiro trimestre, temos a Galp a dar um lucro superior a 50 milhões de euros aos seus accionistas, temos um BCE, que não fia aos Estados que são os verdadeiros donos deste banco, mas financia os banqueiros particulares à taxa de 1% que, entretanto, emprestam aos Estados e a nós a taxas dez e vinte vezes mais», enumera Ilda Figueiredo, afiançando que, apesar de tudo, «os portugueses não estão condenados a assistir de braços cruzados ao inferno e à destruição das suas vidas».

Nesse sentido, Ilda Figueiredo apelou então à necessidade de que é preciso «resistir». E isso, é um «direito de todos os portugueses» previsto na própria Constituição Portuguesa: «O Direito à Insurreição, contra a exploração de que se é vítima» lembrou, «para que não se fechem as portas que Abril abriu».

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