O Diário de Notícias acaba de publicar uma série de documentos relativos ao caso BPN. Ou às negociatas, fraudes e escândalos associados ao Banco Português de Negócios.

Fruto de uma investigação jornalística minuciosa e desassombrada, não dispensa a leitura de quem se quer informado acerca do que são as ligações, sempre muito nebulosas neste país, entre política e finança.

Nada que não se soubesse, afinal. Mas os detalhes são de tal modo rocambolescos que, alguns, merecem mesmo ser sublinhados.

O BPN, banco privado, nasceu em 1993 e foi nacionalizado, numa decisão política polémica, em Novembro de 2008, por um governo socialista. Para trás ficaram doze anos de promiscuidade entre a política e a finança, negociatas e fraudes que resultaram num  processo de mais de 20 milhões de páginas, 368, testemunhas, 350 acções em tribunais de todo o país, 96 sociedades sediadas em paraísos fiscais e mais de 50 empresas falidas.

Enquanto durou o festim, era tal a crença no retorno financeiro redobrado que até o Instituto Missionário da Consolata de Fátima, decerto mais preocupado com os bens terrenos que em ganhar o paraíso, entregou grossa maquia a um gestor menos escrupuloso que, enquanto o diabo esfrega um olho, o desbaratou em jogatinas de casino. E não fora o Supremo Tribunal de Justiça obrigar o Estado, agora responsável, a devolver ao Instituto a quantia apostada, ficariam os pobres fradinhos a roer as unhas dos pés, à espera, pacientemente, que se enchesse, de novo, a caixa das esmolas.

No fim sobrou uma factura de cerca de oito mil milhões de euros que o Estado, isto é, o contribuinte, já começou a pagar e que terá que saldar nos próximos anos. Uma monstruosidade que chegaria para pagar três anos de subsídios de férias e de Natalaos trabalhadores da administração pública e aos pensionistas. Para ajudar à desgraça e completar o negócio ruinoso, foi vendido ao BIC, em finais de 2011, por 40 milhões de euros, em circunstâncias não menos obscuras.

Mas, afinal, não há ilações a tirar? O economista Eugénio Rosa, cujos estudos e publicações mereciam, pela lucidez e isenção, maior destaque, bem sublinha que os portugueses, que têm que pagar a factura da gestão danosa, saibam o que foi feito e o que não foi feito, quem são os responsáveis, até para que casos destes não surjam no futuro.

Uma coisa é certa. Neste atoleiro está enterrada, até às orelhas, a fina flor do cavaquismo e outros tantos quadrilheiros da mesma estirpe. Com as excepções conhecidas, todos com rédea solta.

Pelo fôlego da investigação realizada, cada vez mais rara, está de parabéns o Diário de Notícias. Assim a Justiça lhe siga o exemplo…

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Os portugueses, uma boa parte dos portugueses, comemorou o 1º de Maio nas lojas do Pingo Doce. Pegaram bem no isco lançado, com mão destra, pelo sr. Soares dos Santos que assim, duma assentada, cumpriu três desígnios:  aumentar o volume de vendas e ao lucros da empresa; impedir os seus trabalhadores, precários e miseravelmente pagos, de comemorar o 1º de Maio ou ter um dia de descanso bem merecido; ajustar, uma vez mais, as contas com o Dia dos Trabalhadores e os seus direitos.

         Esta gente que, no mínimo, não tem vergonha na cara, só dorme descansada quando conseguir espezinhar o último alento de quem, de forma absolutamente dependente, os serve.

         E o povo, deslumbrado por pagar, pela metade, o saco das batatas fritas, perfilou-se, abrutalhado, às portas de todos os Pingo Doce deste país.

Assim se mobilizassem pelos seus direitos e a coisa fiava mais fino.

Mas não menos miserável foi ver, no dia seguinte, no telejornal das oito, a explicação, mal mastigada, dum responsável da empresa.

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         Costumo visitar, com alguma frequência, o concelho de Vinhais. Situado no nordeste transmontano, sofre, como muitas outras terras, as consequências da interioridade que intensificaram a desertificação.

         Grandes extensões de carvalho negral e soutos de castanheiros, entrecortados por lameiros onde se espraiam ou se despenham ribeiros tumultuosos que são a madre das trutas e que só perdem o seu ímpeto no Tuela e no Rabaçal: é o Montesinho frio e agreste que o transmontano moldou quando a natureza o permitiu e a que se afeiçoou quando esta, rebelde e insubmissa, o curvou aos seus desígnios.

         E é esse mesmo homem, de feições rudes, talhado no granito a golpes incertos de cinzel, que não desarma nesse seu apego ao torrão natal. Que contrariedades?! A terra é madrasta?! Afirma-se o carácter altivo dessa gente que não alija perante quaisquer adversidades.

         E cito só dois exemplos. O primeiro é a Feira do Fumeiro onde a salgadeira e os enchidos do bísaro se apessoam. E são muitas e muitas as dezenas de criadores e produtores que não deixam esse modo de vida, herdado dos seus avós, e o transformam numa actividade económica de qualidade, certificada e rentável. Ganhou-se por duas vias: manteve-se a ligação à terra e é substancial o pé-de-meia.

         O segundo é o Parque Biológico, com a sua hospedaria, parque de campismo rural e centro interpretativo da fauna e flora autóctones. Instalado nuns antigos viveiros florestais, onde o homem e a natureza fizeram as pazes, com tudo primorosamente cuidado.

         Dois bons exemplos que bem poderiam servir de exemplo ao que por cá se faz… ou não se faz.

         Afora o que a natureza, pródiga, oferece ao visitante, nesta terra onde se definhou a agricultura, em nome dum progresso feito de betão que ofuscou alguns, o que resta?

         Do Mercado Municipal, agora transformado em museu, porque não houve nem engenho, nem vontade de o pôr a funcionar, ficou a sombra da Feira de Produtos Agrícolas. Onde figuram não os produtores mas intermediários que compram e vendem, como qualquer casa de comércio.

         Os nossos rios e ribeiros, de que o Arda é o exemplo mais visível, abandonados pelo homem, servem, com frequência, de lixeiras e esgotos. Não fora ter-se impedido a construção de mini-hídricas no Paiva e no Paivó que, como o Ardena, estariam hoje transformados em charcos moribundos.

         Das praias fluviais já pouca há a dizer. Em Meitriz, Paradinha, Areinho… o desleixo e a falta de manutenção são visíveis na degradação de espaços e edifícios. Nem a recolha do lixo se faz com a regularidade que se impunha.

         No planalto da Freita, semeado de vira ventos, os parques de lazer não resistem às investidas dos turistas de fim-de-semana.

         Em Regoufe e Rio de Frades, das memórias do volfrâmio, restam as paredes esqueléticas, de braços erguidos aos céus.

         Nas antigas casas florestais, de que a Granja é o exemplo acabado, um manto verde, atapetado, alastra pelo que resta das paredes ainda caiadas de branco. Sem portas nem janelas, por onde assobia, gélido, o temporal, já debaixo das telhas, nas traves velhas de carvalho, fazem ninho os andorinhões.

         O Geoparque é, na prática, desolador. Conferências, seminários, muita sinalética e folheto informativo… Foguetório! Salvam-se as trilobites de Canelas. Graças à persistência do Manuel Valério.

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         Ainda há quem teça loas ao chiqueiro em que transformaram a Praça Brandão de Vasconcelos. Já o disse nestas páginas que um povo sem memória, é um povo sem rumo e sem futuro. Ora, o que ali se fez, foi delapidar, gratuitamente, um bom pedaço do passado colectivo e da identidade desta terra.  Ressalvadas as devidas distâncias, imagine-se o que seria um qualquer pandilha poder dar-se ao disparate de transformar, em praças de toiros, o Rossio ou o Terreiro do Paço, espaços ilustres carregados de memórias.

         Ainda há-de ocupar a cadeira dos paços do concelho uma Câmara com mais assento, que mande arrasar o buraco e colocar o chafariz no seu devido lugar.

         Ainda hei-de assistir a tudo isso.

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         Constituiu-se em Arouca mais um mega agrupamento. É, em meu entender, um erro do tamanho do mesmo. Foram tidas em conta, por exemplo, as questões pedagógicas que é o que, verdadeiramente, interessa na Educação? A exemplo de outros países que experimentaram a mesma receita, com os resultados que estão à vista, mais cedo ou mais tarde, haveremos de percorrer o caminho inverso. Porque o que  está por detrás deste processo, são questões economicistas. Tudo o mais é acessório.

Sem as regras do acordo

AOB

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