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Nesta altura do ano a esmagadora maioria dos portugueses não só tem que fazer face a situações em tantos casos aflitivas como ainda tem que aturar as “mensagens de Natal” de Cavaco e do governo.

E se do lado de Cavaco não houve lata para mais do que exprimir o equívoco desejo de “um 2013 tão bom quanto for possível”, da parte de Passos Coelho a mensagem justifica mais algum comentário. Começando pelo extraordinário lapso de a criatura se ter referido sistematicamente ao próximo ano como 2012. No rumo retrógrado em que se encontra empenhado e que as troikas comandam o futuro está sempre atrás, em marcha forçada até ao 24 de Abril.

Depois, pela tosca hipocrisia com que falou em “estruturas e instituições que não permitem aos portugueses realizar o seu potencial”; “em “democratização da economia”; em reformas “de baixo para cima”; em “cada português construir o seu futuro”. Tosca demagogia, mas também espessa incultura, que certamente desconhece António Aleixo: “Vós que lá do alto império/ proclamais um mundo novo/ calai-vos que pode o povo/ querer um mundo novo a sério”. Porque quando o povo português quiser, tomará efectivamente o futuro nas próprias mãos, democratizará a economia, construirá a sociedade que permitirá, a todos e a cada um, realizar verdadeiramente todo o seu potencial.

E tal futuro exige derrotar esta política. O 2012 português real até as estatísticas do Eurostat o retratam: é o de uma das mais altas taxas de desemprego da UE27, o de uma das mais altas percentagens da população em risco de pobreza, o de uma das maiores quebras dos custos unitários de trabalho em 2012, quando já era um dos países de mais baixos salários da UE.

Há provérbios que não servem para todas as circunstâncias. Um deles é o que diz “atrás de mim virá quem bom de mim fará”. No rotativismo PS/PSD é o proverbio favorito do que não esteja no poder. Mas se, em sucessivos governos da política de direita, cada um parece pior do que o anterior, isso não torna melhores os antecedentes. Porque cada um, de Soares a Coelho foi, em cada momento concreto, o pior que as condições existentes permitiam.

E não haverá saída enquanto uma tal cadeia não for efectivamente rompida.

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2039, 27.12.2012