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O Partido Socialista insiste numa táctica política que contribui para arruinar o país e é preciso desmascará-la o quanto antes. Não me afecta a ilusão de que o PS pode pender para um posicionamento de esquerda voluntariamente, mesmo tendo em conta eventuais alterações da correlação de forças institucionais entre socialistas e comunistas.

É preciso denunciar o comportamento do PS, não com o objectivo de atacar um adversário partidário e muito menos com o objectivo de hostilizar aqueles que, por um motivo ou outro, se deixam embevecer pelo discurso dócil de um socialismo que nunca teve intenção de existir. 
É preciso alertar todos os que, por simpatia partidária ou militância empenhada, se dedicam a destilar o veneno anti-comunista que o patronato injecta directamente para dentro da direcção do PS.

Esse partido de reagrupamento de fascistas, de anti-democratas e de capatazes, de homens-de-mão do capital financeiro e dos monopólios que detinham a hegemonia política e económica antes de Abril conseguiu com todos os apoios (os explícitos e os escondidos e obscuros) cobrir-se com um manto de democraticidade e aglutinar democratas, inebriá-los usando o preconceito anti-comunista, mas cavalgando as conquistas de Abril que intimamente sempre quis destruir.

O Partido Socialista governou anos e anos com a direita, incluindo em alianças concretas com PSD e CDS, e nos últimos anos, com Sócrates, governou em alianças parlamentares com PSD e CDS. Aprovou legislação lesiva dos interesses dos trabalhadores, endividou o país e os portugueses, contribuiu para as privatizações e sua aceleração, degradou a escola pública e empresarializou a sua gestão, encerrou milhares de escolas e centenas de serviços de saúde, preparou uma reforma administrativa do território que se traduziu na extinção de centenas de freguesias e na eliminação de uma democracia de base nascida com Abril, partilhou com a direita a liquidação de direitos sociais e cerceou activamente liberdades políticas e sindicais, cortou salários e pensões, chamou por seu próprio punho o FMI e redigiu por seu próprio punho o Memorando de Políticas Económicas e Financeiras que viria a dar origem ao chamado Memorando de Entendimento que foi assinado por PS, PSD e CDS.



Todavia, a táctica do PS persiste em vitimizar-se ante os comunistas que, juntamente com o BE, o teriam impedido de governar, numa aliança espúria com a direita. Ao mesmo tempo, o PS continua a difundir a cantilena de que o PCP dedica mais forças ao combate contra o PS do que contra a direita, enquanto supostamente o PS faz o inverso. Então vejamos:

O PS governou com a direita, com a direita concertou praticamente todas as leis, orçamentos e Pactos de Estabilidade, com a direita preparou o pacto de agressão e com a direita o assinou. As “mãos que dão de comer” ao PSD são as mesmas que alimentam o PS e o CDS e isso traduz-se num bailarico de equívocos e numa dança das cadeiras em que quem fica sempre de fora é o povo trabalhador. Na altura em que precisou da direita parlamentar para aprovar um novo PEC (na altura o PEC4), o capital compreendeu que não havia mais espaço para que aquele governo e aqueles governantes impusessem as medidas ansiadas e reorientou as agulhas, apostando noutros cavalos. Paulo Portas, mantido sempre como reserva demagógica de cariz neo-fascista, foi chamado juntamente com o homem de plástico Passos Coelho que ocupara entretanto a liderança do PPD/PSD.

O PS, tendo aí uma óptima oportunidade para atacar politicamente a direita que lhe retira o tapete, prefere acusar a esquerda. Ou seja, retribui os favores que PSD e CDS lhe fizeram até aí. Ou seja, numa altura preferencial para demonstrar que de facto combate a direita, o PS vira-se para o PCP e acusa o PCP de favorecer a direita.

Estrondosa habilidade na mentira e dissimulação, mas que é tempo de desmascarar.

No seguimento, o homem de plástico José Sócrates retira-se do Governo, consciente de que cumprira o seu papel até ao limite das possibilidades, dado o apoio popular que se esboroava. Vai embora com a gratidão dos que o prepararam e ampararam desde os seus tempos de JSD até ser primeiro-ministro pelo PS.

Vai embora porque ficar no parlamento como vencido nas eleições é coisa de patriotas, que o verdadeiro oportunista vira as costas ao país e ao colectivo nas tempestades esperando à sombra futuras bonanças – que hão-de estar já a ser preparadas por algum titereiro, que se encarrega de preparar o branqueamento da sinistra figura e a exoneração de todas as responsabilidades, como já tem feito com tantos outros, entre os que se conta o actual Presidente da República, Primeiro-Ministro do fascismo em democracia e agora Presidente de uma República ferida de morte pela ditadura financeira.

Prossegue a estória e Sócrates, na retirada, culpa os comunistas pela derrota que o próprio povo lhe confere retumbante nas urnas, assustado pela tamanha ganância dos banqueiros amigos do Governo e iludido pelas mentiras do títere de recurso.

E eis que, chegados ao fim de quase dois anos de sequestro, em que Sócrates e o PS foram os facilitadores do crime, o país destroçado parece vencido, mas não está. Mas o que faz perante o descalabro o PS? Ataca a direita? Assume alternativas de esquerda e a ruptura com o pacto de agressão? Assume a rejeição da austeridade e a afirmação da soberania?

Não, continua a vitimizar-se acantonado num discurso delirante, caminhando sempre sobre o fio da navalha, como quem minimiza danos por toda a porcaria que sabe ter feito e que, por isso mesmo, agora vale mais estar caladinho.
Continua a responsabilizar os comunistas pela situação do país. Aqui é particularmente ofensiva a táctica desse partido: neste momento de pleno ataque, de sofrimento de milhões de portugueses, de esbulho e saque, o PS prefere continuar a afirmar a cada vez que pode que a culpa de tudo isto é do PCP e deixa passar a direita marchando impávida enquanto manobra aquela organização patronal que dá pelo nome de UGT para ir amparando todo o descalabro que o Governo PSD e CDS vai impondo.

Ao mesmo tempo que esperneia indignado perante a intransigência dos comunistas, abtém-se nas moções de censura e suporta o Governo. A diluição desse apoio parlamentar ao Governo e as implicações que tem na luta de massas poderiam catalisar o inevitável: a queda do governo. Mas o PS prefere manter-se fiel aos seus princípios, e aos grupos económicos que de vez em quando ainda o elevam ao poder.

Esperemos que os portugueses enganados pelo PS, os socialistas, os democratas, os sindicalizados até aqui iludidos, saibam também ser fiéis aos seus princípios e, de vez, compreender que não são os mesmos que o seu PS prossegue.

in “kontra korrente” A 16 de Janeiro de 2013

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