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manif_jan_2013 011

Vindos de todos os pontos do país, de norte a sul, uma vez mais, cerca de 40.000 professores de todos os graus de ensino, encheram, no passado dia vinte e seis, Sábado, a avenida da Liberdade, em Lisboa.

Esta não foi a maior manifestação até hoje organizada. Outras, de maior dimensão a antecederam, sempre que estiveram em causa os direitos dos professores e, acima de tudo, a defesa de uma Escola Pública de qualidade, que ofereça a todos, sem distinção, a igualdade de oportunidades.

Mas nunca, como hoje, há razões para uma profunda mobilização dos professores e da sociedade em torno dessas mesmas causas. Sobretudo quando existe um governo que elegeu os professores como inimigos e a Escola Pública como um alvo a abater.

Com uma máquina de propaganda bem orquestrada, a que não faltam os fazedores de opinião de serviço, com todo o tempo de antena nos principais meios de comunicação, vai-se denegrindo a imagem da Escola Pública e dos professores: ganham muito, trabalham pouco, ensinam mal, gozam de imensos privilégios e regalias, são uns incompetentes… Portanto atalhe-se.

E para legitimar os cortes brutais que se preparam nas funções sociais do estado e, em especial, na Educação, encomendam-se uns estudos, cujos resultados são previamente combinados, a entidades sempre muito isentas e independentes como o FMI.

Mas, como quem paga ao tocador é que escolhe a música, manipulando os dados do PISA, os relatórios da OCDE e do Tribunal de Contas, e, apesar de lambida a cria pelo governo, a obra não poderia deixar de sair geneticamente deformada, o que levou, desde logo, o CDS a sacudir a água do capote e o PSD apadrinhar , envergonhadamente, a criatura. A que se seguiu o “amplo debate nacional”, prometido pelo primeiro-ministro para repensar o Estado Social, que reuniu, à porta fechada, uma meia dúzia de eminências pardas, que ninguém ficou a saber quem foram nem a que conclusões chegaram. Embora estas sejam fáceis de adivinhar, dada a identidade do promotor.

Mas há que cortar quatro mil milhões na Saúde, na Segurança Social e na Educação, porque isto é um luxo e o estado não pode esbanjar dinheiro em luxos! E assim, no que à Educação diz respeito, reduzem-se salários, aumenta-se o tempo de trabalho, cresce o número de alunos por turma e despedem-se uns milhares de professores, até se atingirem os mil milhões previstos, até as contas baterem certas. Os mesmos mil milhões com que, há dias, com dinheiros públicos, isto é, dos contribuintes, o governo presenteou o BANIF, como recompensa pelas vigarices e tropelias que fizeram e continuarão a fazer. E novas e mais avultadas remessas se preparam para saciar os apetites, nunca fartos, dos banqueiros…

Nunca nenhum governo, após o 25 de Abril, recorreu, como este, à mentira mais hipócrita e descarada para enganar os portugueses. E, diga-se em boa verdade, que o tem conseguido em toda a linha. Muitos e muitos se deixaram argolar nas laudes duma corja bisonha, duns doutores da mula ruça, de que um tal Relvas é o exemplo acabado.

Nunca nenhum governo, após o 25 de Abril, esteve tão enfeudado aos grandes interesses económicos e financeiros, sacrificando os trabalhadores para satisfazer juros agiotas e rendas obscenas de parcerias público-privadas, de banqueiros e de grandes interesses instalados.

Nunca nenhum governo, após o 25 de Abril, sacrificou tanto as pequenas e médias empresas que fecham portas às centenas, empurrando para o desemprego milhares de trabalhadores, ao mesmo tempo que beneficia os grupos de interesses que continuam a parasitar o Estado e a riqueza que o país produz.

É pois tempo de o país acordar e de repudiar aquilo que nos querem vender como uma inevitabilidade. E, no que toca à Educação, é urgente que os professores se mobilizem na defesa dos seus direitos e, sobretudo, duma Escola Pública de qualidade que a todos as crianças e jovens consagre, sem distinção, a plena igualdade de oportunidades.

 Ao contrário da Escola das elites privilegiadas, que este governo, descaradamente, apoia e defende.

 

(Sem as regras do Acordo)

António Óscar Brandão 

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