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franciscoEntrevista ao jornal Roda Viva de Francisco Gonçalves, responsável pela concelhia do PCP de Arouca, realizada em Fevereiro de 2013.

1.    A CDU já tem candidato à CMA?

Não. No próximo dia 23 de Fevereiro a organização concelhia de Arouca do PCP vai realizar a sua 3ª Assembleia de Organização, onde definirá o plano de acção para os próximos anos. Seguidamente será criada uma comissão, já no âmbito da CDU, que vai construir a candidatura autárquica.   

2. Qual será o seu perfil?

Será definido no processo de construção da candidatura.

3. E para os outros órgãos autárquicos (AM e JF)?

Neste momento, podemos dizer que vamos apresentar candidatura à câmara municipal, à assembleia municipal e ao maior número possível de assembleias de freguesia.

4. Que actividades foram desenvolvidas pela CDU em Arouca durante o ano 2012? E para 2013?

Participámos, enquanto munícipes, nas assembleias municipais de Abril, Setembro e Dezembro onde trouxemos à liça questões da Educação, da Saúde, da Acção Social, do Emprego, do Ambiente. Tanto nas Assembleias Municipais como nos comunicados do PCP temos sublinhado a desgraça que é para o nosso povo a política de austeridade.

As pessoas têm dificuldades, o rendimento foi esmagado, o mercado interno contraiu, as empresas fecharam, o desemprego alastrou. Sinto-o na minha escola, nos alunos, vejo-o nas ruas da Vila, lojas a fechar, prestamistas a abrir. Sinais de crise, crise profunda. Contra a crise participámos em diversas iniciativas de massas, do PCP e da CGTP, de âmbito regional e de âmbito nacional.

Participámos ainda no debate sobre a intervenção na Praça Brandão de Vasconcelos, comemorámos a Revolução de Abril, onde participou Ilda Figueiredo, patrocinámos a vinda do deputado ao Parlamento Europeu ,João Ferreira, à Escola Secundária de Arouca e participámos na preparação do XIX Congresso do PCP.

Em 2013, comemoraremos a Revolução de Abril, lançaremos o 2º Caderno temático do PCP, cujo tema será “Ambiente e Desenvolvimento”, participaremos na IX Assembleia da Organização Regional de Aveiro do PCP. No âmbito da CGTP, participaremos também na Luta de Massas, a próxima já no dia 16 de Fevereiro, em Aveiro. E, claro, na CDU,  as Eleições Autárquicas.


5. Como está a militância da CDU (nº de  militantes…)?

A CDU é uma coligação eleitoral de comunistas, ecologistas, do movimento intervenção democrática e independentes, não tem propriamente militantes organizados. Em Arouca, apenas tem organização o PCP, que conta com cerca de duas dezenas e meia de militantes.

 
6. Que razões explicam as votações residuais da CDU em Arouca ao longo dos vários actos eleitorais? Como pensa inverter essa tendência?

Não diria que as votações na CDU, antes na APU, têm sido residuais. Em termos de eleições autárquicas tivemos votações, para a Câmara e para Assembleia Municipal, na casa dos 6% nos anos 70 e 80 e voltámos a ter em 2005. Entre 1989 e 2001 tivemos  várias eleições sucessivas com votações  baixas, coincidente com a quebra da CDU a nível nacional.

Não podemos esquecer que estamos num concelho cujo voto tem sido de direita e conservador. Se olharmos para o histórico de todas as eleições realizadas constatamos que o candidato presidencial apoiado ou aceite pelo PSD ganhou sempre em Arouca, que o PS nunca foi o partido mais votado nas legislativas e que só  chegou à presidência  da câmara  em momentos de indefinição ou divisão no PSD.

Contudo, estamos convictos que, com tempo e com trabalho regular e permanente, poderemos repetir 2005. A alternativa política (e uma política alternativa) nunca sairá do rotativismo PS/PSD, com ou sem CDS. Daí só vem alternância.    

7. A sua participação como munícipe nas sessões da AM são um imperativo de consciência?

Não só mas também. Foi uma promessa feita. Parece-nos uma forma de valorizar a democracia, a política e o trabalho da Assembleia Municipal. Se os munícipes participassem mais, o escrutínio popular seria mais rigoroso e “os políticos” teriam que governar melhor.

Mas mais do que isso serviu para chamar a atenção para alguns problemas que hoje atormentam as pessoas e as famílias e que têm andado esquecidos na Assembleia Municipal. Refiro-me por exemplo às ameaças sobre o Serviço de Urgência Básico de Arouca, ou ao auxílio às famílias através da mudança da política de transportes e refeições escolares, ou ao desemprego, etc..


8. Que balanço faz do mandato de Artur Neves?

Podemos apontar quatro marcas deste mandato.

A primeira é a da utilização do projecto Arouca Geoparque como camuflagem para a inacção da autarquia no que se refere ao ambiente e à valorização do património natural, histórico e cultural. A plêiade de “iniciativas geoparqueanas” é utilizada e propagandeada  pela câmara municipal ad nauseam, como se as campanhas promocionais por si só desenvolvessem estas áreas. A autarquia tem-se remetido, pese uma ou outra obra, ao papel de mero observador. Mais, sendo o “principal accionista” do Geoparque, não tem sido sequer capaz de responder a perguntas simples: como evoluiu o volume de negócios nas áreas da restauração, do turismo do artesanato desde 2007? Qual é o perfil do nosso visitante e do nosso turista? O que procura?    

A segunda é, apesar de na teoria se afirmar favorável à política de defesa dos serviços de proximidade, a prática revelou uma resignação aos desígnios do poder central. Dois exemplos: a rede escolar e a chamada reforma administrativa. De uma carta educativa com 16 pólos escolares, em catorze freguesias, e 3 unidades de gestão passámos, e o processo ainda não está terminado, para 2 unidades de gestão (um mega-agrupamento) e 13 escolas em 12 freguesias. Na chamada reorganização administrativa de uma proclamação “não fui eleito para extinguir freguesias” a uma proposta para a extinção de 15, abrindo assim a porta ao golpe espectacular do CDS  e à eliminação de quatro freguesias. Não pode a autarquia afirmar que foram os políticos de Lisboa que encerraram serviços, foram os políticos locais que o fizeram e/ou que o permitiram.

A terceira é a de, apesar do município de Arouca estar numa posição confortável ao nível do endividamento – o estudo da OTOC de 2010  evidencia isso mesmo – a política  económica  da autarquia, tanto ao nível da dívida como do investimento, não é imaculada e insusceptível de crítica. Desde logo no conceito estratégico do investimento, este não é feito em função das necessidades do concelho, mas em função da possibilidade de captação de fundos estruturais. Daqui resultam obras não prioritárias, sobredimensionadas ou mesmo desperdício de dinheiros, como é o caso  dos projectados passadiços nas escarpas do Paiva, da escala e sumptuosidade de alguns edifícios escolares e da Praça Brandão de Vasconcelos.

Por último, uma nota sobre o estilo, em particular a pesporrência  na palavra e a queda para o  bombástico. Foram vários os episódios: as Quintas Sociais, o empréstimo da Câmara ao Estado para  a Variante, o acampamento em Lisboa, etc.. De uma o Engenheiro Neves emendou, já reconhece que, afinal, não pode garantir a Variante. É um começo, assentou os pés na realidade.  

 
9. E da oposição?

Qualifico o trabalho da oposição parlamentar como tíbio e pusilânime.

O PSD é um caso estranho. Tem o histórico de partido mais votado em Arouca, tem a organização partidária mais numerosa, dirigiu a autarquia até 1993 e deve ter, presume-se, ambições autárquicas. Até este momento não tem apresentado, clara e a viva voz, uma alternativa ao estilo e à governação de Artur Neves. Ou está à espera de 2017 ou, então, não tem alternativa política de facto.

O CDS está centrado em personalidades. Primeiro, para ter os votos que teve, em Paulo Portas. Era o ás de trunfo. Entretanto, o trunfo perdeu-se, até 2011 nos corredores de S. Bento, agora, em negócios estrangeiros. Perdido o ás, ou não encontrado, fica uma intervenção muito centrada nos fogachos do seu líder parlamentar e em movimentações tácticas surpresa.

A UPA pelo que se tem visto na sua intervenção parlamentar e pelo que tem dito o seu mentor mais do que alternativa à gestão Artur Neves configura-se como um complemento.

9. O que teria ganho a vereação da CMA com a sua eleição em 2009?

A eleição de um vereador da CDU teria permitido apresentar propostas alternativas em torno de matérias como a descentralização de competências para as freguesias, a gestão participada na política cultural e desportiva com o movimento associativo concelhio e o ordenamento das áreas naturais do concelho. O mesmo se pode dizer da política económica, da carta educativa, da reorganização administrativa, do controle político da missão do geoparque, etc..

Sem eleitos pode-se chamar a atenção para alguns assuntos, com eleitos na assembleia municipal podem ser apresentadas algumas propostas e fiscalizar a actividade municipal, com eleitos na vereação pode-se ir mais longe na concretização das ideias que temos e na fiscalização da actividade do executivo.  

 

Arouca, 14 de Fevereiro de 2013

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