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O Prédio

franciscoPercorre as conversas e o espaço público locais a polémica em torno da volumetria do edifício em construção no centro da Vila, ali junto à Academia de Música. Não ponho em causa a arquitectura – a obra não está concluída e não é bom misturar estética e política-, nem a legitimidade do dono da obra – submeteu a quem de direito o seu projecto  -, mas sim a  (in)coerência urbanística. Estando para a Vila previsto um grande perímetro urbano (exagerado até – Vila até ao Arieiro é Vila a mais), isto é, optou-se por um crescimento urbano horizontal e não vertical. Se o dito edifício  “tem um piso a mais, para além do expectável para a zona”, como diz o presidente da câmara, algo de errado se passou. Apurem-se razões e responsabilidades!

Os passadiços

Foi noticiada a adjudicação, por 1.854.583,70 euros, da construção dos passadiços no Paiva. A preservação e a valorização do património natural de Arouca é hoje uma frase feita, “geoparquenamente” cantada aos quatro ventos. Mas neste caso “não bate a bota com a perdigota”. Os espaços humanos valorizam-se criando condições para os humanos, os espaços naturais (sem interacção humana) valorizam-se não levando para lá humanos. Criar as infraestruturas necessárias à prática das atividades desportivas existentes no Paiva é valorizar o espaço e está muito bem. Cravar um passadiço na escarpa e prolongá-lo por vários quilómetros numa zona natural não frequentada por humanos não é valorizar, é destruir. É um disparate e caro!

Chávez

Morreu Hugo Chávez. Assunto primeiro da comunicação social. Choveram reportagens, análises, crónicas sobre o homem e o regime. Um denominador comum nos escribas, politólogos e sumidades várias da praça pública – a caricatura do político e da política.

Lidas, vistas e ouvidas as caricaturas, de neoliberais e direitistas (mas também de gente das esquerdas), não são as críticas que possa ter ao processo bolivariano que me fazem esquecer de que lado estou. Na Venezuela sou Bolivariano. Até sempre Comandante!

Que neoliberais e direitistas não se revejam na nacionalização das GALP, EDP, Banca e demais monopólios lá do sítio eu percebo, até porque nesta matéria, em particular os neoliberais, nacionalizações só  dos prejuízos (BPN). Tal como percebo, nestes, a ideia de que os programas sociais públicos para os pobres são desbaratar recursos (petrodólares).

Agora que as esquerdas vão nesta ladainha ignorando os avanços notáveis conseguidos em indicadores sociais (educação, saúde e protecção social) e o resgate da soberania perdida dos recursos naturais da Venezuela, não. Pior fico quando emerge a treta do ditador. Um político que sobreviveu a sucessivas eleições, referendos, a um golpe de estado, sempre com apoio popular maciço – o seu governo foi vivido, desde o início, numa espécie de período eleitoral permanente -, tem ou não tem legitimidade popular e democrática?

A fechar uma pergunta (às esquerdas e a alguns patriotas de direita): no dia em que o povo português afronte os grandes interesses monopolistas e os gringos de Berlim, em nome do interesse nacional, como é que eles e os seus homens de mão (políticos e escribas) vão reagir? 

in Discurso Directo a 15 de Março

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