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Os ataques da aviação israelita do final da passada semana e de domingo contra a Síria são um acto de guerra e mais um elemento explosivo na situação do Médio Oriente. Merecem a mais viva condenação por aqueles que defendem o direito internacional, a soberania e a integridade territorial das nações e lutam pela paz. Perpetrados nos arredores de Damasco contra vários alvos militares, e com relatos que apontam para a possibilidade de uso de armas de urânio empobrecido, estes ataques não são as únicas acções provocatórias, ilegais e criminosas do regime sionista. Além de um similar ataque realizado em Janeiro deste ano, nas ultimas semanas têm-se repetido ataques contra a Palestina, violações do espaço aéreo Libanês e Sírio, incursões e provocações militares no Sul do Líbano e ameaças contra o Irão. Poderíamos então dizer que estes ataques são mais um elemento de uma campanha permanente de provocação de Israel contra os seus vizinhos. São. Mas são mais que isso. O quadro em que se realizaram e a sua envolvente militar e política, colocam-nos num outro patamar da estratégia imperialista de agressão e possível «balcanização» da Síria. 

Em primeiro lugar porque se realizam num momento em que os «rebeldes» sofriam revezes militares em virtude dos avanços das Forças Armadas Sírias no estratégico «corredor» de Homs, um dos principais canais de fornecimento pela NATO e pelo Conselho de Cooperação do Golfo de armas, bombas, dinheiro e tecnologia ao chamado «Free Syrian Army» (FSA). Ou seja Israel surge em cena como «apoio aéreo» aos bandos armados e terroristas. Em segundo lugar porque estes ataques não são uma decisão isolada de Israel. São conhecidos os planos de Washington de imposição por via de ataques militares levados a cabo por aliados na região (leia-se Israel) de uma «No fly Zone», ao mesmo tempo que se prepara a intervenção militar directa. O facto de os ataques israelitas terem sido precedidos de ataques terroristas do FSA visando o sistema de radar sírio nos arredores de Damasco; de terem sido os EUA a «anunciar» na prática os ataques, vendendo a patranha da necessidade de impedir transferências de armas para o Hezbolah; ou ainda o facto de o Secretário Geral da ONU se recusar a condenar os ataques israelitas, apontam para a validade da tese de que eles são parte da estratégia acima descrita, fechando-se assim o triângulo NATO; Conselho de Cooperação do Golfo e Israel. 

A campanha política internacional em curso sobre as «armas químicas» (a tal «linha vermelha» de Obama) concorre para esta possibilidade. O facto de se ter vendido a mentira de que um dos bombardeamentos visava arsenal químico (facto desmentido pela realidade) e o facto de os «rebeldes» terem usado Gás Sarin (confirmado pela «insuspeita» Carla Del Ponte) na tentativa de «dar cobertura no terreno» às mentiras emanadas de Washington de que quem as usaria era o governo sírio, dão consistência à tese de podermos estar perante a preparação de um ataque em larga escala contra a Síria. As reacções imediatas da China, da Rússia, da Argélia, bem como da Liga Árabe e do Egipto, e os termos em que são feitas, confirmam a gravidade da situação. Entretanto na terça-feira os EUA iniciaram novos «jogos de guerra» no Golfo Pérsico envolvendo 40 países, 38 navios de guerra e dezenas de submarinos e aviões não tripulados. O Irão prepara-se para reagir. A situação é de facto explosiva e os ventos são de guerra. Exigem mobilização pela paz e contra a estratégia criminosa do imperialismo.

in Avante a 9 de Maio

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