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A poderosa manifestação de sábado em Belém, exigindo a Cavaco Silva a demissão do governo, constitui um momento particular da luta de massas contra as imposições da troika estrangeira – FMI/BCE/UE – e contra a miserável capitulação da troika nacional PSD/CDS/PS.

Como tantas vezes tem sucedido na história do nosso país, é o povo quem toma em mãos a defesa do interesse nacional enquanto a classe dominante encaminha o país para o desastre.
O que há de novo na situação actual é que, no plano político, o prosseguimento em funções de um governo politicamente ilegítimo e socialmente isolado, apostado numa guerra sem tréguas contra os direitos e a vida dos trabalhadores e do povo, já não constitui apenas o principal factor de aceleração da crise económica e social em que o país está afundado. Constitui um factor de degradação e descrédito das instituições, de intolerável confronto entre a acção do executivo e a Constituição, de abertura de uma frente de degradação do que resta do regime democrático à qual nenhum dos órgãos de soberania manifesta condições de dar resposta. A recusa de Cavaco Silva em cumprir o papel que a Constituição lhe atribui nestas circunstâncias é parte integrante deste perigoso processo.

O recente surgimento de declarações públicas que adjectivam Cavaco Silva de forma que se aproxima do insulto pessoal podem constituir desabafos compreensíveis, no quadro actual. Mas podem ter como resultado o desviar da atenção em relação à mais urgente prioridade actual: a demissão do governo, a luta pela inversão do rumo de desastre que este – culminando quase quatro décadas de política de direita – vem impondo ao país. Que Cavaco Silva seja incapaz de demitir o actual governo não constitui surpresa. Quem derrubará o actual governo será a luta de massas. Nada deve desviar a luta de massas desse objectivo imediato e prioritário. Será igualmente a luta de massas que abrirá o caminho a uma outra política. E o inimigo principal a combater por um tal objectivo também não deve nunca ser perdido de vista: é o grande capital monopolista nacional e estrangeiro, cujo domínio condenou historicamente Portugal à opressão e ao atraso, e condena actualmente o país à pobreza, à dependência, a uma subalternidade quase colonial na divisão internacional do trabalho.

São esses a prioridade e o inimigo principal. A magnífica manifestação de 25 de Maio confirmou que a maré popular que os levará de vencida está em marcha.

Os Editores de odiario.info

 

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