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Nos últimos anos, para além das greves e das manifestações e concentrações sindicais, populares ou as ditas inorgânicas, as eleições “intercalares” (as europeias, as autárquicas, ou mesmo as presidenciais) têm sido também manifestações populares de protesto contra os governos, seja por via do voto nas forças opositoras ao poder do momento, seja por via do voto branco, nulo ou da abstenção.

Tudo leva a crer que agora, após as lutas sindicais e populares de resistência ao desmantelamento das funções sociais do Estado, o troikista processo a que chamam Reforma do Estado, e da balbúrdia institucional que as demissões dos Ministros de Estado provocaram, 29 de Setembro é a data da próxima grande luta, mais ainda se juntar às autárquicas as legislativas.   

O previsível crescimento das forças políticas da alternativa e da alternância, a CDU e o PS, e o afundamento do PSD têm levado o Partido Social Democrata a adoptar uma política de controle de danos. Aliás, é curiosa a comparação entre os dois principais partidos da alternância. Por exemplo com a data das eleições autárquicas, o PSD propondo a data mais afastada possível de 15 de Outubro,  data limite para entrega do Orçamento de Estado para 2014 na Assembleia da República e o PS a data mais encostada possível a esse momento, 13 de Outubro. Como quem decide é o governo, e tal como se previa, a escolha foi “lúcida e imparcial”, 29 de Setembro.

Mais curioso é o jogo de dissimulação dos candidatos autárquicos do PSD, afastando-se o mais possível da política do governo, afastamento este que depois a prática política não comprova, como se constata nos casos Berta Cabral e Castro Almeida, há uns meses tão críticos do governo e agora, afinal, seus membros. Talvez pretendam  mudar o governo por dentro.

Mas o exemplo mais paradigmático é mesmo o dos outdoors, ou não fosse a nossa época a era da publicidade. Um exemplo aqui de perto, Santa Maria da Feira, concelho populoso, com o PSD a ter que substituir Alfredo Henriques por limite de mandatos e o PS, espreitando a oportunidade,  lançando um conhecido empresário do concelho. A marcação entre ambos os partidos é taco a taco, a ver quem põe mais cartazes, a ver quem põe o maior cartaz. O PS com vermelho forte,  símbolo grande e  másculo punho operário em grande destaque, a força está no partido nacional. O PSD com um grande rosto, laranja ausente ou deslavado e símbolo pequenino, atirado discretamente para um canto, a força está no candidato local.

Em Arouca, apesar de, como em todo o lado, não ser possível ser contra a troika localmente e favorável a ela no plano nacional, esperamos que as características locais destas eleições possibilitem um debate em torno de projectos e ideias para o concelho, que não se fique pelos clichés habituais,  o blá, blá, blá sobre obras e eventos (tão querido ao poder de cá) e que  seja em função desse debate que cada eleitor, em dia de Feira das Colheitas, vá votar e  faça a sua opção.    

Arouca, Julho de 2013

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