franciscoNo horizonte, o fim do chamado Memorando da Troika, no imediato, um orçamento (OE) brutalmente regressivo, depois do desmesurado aumento de impostos de 2013, um OE 2014 com corte fundo na despesa – em salários e nas funções sociais do Estado –  e mais aumentos de impostos, mais 534 milhões de euros de receita fiscal.

Quando terminar o triénio do Memorando da Troika, perante uma dívida pública maior do que em Junho de 2011, um défice que afinal não diminuiu,  um nível de desemprego como nunca e a caminho do quarto ano consecutivo de quebra no PIB, uma questão se vai colocar – o Memorando cumpriu o papel de quem o desenhou?

A resposta é sim. O “Boletim Económico de Outono” do Banco de Portugal mostra uma quebra salarial (só no sector privado), em 2011 e 2012, na ordem dos 11%. Em 2013 e 2014 veremos, mas é de esperar a continuação do “ajustamento” salarial. A regressão salarial na periferia da União Europeia (UE) tem um duplo efeito, baixa o preço do trabalho na periferia e pressiona a sua manutenção no centro da UE. É este o objectivo dos programas de ajustamento. É bom para o Capital europeu, em especial para o financeiro, é mau para os trabalhadores do centro, é um desastre para os trabalhadores e os países da periferia, Portugal à cabeça. A contenção e diminuição do nível salarial começou antes do memorando de entendimento, a partir do PEC1, e vai continuar no pós-troika com o “Programa Cautelar”, a não ser que o Povo não deixe.

E o nosso horizonte, aqui nas faldas da Freita? É o do optimismo radioso que nos diz que, até 2017,  vamos garantir o saneamento básico no vale do Arda, a “municipalização” da Variante e a instalação maciça de empresas nas zonas industriais, em particular no “fundo” do concelho, através do próximo quadro comunitário de apoio, e a manutenção de todos os serviços públicos existentes.

E quem vai pagar, melhor dizendo quem se endivida para cobrir, a parte nacional dos investimentos dos fundos comunitários? Que garantias temos sobre a manutenção até 2017 das escolas do 1º CEB existentes, dos dois agrupamentos de escolas, do tribunal, dos serviços de saúde? A ameaça de encerramento da repartição de finanças é, a este título, premonitória.

Se grande verdade houve na tomada de posse dos órgãos autárquicos municipais foi a afirmação do Presidente da Câmara de que o grande constrangimento de Arouca, para este mandato autárquico, é a política do poder central. Do resto da cerimónia fica a gravidade qb, o discurso não muito feliz do novo Presidente da Assembleia e a impressão de que a autoridade da Mesa na condução dos trabalhos da Assembleia Municipal foi recuperada.

Iniciou-se a corrida eleitoral autárquica para 2017, em expectativa: lebres, traições, vagas de fundo,  figurões. Comporão folhetins, ocuparão  tempo, animarão conversas, encherão páginas de jornais. O complicado será a POLÍTICA. Terá Arouca o investimento que necessita? Manterão os Arouquenses os serviços públicos que precisam?

in jornal Discurso Directo de 25 de Outubro de 2013