Ex.mo Senhor

Primeiro-ministro de Portugal

pm@pm.gov.pt

Permita-me que o mace com dois factos que ensombram (a vida do meu agregado familiar) o dia dos funcionários públicos e dos portugueses em geral, atrever-me-ia a dizer que ensombrarão o mês de Janeiro e o ano de 2014.

I – O rendimento disponível do meu agregado familiar (pai e mãe professores do Estado e dois filhos em idade escolar) regrediu para valores do século anterior. Afirma o senhor e o seu governo: Estamos melhor, já se vê uma luz ao fundo do túnel. Não vejo como! E, sabendo os valores cabimentados no Orçamento de Estado e ouvindo a luminária que ocupa o cargo de Ministro da Educação e Ciência só posso esperar mais desemprego docente e degradação das condições de trabalho, também não vislumbro luz alguma no horizonte!

II – Segundo ouvi na comunicação social o défice de 2013, afinal, fica nos 4,6/4,7 pontos percentuais e os mil milhões de euros dos portugueses que o seu governo entregou ao BANIF não contam para o cálculo do défice. É caso para dizer que ainda bem que a científica economia não é política. Pena é que, hipoteticamente, não conte para o défice uma injecção de idêntico valor nos salários dos funcionários públicos. Mas isso seria, lá está, e contrariamente ao BANIF, infecção política da mui nobre e isenta economia. Permita-me que discorde, são questões de classe e o seu governo em vez de tomar partido pelos que sofrem com a crise optou pelo apoio aos que a provocaram.

Termino senhor primeiro-ministro, fazendo votos para que brevemente deixe de o ser. Não por nenhuma animosidade para com a sua pessoa, mas porque o senhor, entre cortes e impostos, está a desgraçar Portugal e os portugueses.

Com os melhores cumprimentos,

Aos 23 dias de Janeiro de 2014

Francisco Manuel da Cunha Gonçalves

professor do Agrupamento de Escolas de Arouca

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