É roda, acha-se viva, mas já morreu e, disso, só ela ainda não deu conta.

Ressuscita amiúde com meia dúzia de folhas que, sem ser couve, cheira a trampa.

Tem boca, onde entra mosca e sai asneira, umas vezes, grossa, outras, tonta.

Da Câmara, todos os anúncios tem e no orçamento desta, todos os anos, acampa.

 

É composto de letras e papel, sem ser imprensa, é loquaz pasquim de tinteiro.

À roda da prensa giram à sua volta, não caracteres, mas tão-só cabeças ocas.

À redacção chegam mexericos muitos, reportagens nenhumas, notícias poucas.

Na banda política local, sendo anti-comunista maestro, é simples trombeteiro.

 

 

Mensalmente, quais pontapés na gramática, é ver quem mais o Português aleija:

se doutos comentadores, em estilo enfático, calvo e nu;

ou outros gagos, néscios e parvos, que nem escrevinhadores de carqueja!

 

 

Para jornal ser, falta-lhe um u;

adivinhem agora que chasso seja,

e o sensível repórter que adivinhar meta-o no cu!

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Álvaro Couto, in Adivinhar Arouca, 2014

 

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