Etiquetas

,

A Coligação Democrática Unitária comemorou na passada sexta-feira, dia 25 de Abril, numa iniciativa que contou com mais de meia centena de pessoas, os 40 anos da Revolução dos Cravos. Sobre as comemorações nacionais e locais, em particular a realizada pela CDU na Casa do Povo de Arouca, tornamos público o seguinte:

1 – Este ano, de norte a sul do país, foi notório um crescimento, em diversidade e participação popular, da evocação do 25 de Abril e no que esse marco maior da nossa vida colectiva trouxe à pátria lusa. Em nosso entender tal crescimento deve-se a duas razões, uma simbólica e outra substantiva: o número redondo dos 40 anos e a identificação popular com os avanços civilizacionais trazidos pela revolução e a sua inversão pela política actual.

2 – Paralelamente a esta adesão popular, em muitos casos por isso mesmo, vimos o cravo em lapelas pouco dadas a tais ousadias e deparamo-nos com leituras reducionistas da história, procurando reduzir o 25 de Abril apenas ao levantamento militar. É uma tese antiga, este ano com maior projecção.

3 – Para a CDU o 25 de Abril não foi uma data, foi um processo, um processo que integra a luta antifascista de 48 anos ao regime “fascio” português (“branqueadamente” chamado de Estado Novo), o levantamento militar de 25 de Abril e o levantamento popular que se seguiu e que possibilitou a consagração das suas  conquistas na Constituição de 2 de Abril de 1976. As datas são os fragmentos visíveis de algo mais profundo, os processos, esses sim quem determina o curso da história da humanidade.

4 – São as conquistas de Abril – instauração do regime democrático, das liberdades democráticas fundamentais e dos direitos básicos dos cidadãos, nacionalizações, reforma agrária, controlo operário, melhoramento das condições de vida do povo, fim da guerra colonial e reconhecimento do direito à independência aos povos colonizados, libertação dos presos políticos, soberania popular, poder local democrático, fim do isolamento internacional e adopção de uma política de paz, cooperação e amizade com todos os povos do mundo, afirmação e soberania e independência nacionais – e, hoje, a sua corrosão pelas políticas dos sucessivos governos que dão, este ano, mais relevo às comemorações.

5 – A CDU-Arouca, que nos últimos anos tem sido única nas comemorações políticas do 25 de Abril aqui na nossa terra, não deixa de assinalar o facto de, em 2014, a Assembleia Municipal de Arouca ter decidido realizar comemorações oficiais. Aliás, já o tínhamos sugerido, no período de intervenção dos munícipes, em recente Assembleia Municipal. Os autarcas arouquenses estiveram à altura da data e do momento.

6 – Comemorar Abril em Arouca é também lembrar que foi graças à Revolução que aumentaram e se aproximaram das populações os serviços públicos e que desde o início do milénio, por decisões do poder central, se estão novamente a afastar, através do encerramento de valências e serviços (freguesias, escolas, finanças, tribunais…).

7 – Porém, alguns, por interesse ou distracção, usam e abusam de (novas) promessas de conclusão da Variante (de facto uma injustiça inaceitável) como se fosse por aí que se aproximassem os serviços dos cidadãos. Ainda por cima quando não há nenhuma garantia de investimento público (parcial). Serão os privados a complementar o investimento? Que retorno tira um privado de uma estrada como esta? Será mais uma PPP? Enfim, mais uma novela para entreter, para desviar atenções.

8 – Perante o perigo de uma nova vaga de encerramentos de serviços e a um mês de eleições para o parlamento europeu, a 25 de Maio, não será tempo de punir (verbo escolhido pelo CDS para castigar os “únicos” culpados, o PS-Sócrates) aqueles que, não só nos trouxeram até aqui como pretendem continuar com a mesma política?

9 – É a política da troika, da União Europeia, a política do governo PSD/CDS e as meias tintas do PS (sem esquecer a sua política quando foi governo) que decretou o encerramento de serviços, a redução dos rendimentos de quem vive do seu trabalho, da sua pensão ou do seu pequeno negócio e as benesses e rendas de quem vive dos privilégios da governação.

10 – Por isso votar CDU a 25 de Maio, é censurar a política do governo, da troika e da União Europeia, é contribuir para uma outra correlação de forças na União Europeia e, mais importante ainda, é criar condições para a queda deste governo e para a construção no futuro de um governo e uma política alternativa, pelos valores de Abril no futuro de Portugal.

 A Coordenadora Concelhia e Arouca

Anúncios