franciscoNa semana passada, a propósito de um estudo coordenado por David Justino, académico da Universidade Nova de Lisboa, ex-ministro da educação de Durão Barroso, conselheiro da Presidência da República para as áreas sociais e actual presidente do Conselho Nacional da Educação, uma nova e simplista abordagem do insucesso escolar foi ensaiada – chumbar alunos custa 250 milhões de euros por ano. Uma enormidade, portanto.
Convém não fazer confusão entre o estudo, “Atlas da Educação, contextos sociais e locais do sucesso e do insucesso, Portugal 1991/2012”, editado pela CESNOVA-EPIS e o que dele se disse e escreveu na comunicação social. O estudo vale a pena ou não fosse o coordenador quem é. Sendo verdade que quer o mesmo que Crato, tem, no entanto, outra categoria. Justino sabe o que diz, nem sempre dizendo tudo o que sabe. Ao invés, Crato diz o que sabe, sendo que, por vezes, não sabe o que diz.

Do atlas, sobre Arouca, deixo três dados curiosos, dois deles positivos, acerca da evolução do insucesso e abandono escolar entre 1991 e 2012:
– Arouca é o 24º concelho do país com mais baixa taxa de abandono escolar, entre os 10 e os 15 anos (2011), de uma taxa de 25,58 em 1991 passou para 0,82 em 2011;
– relativamente aos resultados dos exames do 9º ano de escolaridade Arouca é agrupada nos concelhos do “Cluster 5”, cujo elemento identificador é o sucesso escolar, resultados acima do estimado, taxas de retenção próximas da média e abandono escolar inferior ao esperado;
– já no que diz respeito às classificações dos exames do ensino secundário o concelho é agrupado no “Cluster 2”, onde o elemento identificador é o sucesso nos resultados escolares, mas com seletividade garantida por taxas de abandono escolar acima da média.

Nas recomendações, mais precisamente na última, o estudo salienta, daí o facto jornalístico, que 35% dos alunos do ensino básico e secundário reprovam pelo menos uma vez no percurso e isso custa os tais 250 milhões de euros por ano. A solução passa por sinalizar e prevenir o insucesso escolar mais cedo, preferencialmente nos 1º e 2º ciclos. À pergunta: com que recursos? David Justino responde: com os existentes, é possível fazer mais com o mesmo… não é atirar dinheiro para cima dos problemas que os resolve…

Duas observações finais:
I – a existência de um sistema de ensino sem reprovações (ou próximo disso) implicaria a sinalização e intervenção precoce sim senhor, preferencialmente no 1º ciclo, é verdade, mas também mais recursos, turmas mais pequenas, mais professores de apoio, mais psicólogos, assistentes sociais, um conceito de educação especial mais lato, etc..
II – Não sendo assim, para além do blá, blá politicamente correcto ou se reprova bastamente e “os repetentes” acumulam-se, juntamente com os problemas daí decorrentes, ou então retiram-se os alunos do ensino regular e canalizam-se para ofertas profissionalizantes (cursos vocacionais, de educação e formação e profissionais), ficando assim a salvo do exame e de uma eventual reprovação. Assim tem sido feito. A estatística agradece (obriga).