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Sou candidata independente nas listas da CDU. E começo por sublinhar que sou candidata independente porque isso não é um pormenor. Aceitei o convite para integrar a lista, porque preciso, como cidadã e eleitora, de reforçar a voz que me representa. E porque me fez sentido dar um contributo mais, para além do voto.E a CDU é a voz que me representa por diversas razões. É relativamente fácil olhar para o nosso passado recente e perceber qual foi a força política que sempre fez o contrabalanço de uma onda de contágio quase épico sobre o estarmos “na Europa”.

Primeiro que tudo, a falácia inicial que é confundir, primeiro a CEE e depois a UE, com “a Europa”, como se este fosse o único processo de integração possível, como se isto fosse um verdadeiro processo de integração. Que não é.Depois toda a razia que foi a destruição do nosso aparelho produtivo, e que não parou até hoje. Ainda hoje continuamos a abater frota pesqueira, porque “não se esgota o sangue da manada”. E ao fim de quarenta anos de democracia, ouvimos hoje vozes velhas de outros tempos a afirmar que somos pobres e não há milagres. Pobre. Um país como Portugal, com os recursos que tem e a ZEE que tem. Era o que se dizia antes da revolução. Já antes da revolução era mentira. E hoje continua a ser mentira. Temos tido pobres governos, pobres de espírito e de sentido de serviço, mas nós não somos pobres. Mas sem dúvida, somos mais fáceis de controlar – e de enganar – se disso estivermos convencidos.

E por último, porque hoje, qual entristecido nostradamus, se vêem concretizadas as previsões da CDU, ponto por ponto: quanto à falsa convergência; quanto aos resultados da entrada a martelo na moeda única; quanto à perda de soberania; quanto à transferência do poder de decisão para instituições supranacionais não-democráticas, sem qualquer tipo de escrutínio, subordinadas à vontade do jogo financeiro, do lucro e da acumulação de riqueza, completamente separadas e desinteressadas daquilo que constitui os países, daquilo que constitui a Europa que a partir deles quisermos construir: as pessoas. Se não for para as pessoas, a Europa não serve para nada.

Este olhar para trás e dizer “a CDU teve razão” não é um consolo, nem para a CDU nem para mim. Mas é um farol que me diz que há uma linha de análise consequente. E assente na realidade. E que é isso que nos pode devolver o pé no presente e no futuro e ajudar na desconstrução dos mitos que nos foram inoculados pelo “sonho europeu” – e que hoje é demasiado tentador descrever como pesadelo.

Deparamo-nos hoje com um sugadouro em mîse-en-abîme, espelhos dentro de espelhos dentro de espelhos. Os países do centro sugam a periferia. E na periferia, onde se repete que não há dinheiro, privatiza-se serviços públicos a eito, numa espécie de embriaguez contra tudo o que é devido às populações; destrói-se o tecido laboral tornando regra a precariedade, a insegurança (já não há flexi-segurança que se encaixe aqui), o medo diário de perder trabalho, casa, sustento; destrói-se o Estado Social, a Saúde, a Educação e a Cultura, porque “não há dinheiro”; mas simultaneamente injecta-se milhões diariamente, os tais milhões que se diz não existirem, em buracos bancários, em esquemas, em ordenados milionários e bónus para administradores-agora-privados de serviços básicos que deviam manter-se públicos e a que os cidadãos têm cada vez mais dificuldade em aceder. Nunca foi fácil aquecer uma casa no inverno em Portugal. Hoje tornou-se um luxo. Isto não é convergência. É desigualdade. É investimento no empobrecimento.

Mas embarca-se em números de circo com os dados do desemprego, fingindo que esta aparente descida vem do tão falado “crescimento”. Há menos 20 mil desempregados, mas há menos 42 mil pessoas empregadas. Não falemos das pessoas que estão desempregadas mas em acções de formação que duram três semanas e em que deixam de contar para os números. Das pessoas que estão desempregadas mas que entretanto foram prestar serviços a troco de subsídio de alimentação e deixam de contar para os números. Dos desempregados de longa duração, que perderam o direito a subsídio, que desistiram, que entretanto se reformaram com pensões de miséria e… deixam de contar para os números. Não falemos dos números da emigração (mais 12 600, 40 pessoas por dia, só no primeiro trimestre deste ano), sem paralelo desde que vivemos em democracia. Algumas dessas pessoas estão portanto, esperamos nós, empregadas… mas não em Portugal. E claro, não contam para os números. Mas temos as fortunas dos mais ricos a aumentar como nunca e sorteios de carros de luxo a quem pede factura. Já ultrapassámos os limites da decência há muito tempo.

Não, o dinheiro não desapareceu, o dinheiro redistribuiu-se. E mal. Ou bem, na perspectiva de quem o acumula e é servido pelos governos ditos sociais e ditos democratas.

Isto não é economia. Isto não é inevitabilidade. Isto é política. É vontade política. É acção política. E está a funcionar. A Europa das pessoas está cada vez mais distante e isso não é o resultado de um acidente de percurso, é o próprio percurso. Neste momento a União Europeia diminui o seu orçamento em tudo o que é política social e aumenta-o apenas em “segurança e defesa”. Já vimos este filme. É repetido. E não acaba bem.

Falam-nos agora em saídas limpas. Há aquele pequeno pormenor do mal já estar feito. De termos regredido laboral e socialmente a pontos que não achávamos possíveis. De estarmos no garrote e prometerem-nos a manutenção do garrote por mais 25 anos — um quarto de século, senhores, em que unidades se medem as vidas de quem assim nos fala? Saída. E limpa, ainda por cima. Mas a troika saíu de onde? A troika são três organismos, dois dos quais da UE. Esta é uma estranha equação. O BCE mantém a sua falsa autonomia, leia-se, o seu serviço à alta finança e à especulação. A Comissão Europeia continua a mandar e a desmandar. E a troika saíu? Parece a sala dos espelhos na feira popular. E só rindo, rindo muito, se pode levar a sério esta conversa. E nem as janelas nos salvam, porque são os miguéis vasconcelos de hoje que nos falam de “Restauração”. Irrevogavelmente, vamos ter de rever o significado da palavra. E também o significado de “defenestração”.

O Parlamento Europeu é um órgão com pouco poder na União Europeia, todos o sabemos. A própria influência que pode vir a ter na eleição da Comissão Europeia é um pequeno rebuçado e serve para isso, para adoçar a boca. Como há dias lembrava Viriato Soromenho Marques numa entrevista, quem manda na UE não é o PE nem tão pouco a Comissão Europeia: é o Conselho Europeu, onde 6 países em 28 têm 70% dos votos. Mise-en-abîme. Dentro de cada país, os grandes sugam os pequenos. Dentro da UE, também. Mas sendo limitado o poder do Parlamento Europeu, é o órgão onde nós, os cidadãos, podemos ter uma palavra a dizer. E eu, como cidadã, preciso que nele tenham lugar as vozes que me representam a mim. A mim e não aos grandes grupos económicos que me declararam guerra. Preciso que esteja bem presente uma voz divergente da dos três partidos que nos têm governado e que não têm sido outra coisa que não cúmplices submissos de um processo de infeliz destruição social. E para mim essa voz é a da CDU.

Joana Manuel integra a lista da candidatura da CDU ao Parlamento Europeu – See more at: http://manifesto74.blogspot.pt/2014/05/cdu-voz-que-me-representa-mim-e-nao-aos.html#more

Sou candidata independente nas listas da CDU. E começo por sublinhar que sou candidata independente porque isso não é um pormenor. Aceitei o convite para integrar a lista, porque preciso, como cidadã e eleitora, de reforçar a voz que me representa. E porque me fez sentido dar um contributo mais, para além do voto.E a CDU é a voz que me representa por diversas razões. É relativamente fácil olhar para o nosso passado recente e perceber qual foi a força política que sempre fez o contrabalanço de uma onda de contágio quase épico sobre o estarmos “na Europa”.

Primeiro que tudo, a falácia inicial que é confundir, primeiro a CEE e depois a UE, com “a Europa”, como se este fosse o único processo de integração possível, como se isto fosse um verdadeiro processo de integração. Que não é.Depois toda a razia que foi a destruição do nosso aparelho produtivo, e que não parou até hoje. Ainda hoje continuamos a abater frota pesqueira, porque “não se esgota o sangue da manada”. E ao fim de quarenta anos de democracia, ouvimos hoje vozes velhas de outros tempos a afirmar que somos pobres e não há milagres. Pobre. Um país como Portugal, com os recursos que tem e a ZEE que tem. Era o que se dizia antes da revolução. Já antes da revolução era mentira. E hoje continua a ser mentira. Temos tido pobres governos, pobres de espírito e de sentido de serviço, mas nós não somos pobres. Mas sem dúvida, somos mais fáceis de controlar – e de enganar – se disso estivermos convencidos.

E por último, porque hoje, qual entristecido nostradamus, se vêem concretizadas as previsões da CDU, ponto por ponto: quanto à falsa convergência; quanto aos resultados da entrada a martelo na moeda única; quanto à perda de soberania; quanto à transferência do poder de decisão para instituições supranacionais não-democráticas, sem qualquer tipo de escrutínio, subordinadas à vontade do jogo financeiro, do lucro e da acumulação de riqueza, completamente separadas e desinteressadas daquilo que constitui os países, daquilo que constitui a Europa que a partir deles quisermos construir: as pessoas. Se não for para as pessoas, a Europa não serve para nada.

Este olhar para trás e dizer “a CDU teve razão” não é um consolo, nem para a CDU nem para mim. Mas é um farol que me diz que há uma linha de análise consequente. E assente na realidade. E que é isso que nos pode devolver o pé no presente e no futuro e ajudar na desconstrução dos mitos que nos foram inoculados pelo “sonho europeu” – e que hoje é demasiado tentador descrever como pesadelo.

Deparamo-nos hoje com um sugadouro em mîse-en-abîme, espelhos dentro de espelhos dentro de espelhos. Os países do centro sugam a periferia. E na periferia, onde se repete que não há dinheiro, privatiza-se serviços públicos a eito, numa espécie de embriaguez contra tudo o que é devido às populações; destrói-se o tecido laboral tornando regra a precariedade, a insegurança (já não há flexi-segurança que se encaixe aqui), o medo diário de perder trabalho, casa, sustento; destrói-se o Estado Social, a Saúde, a Educação e a Cultura, porque “não há dinheiro”; mas simultaneamente injecta-se milhões diariamente, os tais milhões que se diz não existirem, em buracos bancários, em esquemas, em ordenados milionários e bónus para administradores-agora-privados de serviços básicos que deviam manter-se públicos e a que os cidadãos têm cada vez mais dificuldade em aceder. Nunca foi fácil aquecer uma casa no inverno em Portugal. Hoje tornou-se um luxo. Isto não é convergência. É desigualdade. É investimento no empobrecimento.

Mas embarca-se em números de circo com os dados do desemprego, fingindo que esta aparente descida vem do tão falado “crescimento”. Há menos 20 mil desempregados, mas há menos 42 mil pessoas empregadas. Não falemos das pessoas que estão desempregadas mas em acções de formação que duram três semanas e em que deixam de contar para os números. Das pessoas que estão desempregadas mas que entretanto foram prestar serviços a troco de subsídio de alimentação e deixam de contar para os números. Dos desempregados de longa duração, que perderam o direito a subsídio, que desistiram, que entretanto se reformaram com pensões de miséria e… deixam de contar para os números. Não falemos dos números da emigração (mais 12 600, 40 pessoas por dia, só no primeiro trimestre deste ano), sem paralelo desde que vivemos em democracia. Algumas dessas pessoas estão portanto, esperamos nós, empregadas… mas não em Portugal. E claro, não contam para os números. Mas temos as fortunas dos mais ricos a aumentar como nunca e sorteios de carros de luxo a quem pede factura. Já ultrapassámos os limites da decência há muito tempo.

Não, o dinheiro não desapareceu, o dinheiro redistribuiu-se. E mal. Ou bem, na perspectiva de quem o acumula e é servido pelos governos ditos sociais e ditos democratas.

Isto não é economia. Isto não é inevitabilidade. Isto é política. É vontade política. É acção política. E está a funcionar. A Europa das pessoas está cada vez mais distante e isso não é o resultado de um acidente de percurso, é o próprio percurso. Neste momento a União Europeia diminui o seu orçamento em tudo o que é política social e aumenta-o apenas em “segurança e defesa”. Já vimos este filme. É repetido. E não acaba bem.

Falam-nos agora em saídas limpas. Há aquele pequeno pormenor do mal já estar feito. De termos regredido laboral e socialmente a pontos que não achávamos possíveis. De estarmos no garrote e prometerem-nos a manutenção do garrote por mais 25 anos — um quarto de século, senhores, em que unidades se medem as vidas de quem assim nos fala? Saída. E limpa, ainda por cima. Mas a troika saíu de onde? A troika são três organismos, dois dos quais da UE. Esta é uma estranha equação. O BCE mantém a sua falsa autonomia, leia-se, o seu serviço à alta finança e à especulação. A Comissão Europeia continua a mandar e a desmandar. E a troika saíu? Parece a sala dos espelhos na feira popular. E só rindo, rindo muito, se pode levar a sério esta conversa. E nem as janelas nos salvam, porque são os miguéis vasconcelos de hoje que nos falam de “Restauração”. Irrevogavelmente, vamos ter de rever o significado da palavra. E também o significado de “defenestração”.

O Parlamento Europeu é um órgão com pouco poder na União Europeia, todos o sabemos. A própria influência que pode vir a ter na eleição da Comissão Europeia é um pequeno rebuçado e serve para isso, para adoçar a boca. Como há dias lembrava Viriato Soromenho Marques numa entrevista, quem manda na UE não é o PE nem tão pouco a Comissão Europeia: é o Conselho Europeu, onde 6 países em 28 têm 70% dos votos. Mise-en-abîme. Dentro de cada país, os grandes sugam os pequenos. Dentro da UE, também. Mas sendo limitado o poder do Parlamento Europeu, é o órgão onde nós, os cidadãos, podemos ter uma palavra a dizer. E eu, como cidadã, preciso que nele tenham lugar as vozes que me representam a mim. A mim e não aos grandes grupos económicos que me declararam guerra. Preciso que esteja bem presente uma voz divergente da dos três partidos que nos têm governado e que não têm sido outra coisa que não cúmplices submissos de um processo de infeliz destruição social. E para mim essa voz é a da CDU.

Joana Manuel integra a lista da candidatura da CDU ao Parlamento Europeu – See more at: http://manifesto74.blogspot.pt/2014/05/cdu-voz-que-me-representa-mim-e-nao-aos.html#more

Sou candidata independente nas listas da CDU. E começo por sublinhar que sou candidata independente porque isso não é um pormenor. Aceitei o convite para integrar a lista, porque preciso, como cidadã e eleitora, de reforçar a voz que me representa. E porque me fez sentido dar um contributo mais, para além do voto.E a CDU é a voz que me representa por diversas razões. É relativamente fácil olhar para o nosso passado recente e perceber qual foi a força política que sempre fez o contrabalanço de uma onda de contágio quase épico sobre o estarmos “na Europa”.

Primeiro que tudo, a falácia inicial que é confundir, primeiro a CEE e depois a UE, com “a Europa”, como se este fosse o único processo de integração possível, como se isto fosse um verdadeiro processo de integração. Que não é.Depois toda a razia que foi a destruição do nosso aparelho produtivo, e que não parou até hoje. Ainda hoje continuamos a abater frota pesqueira, porque “não se esgota o sangue da manada”. E ao fim de quarenta anos de democracia, ouvimos hoje vozes velhas de outros tempos a afirmar que somos pobres e não há milagres. Pobre. Um país como Portugal, com os recursos que tem e a ZEE que tem. Era o que se dizia antes da revolução. Já antes da revolução era mentira. E hoje continua a ser mentira. Temos tido pobres governos, pobres de espírito e de sentido de serviço, mas nós não somos pobres. Mas sem dúvida, somos mais fáceis de controlar – e de enganar – se disso estivermos convencidos.

E por último, porque hoje, qual entristecido nostradamus, se vêem concretizadas as previsões da CDU, ponto por ponto: quanto à falsa convergência; quanto aos resultados da entrada a martelo na moeda única; quanto à perda de soberania; quanto à transferência do poder de decisão para instituições supranacionais não-democráticas, sem qualquer tipo de escrutínio, subordinadas à vontade do jogo financeiro, do lucro e da acumulação de riqueza, completamente separadas e desinteressadas daquilo que constitui os países, daquilo que constitui a Europa que a partir deles quisermos construir: as pessoas. Se não for para as pessoas, a Europa não serve para nada.

Este olhar para trás e dizer “a CDU teve razão” não é um consolo, nem para a CDU nem para mim. Mas é um farol que me diz que há uma linha de análise consequente. E assente na realidade. E que é isso que nos pode devolver o pé no presente e no futuro e ajudar na desconstrução dos mitos que nos foram inoculados pelo “sonho europeu” – e que hoje é demasiado tentador descrever como pesadelo.

Deparamo-nos hoje com um sugadouro em mîse-en-abîme, espelhos dentro de espelhos dentro de espelhos. Os países do centro sugam a periferia. E na periferia, onde se repete que não há dinheiro, privatiza-se serviços públicos a eito, numa espécie de embriaguez contra tudo o que é devido às populações; destrói-se o tecido laboral tornando regra a precariedade, a insegurança (já não há flexi-segurança que se encaixe aqui), o medo diário de perder trabalho, casa, sustento; destrói-se o Estado Social, a Saúde, a Educação e a Cultura, porque “não há dinheiro”; mas simultaneamente injecta-se milhões diariamente, os tais milhões que se diz não existirem, em buracos bancários, em esquemas, em ordenados milionários e bónus para administradores-agora-privados de serviços básicos que deviam manter-se públicos e a que os cidadãos têm cada vez mais dificuldade em aceder. Nunca foi fácil aquecer uma casa no inverno em Portugal. Hoje tornou-se um luxo. Isto não é convergência. É desigualdade. É investimento no empobrecimento.

Mas embarca-se em números de circo com os dados do desemprego, fingindo que esta aparente descida vem do tão falado “crescimento”. Há menos 20 mil desempregados, mas há menos 42 mil pessoas empregadas. Não falemos das pessoas que estão desempregadas mas em acções de formação que duram três semanas e em que deixam de contar para os números. Das pessoas que estão desempregadas mas que entretanto foram prestar serviços a troco de subsídio de alimentação e deixam de contar para os números. Dos desempregados de longa duração, que perderam o direito a subsídio, que desistiram, que entretanto se reformaram com pensões de miséria e… deixam de contar para os números. Não falemos dos números da emigração (mais 12 600, 40 pessoas por dia, só no primeiro trimestre deste ano), sem paralelo desde que vivemos em democracia. Algumas dessas pessoas estão portanto, esperamos nós, empregadas… mas não em Portugal. E claro, não contam para os números. Mas temos as fortunas dos mais ricos a aumentar como nunca e sorteios de carros de luxo a quem pede factura. Já ultrapassámos os limites da decência há muito tempo.

Não, o dinheiro não desapareceu, o dinheiro redistribuiu-se. E mal. Ou bem, na perspectiva de quem o acumula e é servido pelos governos ditos sociais e ditos democratas.

Isto não é economia. Isto não é inevitabilidade. Isto é política. É vontade política. É acção política. E está a funcionar. A Europa das pessoas está cada vez mais distante e isso não é o resultado de um acidente de percurso, é o próprio percurso. Neste momento a União Europeia diminui o seu orçamento em tudo o que é política social e aumenta-o apenas em “segurança e defesa”. Já vimos este filme. É repetido. E não acaba bem.

Falam-nos agora em saídas limpas. Há aquele pequeno pormenor do mal já estar feito. De termos regredido laboral e socialmente a pontos que não achávamos possíveis. De estarmos no garrote e prometerem-nos a manutenção do garrote por mais 25 anos — um quarto de século, senhores, em que unidades se medem as vidas de quem assim nos fala? Saída. E limpa, ainda por cima. Mas a troika saíu de onde? A troika são três organismos, dois dos quais da UE. Esta é uma estranha equação. O BCE mantém a sua falsa autonomia, leia-se, o seu serviço à alta finança e à especulação. A Comissão Europeia continua a mandar e a desmandar. E a troika saíu? Parece a sala dos espelhos na feira popular. E só rindo, rindo muito, se pode levar a sério esta conversa. E nem as janelas nos salvam, porque são os miguéis vasconcelos de hoje que nos falam de “Restauração”. Irrevogavelmente, vamos ter de rever o significado da palavra. E também o significado de “defenestração”.

O Parlamento Europeu é um órgão com pouco poder na União Europeia, todos o sabemos. A própria influência que pode vir a ter na eleição da Comissão Europeia é um pequeno rebuçado e serve para isso, para adoçar a boca. Como há dias lembrava Viriato Soromenho Marques numa entrevista, quem manda na UE não é o PE nem tão pouco a Comissão Europeia: é o Conselho Europeu, onde 6 países em 28 têm 70% dos votos. Mise-en-abîme. Dentro de cada país, os grandes sugam os pequenos. Dentro da UE, também. Mas sendo limitado o poder do Parlamento Europeu, é o órgão onde nós, os cidadãos, podemos ter uma palavra a dizer. E eu, como cidadã, preciso que nele tenham lugar as vozes que me representam a mim. A mim e não aos grandes grupos económicos que me declararam guerra. Preciso que esteja bem presente uma voz divergente da dos três partidos que nos têm governado e que não têm sido outra coisa que não cúmplices submissos de um processo de infeliz destruição social. E para mim essa voz é a da CDU.

Joana Manuel integra a lista da candidatura da CDU ao Parlamento Europeu – See more at: http://manifesto74.blogspot.pt/2014/05/cdu-voz-que-me-representa-mim-e-nao-aos.html#more

10_joana_manuelSou candidata independente nas listas da CDU. E começo por sublinhar que sou candidata independente porque isso não é um pormenor. Aceitei o convite para integrar a lista, porque preciso, como cidadã e eleitora, de reforçar a voz que me representa. E porque me fez sentido dar um contributo mais, para além do voto.

E a CDU é a voz que me representa por diversas razões. É relativamente fácil olhar para o nosso passado recente e perceber qual foi a força política que sempre fez o contrabalanço de uma onda de contágio quase épico sobre o estarmos “na Europa”.

Primeiro que tudo, a falácia inicial que é confundir, primeiro a CEE e depois a UE, com “a Europa”, como se este fosse o único processo de integração possível, como se isto fosse um verdadeiro processo de integração. Que não é.

Depois toda a razia que foi a destruição do nosso aparelho produtivo, e que não parou até hoje. Ainda hoje continuamos a abater frota pesqueira, porque “não se esgota o sangue da manada”. E ao fim de quarenta anos de democracia, ouvimos hoje vozes velhas de outros tempos a afirmar que somos pobres e não há milagres. Pobre. Um país como Portugal, com os recursos que tem e a ZEE que tem. Era o que se dizia antes da revolução. Já antes da revolução era mentira. E hoje continua a ser mentira. Temos tido pobres governos, pobres de espírito e de sentido de serviço, mas nós não somos pobres. Mas sem dúvida, somos mais fáceis de controlar – e de enganar – se disso estivermos convencidos.

E por último, porque hoje, qual entristecido nostradamus, se vêem concretizadas as previsões da CDU, ponto por ponto: quanto à falsa convergência; quanto aos resultados da entrada a martelo na moeda única; quanto à perda de soberania; quanto à transferência do poder de decisão para instituições supranacionais não-democráticas, sem qualquer tipo de escrutínio, subordinadas à vontade do jogo financeiro, do lucro e da acumulação de riqueza, completamente separadas e desinteressadas daquilo que constitui os países, daquilo que constitui a Europa que a partir deles quisermos construir: as pessoas. Se não for para as pessoas, a Europa não serve para nada.

Este olhar para trás e dizer “a CDU teve razão” não é um consolo, nem para a CDU nem para mim. Mas é um farol que me diz que há uma linha de análise consequente. E assente na realidade. E que é isso que nos pode devolver o pé no presente e no futuro e ajudar na desconstrução dos mitos que nos foram inoculados pelo “sonho europeu” – e que hoje é demasiado tentador descrever como pesadelo.

Deparamo-nos hoje com um sugadouro em mîse-en-abîme, espelhos dentro de espelhos dentro de espelhos. Os países do centro sugam a periferia. E na periferia, onde se repete que não há dinheiro, privatiza-se serviços públicos a eito, numa espécie de embriaguez contra tudo o que é devido às populações; destrói-se o tecido laboral tornando regra a precariedade, a insegurança (já não há flexi-segurança que se encaixe aqui), o medo diário de perder trabalho, casa, sustento; destrói-se o Estado Social, a Saúde, a Educação e a Cultura, porque “não há dinheiro”; mas simultaneamente injecta-se milhões diariamente, os tais milhões que se diz não existirem, em buracos bancários, em esquemas, em ordenados milionários e bónus para administradores-agora-privados de serviços básicos que deviam manter-se públicos e a que os cidadãos têm cada vez mais dificuldade em aceder. Nunca foi fácil aquecer uma casa no inverno em Portugal. Hoje tornou-se um luxo. Isto não é convergência. É desigualdade. É investimento no empobrecimento.

Mas embarca-se em números de circo com os dados do desemprego, fingindo que esta aparente descida vem do tão falado “crescimento”. Há menos 20 mil desempregados, mas há menos 42 mil pessoas empregadas. Não falemos das pessoas que estão desempregadas mas em acções de formação que duram três semanas e em que deixam de contar para os números. Das pessoas que estão desempregadas mas que entretanto foram prestar serviços a troco de subsídio de alimentação e deixam de contar para os números. Dos desempregados de longa duração, que perderam o direito a subsídio, que desistiram, que entretanto se reformaram com pensões de miséria e… deixam de contar para os números. Não falemos dos números da emigração (mais 12 600, 40 pessoas por dia, só no primeiro trimestre deste ano), sem paralelo desde que vivemos em democracia. Algumas dessas pessoas estão portanto, esperamos nós, empregadas… mas não em Portugal. E claro, não contam para os números. Mas temos as fortunas dos mais ricos a aumentar como nunca e sorteios de carros de luxo a quem pede factura. Já ultrapassámos os limites da decência há muito tempo.

Não, o dinheiro não desapareceu, o dinheiro redistribuiu-se. E mal. Ou bem, na perspectiva de quem o acumula e é servido pelos governos ditos sociais e ditos democratas.

Isto não é economia. Isto não é inevitabilidade. Isto é política. É vontade política. É acção política. E está a funcionar. A Europa das pessoas está cada vez mais distante e isso não é o resultado de um acidente de percurso, é o próprio percurso. Neste momento a União Europeia diminui o seu orçamento em tudo o que é política social e aumenta-o apenas em “segurança e defesa”. Já vimos este filme. É repetido. E não acaba bem.

Falam-nos agora em saídas limpas. Há aquele pequeno pormenor do mal já estar feito. De termos regredido laboral e socialmente a pontos que não achávamos possíveis. De estarmos no garrote e prometerem-nos a manutenção do garrote por mais 25 anos — um quarto de século, senhores, em que unidades se medem as vidas de quem assim nos fala? Saída. E limpa, ainda por cima. Mas a troika saíu de onde? A troika são três organismos, dois dos quais da UE. Esta é uma estranha equação. O BCE mantém a sua falsa autonomia, leia-se, o seu serviço à alta finança e à especulação. A Comissão Europeia continua a mandar e a desmandar. E a troika saíu? Parece a sala dos espelhos na feira popular. E só rindo, rindo muito, se pode levar a sério esta conversa. E nem as janelas nos salvam, porque são os miguéis vasconcelos de hoje que nos falam de “Restauração”. Irrevogavelmente, vamos ter de rever o significado da palavra. E também o significado de “defenestração”.

O Parlamento Europeu é um órgão com pouco poder na União Europeia, todos o sabemos. A própria influência que pode vir a ter na eleição da Comissão Europeia é um pequeno rebuçado e serve para isso, para adoçar a boca. Como há dias lembrava Viriato Soromenho Marques numa entrevista, quem manda na UE não é o PE nem tão pouco a Comissão Europeia: é o Conselho Europeu, onde 6 países em 28 têm 70% dos votos. Mise-en-abîme. Dentro de cada país, os grandes sugam os pequenos. Dentro da UE, também. Mas sendo limitado o poder do Parlamento Europeu, é o órgão onde nós, os cidadãos, podemos ter uma palavra a dizer. E eu, como cidadã, preciso que nele tenham lugar as vozes que me representam a mim. A mim e não aos grandes grupos económicos que me declararam guerra. Preciso que esteja bem presente uma voz divergente da dos três partidos que nos têm governado e que não têm sido outra coisa que não cúmplices submissos de um processo de infeliz destruição social. E para mim essa voz é a da CDU.

Joana Manuel, actriz e cantora, integra a lista da candidatura da CDU ao Parlamento Europeu

in “Manifesto 74” a 17 de Maio

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