Etiquetas

, , ,

Este slideshow necessita de JavaScript.

Nos dias 4 e 5 de Julho o primeiro-ministro português realizou um périplo aqui pelas nossas bandas, mais concretamente por Castelo de Paiva, Cinfães e Arouca. Tem sido estratégia dos actuais representantes do povo procurarem conforto popular nos seus bastiões, nos “cavaquistões”. Apesar de teoricamente se tratarem de zonas de conforto do PSD e do CDS é crescente e notório o aparato policial utilizado na protecção dos lusos chanceleres.

Tive oportunidade de participar na recepção que a União de Sindicatos de Aveiro promoveu a Passos Coelho em Castelo de Paiva, recepção esta arrumada por muita comunicação social apenas como uma vaia de manifestantes afectos à CGTP-IN, fazendo crer à opinião pública que é possível, nos 5 a 10 segundos que demoram os potentes carros do protocolo de estado a chegar e apear o primeiro-ministro, manifestar o sentir de cada um sobre a governação, sem ser através de um fugaz aplauso ou apupo.

Claro está que são muito mais que 5 ou 10 segundos o tempo que dura uma manifestação deste tipo, e que durante esse tempo há palavras de ordem, declarações e interacções entre os que lá estão. Em Castelo de Paiva foi vergonhoso ver a força policial a tentar manter os que protestavam o mais longe possível e os que aparentemente lá estavam para aplaudir o mais próximo possível (sendo certo que nem estes aplaudiram Passos Coelho nos 5 a 10 segundos que durou a sua chegada).

Para o dia seguinte, em Arouca, estava na forja uma recepção “não organizada”, segundo a terminologia das forças policiais, que acabou por não acontecer, decerto pelos esforços do edil Artur Neves em convencer os seus organizadores dos danos que, segundo ele, causariam estas coisas no mui novel trabalho de “recato do gabinete”, caminho único para um futuro radioso.

Tenho para mim que não será o “recato do gabinete”, melhor dizendo os “recatos dos gabinetes”, uma vez que estão em plena competição “lobista” Presidente da Câmara e Presidente da Assembleia Municipal, que trará a estrada prometida e muito menos que manterá os serviços públicos em Arouca. O tempo o dirá. Certo, certo é o que nos chega do passado – só foi possível manter dois agrupamentos de escola no concelho e escolas EB1 em Mansores e Tropeço em 2011 e 2012 porque as comunidades educativas e a população se manifestaram em força.

Sobre a influência das individualidades locais junto do primeiro-ministro e da força de convencimento do respeitinho e do parece bem populares deixo para reflexão uma frase atribuída ao próprio Passos Coelho, em pleno périplo cavaquistanês: “É caro e ineficiente manter serviços públicos no interior”.

in “Discurso Directo”

Anúncios