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A revista Sábado surgiu com a notícia de que decorriam investigações no Ministério Público sobre uma denúncia de Passos Coelho ter recebido ilegalmente cerca de 150 mil euros entre 1997 e 1999. Foi o regresso do «caso Tecnoforma», uma empresa onde Passos fez parceria e negócios com Relvas e de onde se diz que recebeu 4500 euros/mês nos anos supracitados (totalizando 150 mil euros), embora houvesse requerido à Assembleia da República – onde era deputado, à altura – o benefício do «estatuto de exclusividade», para receber na íntegra deste órgão de soberania e ficando legalmente proibido de receber por actividades exteriores.

Valha a verdade que o assunto não é virgem e arrasta-se há tanto tempo que já se fala em «prescrição», a palavra mágica das trampolinices e trampolineiros que prosperam pelo País.

Mas dada a confirmação oficial de que há um inquérito em curso (sem mais detalhes), o chanceler Passos viu-se compelido a declarar que «não foi contactado no âmbito de qualquer investigação» e que «se isso vier a acontecer, colaborará, naturalmente». «Em todo o caso» (como ele gosta de dizer e descontando-lhe o macarronismo pomposo), colaborará na investigação caso seja contactado, «mantendo a convicção de que sempre cumpriu as suas obrigações legais» e, como remate, remete para a AR como «o local próprio» para dirimir a questão.

E há-de ser dirimida a contento, com a maioria absoluta de que por lá dispõe ainda. Não pode é esperar muito, porque vêm aí eleições e a maioria será «entornada», parafraseando Barroso…

Todavia, temos o enigma da «convicção». Quem a invoca, não garante deliberadamente nada, apenas faz prova de fé – e também deliberadamente. Portanto, o chanceler Passos confessa «não saber» se cometeu uma ilegalidade que totalizou 150 mil euros em dois anos, o que deixa perplexa a mais ingénua das criaturas: «não se lembrar» de que andou dois anos a receber 4500 euros/mês parece falta de memória a mais.

Com isto, o número «150 mil» consolida-se como elemento de relevo, no poder político em Portugal.

Começou com José Sócrates, que prometeu 150 mil novos postos de trabalho em 2008 para alcançar a sua maioria absoluta e, quatro anos volvidos, havia novos 150 mil, mas de desempregados.

Neste momento, decorrem investigações policiais aos mandatos de Filipe Menezes à frente da Câmara de Gaia e já se ouve números, como o de acrescentar mais 150 milhões de euros (os milhares passaram a milhões, mas o 150 mantém-se) à já ruinosa concessão à Mota Engil da recolha do lixo de Gaia, por Menezes não ter acautelado a programada mudança de aterro para Sta. Maria da Feira ou, ainda, a dívida de 300 milhões de euros (duas vezes 150) com que deixou Gaia.

Nesta jogatana em que se pratica o «jogo do poder» em Portugal, os 150 mil do chanceler Coelho são apenas mais uma parcela.

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