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Confiança, mesmo numa altura em que os bolsos de quem trabalha são usurpados em mais de oito mil milhões de euros só para pagamento de juros da dívida e quando se prepara mais de sete mil milhões de euros de cortes na despesa para os próximos anos.
Confiança, mesmo quando é destruída a capacidade produtiva do País, com um milhão e quatrocentos mil trabalhadores desempregados, três milhões de pobres e uma emigração ao nível da década de 60 do século passado.

Confiança, mesmo quando nos confrontamos com a política da ilusão, da mentira e da mistificação; quando nos procuram fazer crer que tivemos uma «saída limpa», que estamos perante um «milagre económico», quando esse milagre há 38 anos se sdó benefícia os grandes interesses; que o desemprego baixa todos os meses, mesmo quando não é criado emprego e milhares estão empurrados para ocupações temporárias; que está em curso um «esforço para a baixa dos impostos» quando o que efetivamente baixou foram 180 milhões de euros em IRC no primeiro semestre do ano; que estão em curso medidas de «apoio à natalidade», quando os últimos anos (do actual e anteriores governos) são marcados pela destruição das vidas de milhares de trabalhadores, roubos nos abonos de família e outras prestações sociais (menos 200 milhões de euros no primeiro semestre do ano).

Confiança, mesmo quando é transferido dos nossos salários, pensões e reformas todo o dinheiro necessário para tapar os buracos do sistema financeiro, esse mesmo responsável pela actual situação e para o qual há sempre todos os recursos necessários.

Confiança, mesmo quando a «crise» já roubou 3,6 mil milhões de euros aos salários e entregou de mão beijada 2,6 mil milhões ao capital. O anúncio do aumento do SMN é apenas o mais recente número de hipocrisia – aumentar um salário de 485 euros brutos concedendo contrapartidas ao patronato é um escândalo. O mesmo capital que exige a destruição da contratação colectiva, o roubo nas horas extraordinárias, a liberalização dos despedimentos e dos horários de trabalho, o fim definitivo dos feriados roubados, é o mesmo a quem é oferecido dinheiro do trabalho (o dinheiro da Segurança Social é dinheiro do trabalho e não do capital) para pagar o aumento do SMN.

Validade do nosso projecto

Confiança, mesmo quando confrontados com um Governo de política da terra queimada onde se intensificam as contradições, que vendo o seu tempo de vida escassear e o capital a procurar mudar de montada para manter no fundamental o mesmo rumo, tudo fará para ir tão longe quanto possível na concretização da sua política destruidora.

Confiança, mesmo quando se volta a apresentar como os salvadores os que procuram impor agora uma avalanche mediática, colocando o conta-quilómetros a zero como se nada tivessem a ver com isto, com novas toneladas de falsas esperanças e promessas para voltar a vender.

Esses que afirmam que agora é que é, que é preciso mudar para que tudo fique na mesma, criando e fomentando novas e perigosas ilusões, apoiadas como sempre pelos que encontram na actual política a sua fonte de crescimento e cujo seu interesse é a sua manutenção independentemente que quem é a sigla ou homem do leme.

Confiança, mesmo sabendo que o maior de todos os perigos da ilusão é a dimensão da desilusão.

Confiança, não nas palavras, não na conjuntura, mas sim na validade do nosso projecto de verdade, na proposta alternativa que apresentamos e, acima de tudo, na imensa, persistente e determinada luta que os trabalhadores e o povo estão a desenvolver.

Confiança redobrada que advém do conhecimento da realidade, da profunda ligação aos trabalhadores, ao povo, à juventude, aos seus direitos e anseios.

Confiança sustentada no alargamento dos que identificam não nas caras mas sim nas políticas o centro dos problemas que cada um e o País enfrentam.

Os mais de 900 jovens que aderiram à JCP e os mais de 2000 que de diferentes formas se associaram à organização desde o início do ano, demonstram que também na juventude o nosso projecto e propostas ganham espaço.

Um espaço que se traduz no reforço da organização, no aumento da luta juvenil e no alargamento da exigência de ruptura com esta política de destruição e afirmação da alternativa patriótica e de esquerda, a única proposta capaz de dar resposta aos anseios da juventude.

O nosso caminho é eventualmente longo, necessariamente difícil e certamente silenciado e deturpado, mas é e foi assim também a história da justa luta do povo.

in  “Avante” a 2 de outubro

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