1 – O momento político está profundamente marcado pela sucessão de episódios, sejam os de candidatos a candidatos presidenciais, sejam os de escândalos de falcatruas várias, remetendo para segundo plano as eleições legislativas. Mesmo os escândalos – que são graves, indiciam promiscuidades, tratamento privilegiado, favores e crimes de ex-governantes, governantes e poderosos e consequência da política das últimas décadas – estão a contribuir para que os três partidos “da troika” se mantenham mudos sobre as suas propostas políticas concretas para a próxima legislatura.

2 – Como vai o país responder às dificuldades e necessidades com a dimensão da dívida pública que tem? Como vai o povo aguentar a drenagem dos prejuízos da banca (os do BPN e do BES/GES ainda não saldados) e o seu retorno à especulação, na senda do  lucro máximo e rápido, mesmo que à custa do interesse geral? Como vai Portugal aguentar uma União Económica e Monetária assente no favorecimento das economias do centro da Europa e no prejuízo das economias periféricas?

3 – O que dizem os diferentes partidos? O PSD e o CDS mais do mesmo. Afirmam que valeu a pena, agora os cofres estão cheios, o pior já passou e vêm aí os fundos estruturais. Não seria de esperar outra coisa, estamos em ano de eleições. Não dizem é que os cofres estão cheios de dinheiro emprestado (cifram-se em 478,8 milhões de euros os seus juros anuais) e à custa dos bolsos vazios dos portugueses, nem que os vinte mil milhões dos fundos estruturais até 2020, para além de implicarem mais endividamento, são um terço do que vai sair do país em custos associados à dívida. Conhece-se o truque, passadas as eleições regressa o apertar do cinto.

4 – O PS por sua vez propõe austeridade, mas “austeridade inteligente”, admitindo que no quadro das políticas da União Económica e Monetária (UEM) há margem para fazer diferente. Vã esperança, a conjugação da monumental dívida pública do país com as regras de governação económica da UEM implica cortes na despesa social, privatizações e redução da remuneração do factor trabalho. Mais assim ou mais assado, mais devagar ou mais depressa, o resultado será o mesmo – empobrecimento do povo e do país.

5 – O PCP e a CDU afirmam a necessidade de uma ruptura política que ponha fim ao declínio do país: aumentando a produção nacional, para  exportação e para substituição de importações; aumentando os salários, particularmente os mais baixos (por uma questão de justiça e porque o  consumo destes segmentos da população é mais favorável à produção nacional); defendendo as funções sociais do Estado, garantindo serviços de saúde, educação e protecção social à altura das necessidades do povo;  alterando a política fiscal, colocando o capital a pagar mais e o trabalho a pagar menos; retomando o investimento público, alavanca fundamental para o crescimento económico; libertando progressivamente o país dos três grandes constrangimentos – a dívida (renegociando-a), a banca comercial (retomando o controlo público), as regras da UEM (avançando na preparação para uma eventual saída do Euro).

6 – Em termos de política local mantém-se o afã em receber basta e respeitosamente os da governação nacional, que se deslocam a Arouca e ao distrito de Aveiro a qualquer pretexto, muitas vezes nem sequer para a tradicional “inauguraçãozita”. Iludem-se os de cá pensando que estão a influenciar o que quer que seja, apenas servem para a propaganda governamental. Salta à vista a aposta do PSD e CDS nos distritos onde têm elegido muitos deputados, como é o caso de Aveiro, no sentido de procurar segurar eleitorado para que a derrota eleitoral do Outono próximo seja a menos má possível.

7 – Os problemas e constrangimentos de Arouca não se resolvem com os favores e simpatias do poder central. Se assim fosse as promessas de José Sócrates e as influências de Paulo Portas, vice do governo, e ex-deputado municipal, já teriam dado obra. Arouca apenas tem servido para conquistar votos, tal como o distrito, os problemas e constrangimentos só poderão ser resolvidos com uma mudança de política.

8 – O recente arquivamento do caso CMA / FCA e a eventual inexistência de  ilegalidades nas relações entre a autarquia e o maior clube de futebol do concelho não retiram a avaliação política de que  foram cometidos erros pela autarquia no relacionamento com o futebol profissional. Asneira feita importa, agora, recentrar a política desportiva da autarquia, o apoio deve ser garantido exclusivamente à formação e ao desporto popular.

9 – Também merece nota o recente caso da subvenção da autarquia à Rádio Regional de Arouca. Demonstra a ausência, já antiga, de uma política de comunicação e cultura da autarquia e uma delegação de competências a privados, adensando confusões e equívocos entre o que é  promover a vida e actividade do concelho com a vida e actividade do executivo camarário.

10 – O PCP reafirma a necessidade de pôr fim ao declínio nacional, consciente de que  a sua proposta não é fácil, mas não é irreal, necessita é do apoio popular e do reforço da luta dos trabalhadores e dos portugueses. Juntamente com a CDU vamos comemorar a Revolução de Abril, no dia 25, às 20h00, na Casa do Povo de Arouca, com a participação de Francisca Goulart, do Comité Central do PCP, pelos valores de Abril no futuro de Portugal e por uma política patriótica e de esquerda.