O PSD e o CDS organizaram uma jantarada em Guimarães para «assinar formalmente» o acordo de coligação, solenidade que levou a «directos» dos três canais por cabo, todos com a mesma presteza que os levou a «cobrir em directo» o pré-anúncio da coligação palrado no 25 de Abril, o pré-anúncio da coligação palrado por ambos os líderes, o pré-anúncio palrado pelos dois líderes em conjunto e a formalização em Guimarães, sempre por estes oradores, notoriamente de pendão e caldeira nas televisões portuguesas.

Deve estar aqui o «interesse jornalístico», de que falam os bravos responsáveis pelos três canais. Fazer «directos» de um mesmo acontecimento, nas quatro vezes em que é repetidamente anunciado, tem imenso interesse, está bem de ver. Talvez não seja é jornalístico.

Mas esta ocupação omnipresente dos canais televisivos pelo dueto do pendão e caldeira não se fica pelos anúncios da coligação.

Para galrar discurso basta-lhes qualquer ajuntamento, e qualquer ajuntamento é no que se especializaram PSD e CDS, com distritais, concelhias, «jotas» e outros derivados a produzirem freneticamente encontros, sessões, jantares, aniversários, «universidades», arraiais e o diabo a sete, e em tudo o que mexe para o duo falar lá estão as televisões RTP, SIC e TVI aparando cada palavra, diligentes e fumegando grossos rolos de independência editorial.

O par do pendão e caldeira nas televisões afina ultimamente pela asserção de que «salvaram o País da troika», imbecilidade a que não acorreu nenhum alter ego do Governo (como certeiramente alvitrou Pedro Mexia, no Governo Sombra) a chamar a atenção àquela gente de que há asneiras que não se devem dizer.

Portas exibe a sua estridulência de marca, que é ribombar cenários idílicos, enquanto Passos comete gafes mais substantivas, de cada vez que fala de improviso.

Ainda há duas semanas inaugurou uma queijaria em Aguiar da Beira para elogiar Dias Loureiro – presente na sala – como exemplo de «exigência e método» que são necessários «à economia», não lhe soprando ao ouvido nenhum alter ego (lá está) a informá-lo de que elogiar em público gente como Dias Loureiro é capaz de não ser boa ideia.

As mais recentes gafes foram cometidas nas Caldas da Rainha, onde os ânimos pêpêdês parece que andam exaltados. Passos aproveitou o enquadramento da estátua da Rainha D. Leonor para animar as hostes e o País com as afirmações de que «Portugal vive no primeiro mundo», somos «considerados como um país rico no mundo» e «comparamos com as nações de maior prosperidade do mundo».

De facto, subimos em vários ranking de desenvolvimento, mas foi graças à construção do Portugal de Abril – Passos apenas se pode vangloriar dos ataques brutais do seu Governo a esse desenvolvimento.

Finalmente, em Guimarães, gabou-se de que «nós temos provas dadas».

Pois têm. Por isso vão levar uma ripada nas eleições.

 

 

 

 

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