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Para não maçar com  a palavra mais repetida dos últimos dias chamemos-lhe, ao país em causa, Helena. E em vez da conversa do sai / não sai  e da confusão entre Europa, União Europeia e Zona Euro, coloquemos outra questão: qual é, afinal, a natureza da social-democracia?

O governo helénico, uma associação de diversas correntes políticas, maioritariamente social-democrata e nacionalista, pretende, e pretende mesmo, conciliar as regras da União Económica e Monetária (UEM) com um programa mais aliviado de medidas recessivas, equação por muitos considerada impossível, dada a natureza antagónica das duas premissas.

Se, ao contrário do que as ideias dominantes matraqueiam, o governo helénico fosse, de facto, “radical e extremista”, já teria avançado no sentido da  libertação das regras da  UEM. Não o fez, nem o quer fazer.

A União Europeia, por seu lado, quer aplicar o pacote tal como está desenhado e garantir que nenhum país abandona o Euro. E não quer porque o Euro e as  regras da UEM têm inúmeras vantagens para quem, de facto, manda na coisa, os da massa: embaratece o factor trabalho, diminui os encargos fiscais do factor capital, expande o negócio para novas áreas – educação, saúde, segurança social (apelidam estas coisas de “reformas estruturais”).

Em resumo, uns não querem sair, os outros não querem que eles saiam. Pergunta-se então – para quê a telenovela se a discussão é apenas sobre o grau da austeridade?  Como é que não se entendem se são da mesma família política – o SYRIZA herdou os quadros do PASOK, o presidente francês é do PSF e o presidente do parlamento europeu do SPD?

É que “as reformas” não podem parar! E para isso não pode, nem sequer no quadro das regras do sistema (a UEM), surgir uma pequena alternativa que seja. O sistema apenas tolera a alternância, a mudança de políticos sem mudança de políticas. Tempos curiosos e perigosos se avizinham, porque, bem vistas as coisas, o radicalismo e o extremismo estão na continuação de uma receita cuja consequência é o empobrecimento contínuo.

Do global para o local. Ao que li, num comunicado do PSD local, o presidente da Câmara Municipal de Arouca terá afirmado, em Assembleia Municipal, que, três dias depois de o receber, deitou ao lixo um abaixo-assinado contra as obras na Praça.

A afirmação, ao que me apercebi, não teve, até ao momento, tratamento noticioso, apesar das Assembleias Municipais terem cobertura da imprensa local. Não mereceu nem desmentido do presidente da câmara, nem “explicação” do partido que o suporta.

Terá acontecido? Como não foi desmentido presume-se que sim. É um episódio absolutamente lamentável e que pouco honra a Democracia. A Democracia é o Povo a participar. Esteve bem o Povo de Helena, contra a ingerência externa e pela sua soberania.  Artur, por seu turno, esteve mal, não respeitou a Democracia nem o Povo.

in jornal Discurso Directo – 10/07/2015

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