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A campanha eleitoral está paquidérmica e nada penetra a pele que encasca os partidos do só-li-dó. Os tais que têm sido «os donos disto tudo» na governança «da Pátria» – PS e PSD alternando-se na afincada erosão do regime democrático, construído de raiz na Revolução de Abril.

Por muitas manifestações ou iras espumadas que as populações lhes atirem à tropilha, tudo resvala no pelame de arco-íris fingido e aos sorrisos aparafusados nenhuma crispação ousa desaparelhar-lhes a cintilância colgate. Estão em campanha eleitoral – o País das Maravilhas que faz deles Alices à procura de abichar o incauto.

O entremez das «listas» completou-se com a chegada em cima da hora da «PAF», coligação «Portugal À Frente», assunto que Coelho aviou antes de partir de férias para a Manta Rota, deixando-o «fechado» com o autoritarismo do costume e a berraria de correligionários contra «despromoções» várias, mas ficando todos à volta de um «novo programa» que promete dar um pouco do muito que tirou, para continuar a tirar o que ainda por aí restar – entre quem trabalha ou é pensionista, bem entendido.

De resto, o mesmo ocorreu na formação de listas do PS, com o pormenor de haver empenho inter pares para que a competição entre facções, personalidades e egos não visse a luz do dia, o que lembra as esconsas manobras onde Guterres conspirava santamente pelos sótãos.

A discrepância substantiva entre os dois programas eleitorais consiste numa (segundo o PS) «diferença de velocidade», adjuvada por uma «concretização mais inteligente» (?) dos programas que nos são impostos «pela Europa».

Ou seja, o PS está de acordo com os garrotes do «Pacto de Estabilidade» (que, não por acaso, assinou), do «serviço da dívida» ou das «exigências dos credores», o que significa uma sintonia com o essencial da política de desastre prosseguida pela «coligação».

A diferença que o PS apresenta – chamando-lhe «alternativa» – é repor alguns salários «mais depressa» do que a coligação «mentirosamente promete» e agir, no Governo, «com inteligência», patacoada que, para além da manifesta imodéstia, não quer dizer absolutamente nada.

Ou seja: por muito que se torça e retorça em retóricas inúteis, o PS nunca se distancia da política ultramontana seguida por Passos Coelho e o que afirma – en passant, para que ninguém repare – é «o cumprimento escrupuloso» dos «nossos deveres e encargos».

É nesta «triste, apagada e vil tristeza» que estrebucha o PS, sem sequer ousar pronunciar-se abertamente pela renegociação da dívida, quanto mais pela saída do Pacto de Estabilidade e da Zona Euro – passos essenciais, decisivos e, a bem ou a mal, irrecusáveis para tirar o País deste atoleiro.

Estamos perante a manifesta evidência de que o voto certo e seguro é na CDU.

in  “Avante” a 6 de Agosto

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