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Segundo parece há, ou houve, alunos da freguesia do Burgo – segundo o Dicionário Relvas da Reforma Administrativa do Território, União de Freguesias de Arouca e  Burgo -, que não têm vaga em nenhuma das duas escolas do 1º ciclo do ensino básico existentes, Escola EB1/JI de Arouca e Pólo Escolar do Burgo. Pior ainda, para além das duas escolas da freguesia com  turmas a mais e no limite máximo (7 turmas para 6 salas na escola da vila e 9 espaços ocupados – 8 turmas e uma unidade da educação especial – para 8 salas no Burgo), as outras duas escolas do vale, Boavista e Rossas, têm alunos a menos (apenas com 4 turmas cada).

Acresce a tudo isto o facto das escolas “sobrelotadas” do vale terem alunos de diversas freguesias do concelho e as “sublotadas” não terem muitos dos alunos que a rede escolar previa que tivessem. Sendo verdade que a lei garante aos pais alguma flexibilidade na escolha da escola,  não é razoável que num mesmo agrupamento, com o mesmo projecto e os mesmos professores, convivam lado a lado escolas e turmas a rebentar pelas costuras e escolas e turmas em processo de desertificação.

Se não fosse inaceitável, esta situação era no mínimo caricata, tendo em conta que temos o vale do Arda com uma rede escolar com nem sequer uma década de existência e construída, imagine-se, a partir de um instrumento de planeamento criado especificamente para esse efeito, a Carta Educativa, e monitorizada por um órgão, também para esse efeito constituído, o  Conselho Municipal de Educação.

Como chegámos aqui. Relembremos. A Carta Educativa previa uma rede de pequenas escolas: o Pólo do Burgo, o Pólo de Tropeço, o Pólo de Várzea, o Pólo de Urrô e um Pólo de Montanha, em Provezende. Em vez disso construíram-se duas grandes escolas, dobrando a capacidade prevista na Carta Educativa: uma no Burgo e outra em Rossas … e foram encerradas as escolas de: Várzea,  Souto Redondo e Urrô, Porto Escuro e Soto no Burgo, Santa Maria do Monte e Parada em Santa Eulália, Ribeira, Bacelo e S. João em Tropeço e Provezende em Rossas.

A de Rossas foi construída com o compromisso (escondido) da Câmara Municipal de Arouca de lá concentrar os alunos de Rossas, Urrô, Várzea e Tropeço. Perante o levantamento popular em Tropeço aquando do encerramento da escola, a autarquia, ardilosamente, desviou a atenção do essencial – o encerramento da escola – para o acessório – para Rossas é que não vão – e ofereceu uns doces – pagamos o transporte e as AEC são em Tropeço. E assim ficou. Entretanto um milhão de euros era gasto na EB1/JI de Arouca na requalificação da escola, resultando da intervenção uma diminuição de capacidade, de 8 para 6 salas de aula.

Agora temos um problema para resolver. Um problema pedagógico, que prejudica tanto Arouca e Burgo, por via da sobrelotação das turmas e das escolas, como a Boavista e Rossas, porque faz pairar sobre estas escolas o espectro do definhamento e desaparecimento. Um problema criado pela autarquia ao agrupamento. Fruto de mau planeamento e eleitoralismo. Um sinal para os tempos de municipalização que se vislumbram no horizonte.

Um feliz mês de Agosto!

Ver também: “Francisco Gonçalves”

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