Custou-me a engolir, mas pelo menos fiquei a saber que – partindo do princípio que a análise dos comentadores desportivos merecem crédito – que a vitória do Sporting na Supertaça, não se deveu a um golo, fruto de um fortuito ressalto da bola no calcanhar de um jogador verde-e-branco, enquanto este atravessava, inopinadamente, a grande área benfiquista, mas a um sofisticado processo de jogo activado pelo genial «cérebro» do treinador Jorge Jesus. Mais precisamente, pelo seu promíscuo cortéx angulado anterior.

O pior (pelo menos, para a minha fé benfiquista) nem foi saber que o Benfica, há mais de cem anos, habituado a «ganhar» e a disputar «finais», tendo mudado «zero» na sua equipa bicampeã e não devendo «nada» à massa dos adeptos, nem à massa dos jogadores, ou tão-pouco à massa do presidente e dos directores e, muito menos, à massa massa (leia-se, money money), afinal, durante seis anos, não passou de uma «ideia» inventada pelo «cérebro» de um tipo, cuja sintaxe é uma decepção maior do que a que tive, quando aos quatro anos meu pai me revelou que o Pai Natal não existia.

O pior também não foi eu ficar a saber que o Sporting, afinal, não conhecendo, «há muito», o que eram «finais» (coisa, aliás, que eu já sabia) e, muito menos, de as «ganhar» (coisa, aliás, que eu já constatara, não indo, «há muito» o Sporting às ditas «finais»), com a simples contratação do «cérebro» de J.J., agora até mete «medo» aos adversários e é mesmo «candidato ao título».

O pior mesmo (pelo menos, no que diz respeito à arte e ao ofício do cautchú) foi descobrir que – quase aos sessenta anos – os remates de Eusébio, as fintas de Best, as chicuelinas de Chalana, os raid´s de Ronaldo, os slalon’s de Messi, não tinham nada a ver com a biqueira das botas dos jogadores, mas com o número de receptores neuronais de vasopressima dos treinadores. E, entre estes, pelo menos ao nível do excesso de depomina nos pentâmetros jânticos detectado em J.J. – partindo do princípio que o aparelho de ressonância magnética não se enganou – não há treinador que lhe chegue aos calcanhares. Comparado com ele, até o Special One pode arrumar as botas.

Rui Vitória não o podia saber antes de ir para o Benfica, mas as razões da sua perdição (descontado erros seus e má fortuna) terão sido, na verdade, testosterona a mais e vasopressima e exotoxina a menos, ou então fraca actividade do seu gene AVPRIA. E a constatação vale, mutatis mutandi (que é com quem diz testosterona por testosterona mais estrogénios), para o incauto basco Lopotegui do F.C. Porto que, só agora começou a perceber, que o problema do futebol português resume-se a uma questão de mais ou menos massa encefálica.

Mas o problema, para já, está nas mãos dos comentadores da bola que, na pressa de tanto «empurrarem» a bola fora de campo, ao atribuírem todos os favoritismos da bola ao «cérebro» de J.J., também deviam, desde já, atribuir-lhe o seguinte título – O Special Brain.

Arouca, 10 de Agosto de 2015

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