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Desde o início de mandato que os governantes do agora PAF ostentam nas lapelas pins da bandeira nacional, à americana. Pretenderam obviamente fardar-se de patriotas e fizeram-no como o fazem os parolos – imitando os norte-americanos. Se lhes dessem mais tempo, ainda os veríamos a cantar o Hino Nacional de mão no peito.

O pior é que o pin não era apenas uma farda, nem sequer um disfarce, era um bilhete de identidade.

Identificava, à partida, a trupe que aí vinha, cuja característica essencial se mostrou o oposto do patriotismo arvorado na bandeira ao peito: o desprezo radical pelo povo e o solo pátrios, desprezo enxertado numa ignorância desmedida da História nacional.

As provas do desmando aí estão, com privatizações não apenas a mata-cavalos, não apenas a qualquer preço, não apenas em vassalagem aos capitalistas, não apenas sobre tudo o que mexe no Estado mas, sobretudo, altamente lesivas na desapropriação pública de serviços fulcrais para o funcionamento da sociedade, como nos interesses políticos, económicos e estratégicos do próprio Estado.

Veja-se os CTT. Tratava-se de uma empresa estratégica garantindo o serviço público das comunicações e que dava lucros. Afrontando o protesto maciço dos trabalhadores e das populações, que viam fechar as suas estações de correio com prejuízos sérios para vastos sectores das populações isoladas, o Governo cumpriu milimetricamente as exigências dos futuros «donos» («limpar» os CTT de serviços «pouco rentáveis», arcando o Estado com a impopularidade da medida), deixando o País com uns serviços de correios altamente assimétricos e ineficazes nessa assimetria, mas com lucros garantidos para os «accionistas».

A propósito das privatizações, agora «fundidas», da EDP e REN, o Tribunal de Contas foi taxativo, há dias: o Governo não tomou medidas legislativas «que acautelassem os interesses estratégicos do Estado português após a conclusão do processo de privatização», enquanto a privatização da PT – um dos «gigantes» do mundo empresarial português – mergulhou numa vertigem de corrupções com o BES/GES à mistura, que já quase liquidou a empresa e a reduziu a trocos.

Mas já em final de mandato – ou seja, nos últimos meses – a turba governamental entrou em frenesim, procurando privatizar o «banco bom» do BES (o Novo Banco), a TAP, os Metropolitanos de Lisboa e Porto, os STCP no Porto e a Carris em Lisboa, tudo a galope, em sucessivos «ajustes directos», concursos da treta reduzidos a um único «comprador», tudo subvertendo as mais elementares regras da negociação, tudo atropelando legislações múltiplas e a própria Constituição.

Esta gente vai ser varrida dentro de menos de um mês.

 

 

in “Avante” a 10 de Setembro de 2015

 

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