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foto_mtiagoO PCP mudou. Uma autêntica perestroika. Uma profunda desfiguração do partido marxista-leninista, operário e comunista. Abandonando os seus princípios e contra muitos dos seus militantes deixando de lado as bandeiras fundamentais sobre a NATO, a renegociação da dívida, a preparação do país para a saída do Euro e o controlo público da banca, o PCP torna-se muleta do PS para que o PS chegue ao poder.

O PCP é um partido revolucionário, cristalizado no tempo e nos  seus princípios anacrónicos, dogmático, sectário e sem respeito pelo regime democrático que vai colocar em causa a estabilidade da zona euro, com a saída impulsiva da moeda única, da União Europeia e da NATO, ao mesmo tempo que não quer pagar a dívida, quer destruir a iniciativa privada e ocupar as propriedades dos que as adquiriram com suor. A coreia do norte será o parceiro comercial privilegiado e o país ficará sem financiamento nos mercados.

Nada espanta que possamos, nos dias que correm, ler ambos os parágrafos numa página de jornal. O primeiro parágrafo destinado a inquietar militantes e simpatizantes do PCP e o segundo destinado a acicatar as franjas mais reaccionárias contra a constituição e contra a possibilidade de construção de um governo alternativo que não permita a continuidade do PSD e do CDS no poder.
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Ambas as teses, contudo, assentam nas habituais caricaturas. Só faz sentido aceitar a primeira se aceitarmos a caricatura que faz do PCP um partido alienado do sistema político e até do regime democrático, fechado em si mesmo, anti-democrático, sectário e dogmático. Ao mesmo tempo só faz sentido aceitar a segunda tese se alinharmos precisamente na mesma caricatura. Na primeira tese, o PCP desvia-se da caricatura e isso é uma desfiguração. Na segunda mantém-se a caricatura e isso assusta muitos portugueses que do PCP nunca viram outra coisa senão o que a comunicação social veicula, ao mesmo tempo que encoraja e toca a reunir as mais agressivas componentes da burguesia e da direita reaccionária e fascista.

Há depois ainda duas teses híbridas:

1. o PCP está numa viragem oportunista e pretende uma aproximação ao PS, conduzindo o Partido a um futuro não muito brilhante, nem muito comunista. Essa tese é única exclusivamente construída com base no comportamento institucional do PCP e ignora o comportamento dos comunistas no movimento operário, no movimento sindical, no movimento estudantil, nos movimentos sociais em geral e desliga a componente institucional da componente de massas e do movimento de reforço orgânico do Partido que está em marcha. Ou seja, os que pudessem defender a ideia de um comportamento oportunista do PCP, ou mesmo institucionalista, fá-lo-iam exactamente apenas com base naquilo cuja importância relativizam – a luta institucional. Tal como estariam a ignorar os anos de sucessivas lutas pela derrota da política de direita e pela derrota, em particular, do Governo PSD/CDS, e a conjuntura criada por esse anseio, conjuntura essa que tem influência determinante, quer nos resultados eleitorais, quer na expressão institucional que o PCP deu a esses resultados, virando completamente o cenário político, evidenciando o que estava escondido: PSD e CDS derrotados quando estes cantavam vitória com o amparo despudorado de Cavaco.

2. o PCP está apenas a aproximar-se do poder para, pela calada, impor um regime ao estilo soviético em Portugal. Não se preocupem os que possam temer tal golpe. Os comunistas portugueses nunca acreditaram no golpismo nem no putschismo. A luta de massas é o caminho que decidimos construir e percorrer. O terrorismo sempre foi cartada da direita e o golpismo e putschismo é coisa sobre a qual Paulo Portas e Passos Coelhos vos podem dar umas dicas. Afinal de contas, foi Paulo Portas que trepou até Vice-Primeiro-Ministro com 11% dos votos e em coligação pós-eleitoral depois de uma demissão irrevogável e foi Passos Coelho quem chegou ao poder com os votos dos que estavam contra a austeridade do PS/Sócrates apenas para aplicar um programa de reconfiguração do Estado nunca declarado, tomando o poder com a mentira e agora tentando a todo o custo manter-se no governo, independentemente de ser claro que a composição da Assembleia da República que resultou de eleições indica que governaria contra 62% dos portugueses que votaram.
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