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De cabeça perdida e com as camadas de verniz democrático com que se foram cobrindo a estalar, os círculos políticos do grande capital procuram salvar PSD e CDS da derrota a que a sua política e a luta que lhe fez frente os conduziu. Ninguém está faltando à chamada para dar voz ao coro de golpistas que aí está. É vê-los, um a um, agitando espantalhos, ameaçando com o caos, verberando a Constituição. De um lado as principais confederações patronais, com agrários e monopolistas à cabeça, a papaguear o guião encomendado. De um outro, Passos Coelho bramando por uma revisão constitucional à medida das suas ambições, sob a ameaça da desestabilização que a sua coligação anuncia. Ao que parece uns e outros, inconformados com os resultados e a nova composição da Assembleia da República, reclamando que haja eleições e resultados mais compagináveis com o seu inconformismo face às regras do regime democrático. Ou seja, conhecendo o europeísmo das criaturas e a conhecida técnica de na União Europeia se obrigar à repetição de actos referendários até que o seu resultado corresponda ao que previamente se desejava que fossem, o que Passos, Portas e companhia ambicionam é mesmo um sistema que assegure, nem que seja à enésima vez, o resultado que consideram ser tolerável.

Enquanto o coro afina vozes, Cavaco refugiou-se na Madeira. Almas mal intencionadas dirão que sempre que PSD e CDS correm perigo é naquela região que o Presidente se inspira para buscar solução para os salvar. Assim foi na crise do «irrevogável». Com uma substancial diferença, faça-se justiça. Então com as carragas no seu roteiro, agora com a produção de douradas. Os próximos dias dirão se a alteração de espécies ditarão reflexão diversa. Entretanto o País espera, mesmo que mais a Norte do Atlântico Marcelo se lamente com a lentidão do processo em mais uma daquelas afirmações que, sob as suas usuais e enigmáticas formulações, desaguam sempre naquele objectivo que o próprio sintetizou «mesmo quando não pareço estou a favorecer o PSD». Uma coisa é certa. O respeito pela Constituição da República e pelo regime democrático exigem que, sem mais demoras, Cavaco Silva dê cumprimento àquela que é a vontade expressa sem equívocos pela maioria de deputados que compõem a Assembleia da República.

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