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Os PR deviam ter cognomes como os reis. Cavaco poderia passar como “o tartufo”, assemelhando-se à personagem de Moliére que se escudava nos desígnios divinos para as suas traficâncias. Cavaco, escudou-se no “interesse nacional”, entendido como a submissão aos “mercados” para as traficâncias neoliberais. Cavaco foi um exemplo da vacuidade reacionária e de indisfarçável rancor pelos ideais do 25 de ABRIL, basta ver os seus discursos (e ausência) nas comemorações desta data.

Cavaco foi promovido durante anos para ser PR, por quem controla social. Banalidades, sempre no contexto do “pensamento único” neoliberal, eram citadas nas primeiras páginas e nos horários nobres como verdades absolutas e expressões de algum oráculo. A contradição nunca foi relevada, as mentirolas também não (as mais recentes: caso BES, os “cofres cheios” – de dívida! – o “bom caminho”, os” “resultados alcançados”, etc.).

Para a sua sucessão os interesses da direita puseram a correr vários “fazedores de opinião”. Uns não se mostraram muito interessados (as mordomias nas administrações convinham-lhes mais) outros não se mostraram relevantes na opinião pública.

Marcelo partiu com nítida vantagem. Estava numa tranquila “pole position” há anos, correndo sozinho no canal líder, no horário nobre no dia de maiores audiências. Teve em dado momento um competidor: J. Sócrates, que lhe tirou audiências, Marcelo sempre falou sem contraditório, Sócrates teve nos entrevistadores adversários, porém fazia ao governo PSD/CDS uma oposição até mais eficaz que o PS na AR. Com razão ou sem ela foi silenciado.

Marcelo, funâmbulo, político, porquê? Porque as suas charlas não passavam de um exercício de equilibrismo e também escamoteação, para defender o indefensável: a austeridade, as “inevitabilidades” da UE e da troika, em resumo o pensamento único neoliberal, parecendo dizer o contrário.

A eficácia da sua técnica resumiu-se a seguir a dos comentadores futebolísticos, quer antes quer depois dos jogos, na generalidade irrelevantes, mas destinadas a entreter os adeptos e fornecer-lhes motivos para continuarem a sê-lo.

Para avaliar os seu discursos deve ser recordado com, por ex., três meses de intervalo. Tudo se reduz então à vacuidade apenas dito com mais habilidade que congéneres.

A sua real dimensão política e aptidão para PR permanecem ignoradas da generalidade, como foi a de Cavaco, pela simples razão de não ter tido opositores ou contraditores. Defendia boas intenções e bons sentimentos, que servem normalmente para ocultar maus motivos. Expandia também as ideias simples postas a circular, mas falsas, como a de assimilar a economia do Estado, portanto coletiva e que se supõe soberana à economia doméstica.

Para avaliar a nível político de Marcelo, recordo uma frase. Diziam os antigos: “o homem superior, discute ideias, o médio coisas, o medíocre pessoas. Marcelo, não discutia ideias, neste caso políticas, discutia coisas, neste caso acontecimentos e a mais das vezes enredava-se em intenções de pessoas. Marcelo, não ultrapassa, pois, a mediania com elevado grau de mediocridade. O resto é exibição funambulesca. Tem uma vantagem sobre Cavaco, não é inculto ao ponto de desconhecer os Lusíadas, e confundir o autor da Utopia com o de Os Buddenbrook ou A Montanha Mágica.

in “Foicebook” a 13 de Dezembro

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