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Vivemos um tempo de desmedida competição, competição entre indivíduos, entre instituições, grupos profissionais, agremiações, etc.. O valor dos indivíduos, dos grupos e das instituições esgota-se no seu valor competitivo, no seu valor comparativo, obtido através de sistemas de quantificação, cada vez mais complexos e sofisticados. Como se a vida humana, toda a vida humana, fosse uma espécie de campeonato.

Dizem os ideólogos da matéria que devemos olhar a desigualdade entre indivíduos, grupos, instituições, não como um problema mas como uma potencialidade, o motor da dinâmica  de uma sociedade, até porque, dada a complexidade das sociedades actuais, o conhecimento e o capital não são os únicos elementos a considerar, as circunstâncias e o acaso são de igual modo relevantes.

Resumindo, tudo se centra na atitude do indivíduo (o empreendedor), de cada grupo, instituição, país individualmente considerado, naquilo que consegue fazer produzir a partir daquilo que dispõe. As liberdades e as responsabilidades são individuais, o resto são lamúrias.

Há dias, por força da cobertura jornalística dada aos campeonatos de exames nacionais do ensino básico e secundário, vulgo rankings, tivemos o habitual fartote de vaidades e publicidades, por parte dos “melhores”, e de vergonhas e lamentos por parte dos “piores”.

Arouca, à semelhança de outros anos, não ocupou nem os lugares cimeiros nem os últimos. Aqui fica um “campeonatozito” concelhio (dados do jornal Público).

CLASS. ESCOLA  – EXAME RANKING NACIONAL POSIÇÃO RELATIVA (%)
EBS Escariz – 6º ano 231 em 1163 20 em 100
EBS Escariz – 9º ano 451 em 1225 37 em 100
EB1 Arouca – 4º ano (*) 539 em 1348 40 em 100
EB Arouca – 6º ano 537 em 1163 46 em 100
ES Arouca – secundário 296 em 625 47 em 100
ES Arouca – 9º ano 736 em 1225 60 em 100
EBS Escariz – secundário 524 em 625 84 em 100

(*) – apenas este estabelecimento foi ordenado, uma vez que foi o único do concelho com mais de 50 provas.

O que ficamos a saber que não saberíamos com a avaliação interna? Nada! Que conclusão sobre a qualidade das aprendizagens e dos processos e métodos pedagógicos utilizados? Nenhuma? As médias da EB1 do Burgo, 3,56, e da EB1 de Ponte de Telhe, 2,50, reflectem a qualidade do projecto educativo, dos professores, da prática pedagógica ou o potencial dos alunos examinados? Haverá alguma relação entre a procura de um estabelecimento e os resultados dos exames?

Talvez haja mais vida para lá da concorrência e da competição!

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Arouca, 18 de Dezembro

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