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Bagão Felix escolheu a frase “Edgar Silva tenta fazer a impossível síntese evangélica do marxismo” para caracterizar a candidatura presidencial de Edgar Silva, o candidato apoiado pelo PCP e que durante muitos anos foi padre na diocese da Madeira.

Esta expressão, mais concretamente o significado que politicamente encerra, remete-nos para uma eventual impossibilidade de coabitação entre cristianismo e comunismo, empurrando-nos para o passado e para uma certa leitura da frase “a religião é o ópio do povo”.

Frase-síntese datada, uma crítica de Karl Marx à filosofia e aos pensadores conservadores de então. Eram tempos de oposição entre fé e razão, entre o movimento operário e a(s) Igreja(s). Hoje, cento e setenta e dois anos depois, com a experiência histórica acumulada que temos, fé e razão são duas dimensões humanas perfeitamente coabitáveis.

O que une o Opus Dei e a Juventude Operária Católica não é o seu pensamento político, é a fé católica, o que unia o católico fervoroso Mário Castrim e o ateu assumido José Saramago não era a crença religiosa, mas o facto de ambos serem comunistas e militantes do PCP.

Regressando à frase-título deste texto, não  há nenhuma tentativa de síntese evangélica da marxismo, há uma candidatura presidencial, com um projecto político e um candidato, Edgar Silva. Um projecto político, patriótico e de esquerda, que não merecerá o voto de Cavaco Silva ou de Durão Barroso, de Passos Coelho ou de Paulo Portas, de Bagão Felix ou dos administradores que tão exemplarmente têm falido a banca portuguesa. Esses, por certo, votarão Marcelo Rebelo de Sousa, alguns Maria de Belém.

Da biografia do candidato Edgar Silva o que fica do seu contributo cívico, seja dos tempos em que exerceu o sacerdócio católico, seja hoje como militante comunista, é a sua dedicação à causa dos mais desfavorecidos, dedicação comum a muitos dos seus concidadãos, democratas e patriotas, católicos e não católicos, comunistas e não comunistas. É a estes que Edgar Silva se dirige e é com estes que Edgar Silva quer contar.

O ir ao encontro do povo, dos seus problemas e dos seus anseios e tomar partido pelas suas aspirações e reivindicações é algo que tem faltado na presidência da república – nem mais nem menos o primeiro representante do povo português -, muito especialmente na última década. Foi essa marca que Edgar Silva trouxe a esta campanha presidencial. As várias  entrevistas e reportagens biográficas existentes demonstram isso  mesmo.

Arouca, 14 de Janeiro

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