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Na tv, um príncipe dobra-se como um peixe acabado de pescar.

A morte tirou- lhe o ar, a cor, o som,

dobrando-o sobre uma guitarra,

 como se estivesse deitado num palco mortuário.

Notícias assim abertas, onde já nada se reflecte,

apenas esperam os dedos que possam fechar a voz do locutor,

escondendo o vazio de onde toda a música desapareceu.

Entretanto, a campainha da televisão toca,

indicando a hora de mudança para o mundo dos vivos.

Deixo-a sem lhe fechar os olhos, e sinto,

atrás de mim, «purple rain»  a soar.

Então, uma luz de cinza,

como se uma púrpura chuva caísse à minha volta,

prende-me de novo à memória deste meu príncipe;

chove, Prince, chove,  que eterna será a tua música!

 

Porto, 21/04/2016

Álvaro Couto