Etiquetas

Por razões pessoais e profissionais não pude participar na Assembleia Municipal da semana passada e intervir, no período destinado aos munícipes, sobre dois problemas actuais (e futuros) de Arouca. Vou aproveitar esta coluna para os assinalar.

O primeiro problema é a incontornável questão do ordenamento da floresta. Há um ano atrás, aquando dos quinhentos hectares ardidos em Canelas e Espiunca, Artur Neves afirmava que a autarquia pouco poderia fazer pela floresta, tendo em conta as competências dos municípios e a falta de união entre os particulares.

Actualmente, depois da calamidade que se abateu sobre Arouca, julgo que ninguém, autarcas, proprietários florestais e cidadãos, pode assobiar para o lado. Reconhecendo as dificuldades existentes, a impossibilidade de avançar com um plano global de (re)florestação e de limpeza da floresta, pela dimensão dos montantes que isso comportaria, julgo ser possível, contudo, avançar por nichos, por zonas prioritárias.

A questão que se coloca é o que é que a autarquia pretende fazer, no plano imediato, na contenção dos solos e da contaminação dos cursos de água e, no médio prazo, no ordenamento da floresta, enquanto proprietária florestal, no relacionamento / reivindicação junto do poder central, e na reunião de vontades entre proprietários florestais, respectivas associações  e conselhos directivos dos baldios?

O segundo problema tem que ver com o fenómeno de concentração / desertificação de alunos do 1º ciclo do ensino básico em curso no vale do Arda.

Hoje em dia, pela mão dos executivos presididos por Artur Neves, é justo reconhecê-lo, existem salas de aula, com boas condições, suficientes para os alunos do concelho. No entanto, desde há dois anos, e em acentuação, temos as escolas da Vila e do Burgo com turmas XXXL e a rebentar pelas costuras e as mais periféricas com alunos a menos. A não ser corrigida esta tendência, o epílogo deste fenómeno será a criação de mais salas de aula na Vila e no Burgo e o encerramento progressivo das escolas mais periféricas.

As turmas do primeiro ciclo da Vila e do Burgo têm hoje alunos de quase todas as freguesias do concelho. Não pondo em causa a opção de muitos pais, decorrente de razões profissionais ou familiares, também é verdade que este fenómeno centrípeto decorre de percepções que escapam a essas razões, facto estranho, uma vez que todas as escolas têm o mesmo horário, bons equipamentos, a mesma organização pedagógica e os mesmos professores.

Interessa a todos uma distribuição mais racional dos alunos pela rede escolar do concelho. A autarquia tem um papel fundamental no reequilibrar da situação. O facto de Artur Neves estar em fim de mandato não é uma debilidade, muito pelo contrário, é uma potencialidade, assim o entenda o executivo camarário.

Arouca, 9 de Outubro de 2016