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Ouço as canções de Bob Dylan, sob um céu de chuva no Porto. Quase que dá para pensar em Woodstock, ou noutro sítio assim, onde quando chove se canta.

Gosto dessas músicas, que martelam sílabas secas, apenas com uma guitarra que empurra os sentidos para o fim da frase. Gosto também destes dias de chuva, quando ela vem do Sul, enquanto os cinzentos cantam, com tons negros na sua base, um destino sem sorte.

Mas a chuva vem do Norte, com o rumor apressado de quem não está para ficar. Daí, que ela não cante. Assim, coleciono apenas os sons de Bob Dylan, como gotas ásperas na boca, bebendo até ao fim as suas canções em que não entra a chuva, como se fosse começar um grande nevão.

Tão-só, temos Dylan a cantar, com uma nuvem em cada mão e, agora, com uma coroa na cabeça.

Aí, então, me pergunto: é chuva que desceu à terra ou é Dylan que, finalmente, subiu ao céu? 

 

14/10/2016

Álvaro Couto