Numa divertida entrevista ao Público (21/10) Passos Coelho disse que a desconfiança neste governo custaria 350 milhões de Euros.

Grande democrata !

Para Passos Coelho Portugal nunca deveria ter um governo que fosse penalizado pelos mercados. As maiorias que o povo português escolhe, para Passos não contam nem interessam, o que conta é o parecer dos mercados . Não há na sua declaração nenhuma critica , nenhum indignação , nenhum sobressalto e até se advinha alguma satisfação por Portugal estar com dois pontos percentuais acima da Espanha nas taxas de empréstimo…

Mas quem tem estado a fomentar a especulação e a dita desconfiança ?

Não foi precisamente o ministro das finanças alemão que disse , pouco tempo depois da formação do governo , que Portugal iria precisar de um novo resgate para depois se desdizer atabalhoadamente ?

A seguir às suas declarações as taxas de juro (Yelds) subiram . Não foram todos aqueles que andaram a alimentar a saga do ” resgate ” para criar o clima favorável a um parecer negativo da DBRS convencidos que  essa era a inclinação do BCE  e que a meta do défice para 2016 não seria atingida ?

Não foram todos aqueles que andaram a dizer que a DBRS no dia 21 iria dar o golpe de misericórdia a este governo , Passos , Maria Luís , Pedro Brás Teixeira, comentadores e imprensa  nacional afecta ao PSD e CDS , alimentando a especulação internacional ? Não foi o BCE que já há muito poderia ter feito as declarações que fez no dia 20 e que fizeram de imediato baixar as taxas de juro , se não estivesse também na pressão e chantagem sobre a elaboração do Orçamento Português ?

O Brexit , a crise do Deutsch Bank  , a situação em Espanha com a Comissão e o BCE no faz de contas para  evitarem mais um governo que ponha em causa a sua ortodoxia , os actos eleitorais que se avizinham , a situação da banca em vários países , os refugiados , os Orçamentos da Itália e Irlanda em confronto com as sacro santas regras ” europeias ” não permitiram o golpe à Brasileira .

A factura do acréscimo de juros , a factura desta hipocrisia devia ser endossada por inteiro a estes golpistas que agora fundam a sua esperança num futuro parecer da DBRS. Veja-se , por exemplo, Daniel Bessa no Expresso de 15 de Outubro e outros a esperar já por Abril data da nova posição da DBRS erigida em garante da sustentação da República Portuguesa, teleguiada pelo BCE e por quem nele manda directa e indirectamente. O Golpe continua suspenso para desespero dos grandes senhores do dinheiro e dos seus representantes políticos.

Carlos Carvalhas