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Em matéria de alertas,

não vale a pena o silêncio tranquilo na restante comunicação social,

nem as luzes foscas dos estúdios das tv´s nacionais e internacionais,

nem essa fome de notícias que entra por dentro da alma de qualquer jornal,

nem as nuvens dos acontecimentos que se foram sem que chovesse,

nem a mancha de tinta nos dedos dos jornalistas,

nem a transparência das águas dos factos.

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Em matéria de alertas, o que vale a pena são os alertas CM:

o bater de asas do Piloto sem mais nada em volta;

o ruído do excesso de vozes envoltas em fumo;

os relatos de futebol sem bola e jogadores à volta no écran;

a erosão nas margens do mais pequeno acontecimento

(seja um traque dado por um velhote em Freixo de Espada à Cinta,

seja um tiro da shotgun de um polícia na Amadora,

seja um furor de uma rixa entre vizinhos num bairro qualquer,

seja um arrufo de namorados quando a noite termina),

cuja tempestade não tem qualquer outra volta a dar.

 

E, ainda, aquele microfone lançado para o fundo de um lago,

no golo mais nítido e puro de Cristiano Ronaldo,

quando não há mais paciência para se dar a volta aos alertas CM.

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