Etiquetas

, ,

Jerónimo de Sousa recusou que se tenha deixado “seduzir” pela liderança de António Costa. Em entrevista à SIC, esta terça-feira à noite, o secretário-geral do Partido Comunista Português, referiu que desde o começo de todo o processo, a relação com o primeiro-ministro se tornou mais “clara”.

“O primeiro-ministro não me seduziu. Cada um sabe das divergências que existem. A franqueza existiu sempre e naquilo que é convergência e compromisso, tenho, inevitavelmente, de registar que nunca tive posições dúplices, de alguém a tentar enganar alguém”, afirmou Jerónimo de Sousa. “É uma relação que está mais clara e sem perder o sentido de limite”, acrescentou.

Questionado sobre a relação com o Bloco de Esquerda, o líder comunista defendeu que “há um relacionamento normal” e de “convergência em termos de voto em muitas matérias”, lembrando que, à semelhança do que acontece também com os socialistas, existem pontos em que não há acordo.

“O nosso problema não é o Bloco, são os problemas estruturais que, se não forem ultrapassados, criarão uma situação insustentável, que se pode transformar numa contradição insanável, de querer sol na eira e chuva no nabal”, insistiu.

Ainda sobre o BE, Jerónimo de Sousa referiu que “todos ganham com a tal clareza e transparência” e, tendo o PCP “iniciativa legislativa”, o partido não aprecia muito “que alguns se ponham à frente a tomarem-na como sua, como se fossem pioneiros na iniciativa”.

“Não é bem um sentimento de comodidade que, neste ou naquele aspeto, queiram passar-nos à frente, levantando uma bandeira que o PCP já tinha levantado. O sentimento que temos é de esclarecer. O seu a seu dono”, defendeu.

PCP APROVA ORÇAMENTO NA GENERALIDADE

Jerónimo de Sousa voltou a confirmar que o PCP vai apoiar na generalidade a proposta de Orçamento do Estado para 2017, embora admita que na especialidade haja pontos a trabalhar, sublinhando que este é “um Governo minoritário do PS e não se trata de uma coligação ou de um Governo de esquerda”.

Garantiu que não está na discussão de “pé atrás” e relembrou que um dos “princípios fundamentais” do PCP é “não perder uma oportunidade de repor rendimentos e direito”.

“É o costume. Já estamos habituados a estar neste quadro de pressões e chantagens”, atirou Jerónimo quando referida a carta, esta terça-feira enviada pela Comissão Europeia em que se fala de “riscos de desvio significativo” no défice estrutural e são pedidas mais informações.

Jerónimo de Sousa insistiu uma vez mais na necessidade de Portugal renegociar a dívida, defendendo que existe “uma fatia de leão”, relativa a montantes e juros, cujo valor poderia “quase acabar com a pobreza em Portugal”.

“Estamos a falar da necessidade de rever prazos, montantes, juros da divida”, explicou. “Enquanto devedores também temos direitos, interessa aos credores que Portugal resolva a situação”, acrescentou.

Em entrevista à SIC, Jerónimo considerou que Marcelo Rebelo se Sousa “está a assumir os poderes e as competências que a Constituição da República Portuguesa lhe atribui, no seu estilo muito próprio, que não me agrada nem desagrada, é do feitio do Presidente. Agora, acho que não abdicou do seu pensamento ideológico, das suas origens. Enquanto cumprir e fizer cumprir a Constituição acho que é um elemento fundamental”.

in Expresso a 25 de Outubro