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Querem-nos fazer crer que acreditavam piamente que a União Europeia é uma união entre iguais, tal como acreditam no pai natal!

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A confissão de Hollande no livro «Un Président de devrais pas dire ça» sobre o acordo secreto que fez com o impoluto Barroso e o não menos impoluto Junker para maquilhar as contas do défice Orçamental francês, deixando a França de fora de um processo de défice excessivo, causou um vivo repúdio de europeístas comentadores e até de deputados europeus da direita como se nunca tivessem dado conta dos dois pesos e duas medidas, uma para os grandes países e muito especialmente para os do Directório e outra para os pequenos e da periferia. 

Querem-nos fazer crer que acreditavam piamente que a União Europeia (UE) é uma união entre iguais, tal como acreditam no pai natal! Querem agora mostrar o seu patriotismo com pública e prolixa indignação. Os europeístas socialistas também gostariam de fazer o mesmo número mas estão mais contidos.

Coitadas destas almas que pensavam, na sua boa fé, que Portugal era na UE um país soberano e independente! Ainda não tinham dado conta que o presidente da Comissão Europeia já tinha afirmado que a «França é a França», como ainda não tinham reparado na longa condescendência para com a Espanha, com um défice muito superior ao de Portugal, o que lhe tem permitido aumentar o investimento e o crescimento para dar chances a Rajoy e ao PP espanhol.

Nunca repararam nas diferentes posições tidas pela UE em relação aos referendos realizados na Irlanda, Dinamarca, França e com o Brexit na Grã Bretanha. Mas estes paladinos da democracia o que no fundo lamentam é que Hollande tenha tornado público o dito acordo.

No Público de domingo passado, Teresa de Sousa diz-nos que «Hollande reconhece que deu ordem aos serviços secretos, para matarem quatro pessoas». E esta irrelevante confissão, esta caridosa banalidade, citada no meio do texto tem este magnífico comentário, certamente em nome dos «Direitos do Homem»: «Não é que não haja decisões deste género em democracia, desde que fiquem mesmo secretas».

Leram bem? Não esfreguem os olhos. 

Na democracia deles mandar os serviços secretos matar quatro pessoas, os jagunços à mão, é aceitável desde que fique, «mesmo», atenção, «mesmo secreto».

Por mim ponto final.

Está tudo dito.

in “AbrilAbril”