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Por que será que desta vez a prolixa Maria Luis não comentou?

Notas sobre a estimativa rápida do PIB no 3º trimestre de 2016

  1. De acordo com o INE, o PIB cresceu em termos homólogos no 3º trimestre 1,6% e em cadeia 0,8%. Estes dados encontram-se corrigidos de sazonalidade, o que quer dizer que a aceleração que se deu na actividade económica no 3º trimestre do ano não tem um carácter sazonal, não resulta do efeito verão, mas sim de uma clara e efectiva melhoria registada na actividade económica. Enquanto nos dois 1ºs trimestres do ano a nossa economia estava a crescer em cadeia (em relação aos trimestres anteriores) a um ritmo de 0,3%, no 3º trimestre esse ritmo acelerou para 0,8%. Desde o 3º trimestre de 2009, não se registava num trimestre idêntico tão elevado ritmo de crescimento em cadeia. Esta aceleração faz com que em termos homólogos o PIB cresça agora a um ritmo de 1,6%, enquanto nos dois 1ºs trimestres do ano crescia a um ritmo de 0,9%.
  1. É possível dizer-se com os dados agora divulgados pelo INE e dado o efeito arrastamento que eles têm no cálculo do PIB anual de 2016, que mesmo que a variação em cadeia no 4º trimestre do ano seja nula (uma estagnação em relação ao 3º trimestre), hipótese improvável com os dados já conhecidos de Outubro, o PIB crescerá 1,2% neste ano. Basta no entanto que o PIB cresça entre 0,3% e 0,6% no 4º trimestre, para que esse crescimento suba já para 1,3%. Se essa variação em cadeia no 4º trimestre for idêntica à do 3º trimestre, então o PIB em 2016 atingirá 1,4% de crescimento.

  1. Com a divulgação destes dados referentes ao 3º trimestre do ano, fica claro que após um 2º semestre de 2015 de clara desaceleração da nossa economia, que se prolongou pelo 1º trimestre de 2016, a nossa economia iniciou no 2º trimestre do ano a recuperação da actividade, para no 3º trimestre se confirmar inequivocamente a sua aceleração.
  1. Os elementos justificativos apresentados pelo INE para esta evolução apontam para o bom comportamento em termos homólogos da Procura Externa líquida (aceleração das Exportações de bens e serviços ao mesmo tempo que as Importações cresceram a um menor ritmo) e da Procura Interna, neste caso em particular do Consumo Privado, em especial Consumo de Bens não Duradouros e Serviços.
  1. Analisando o comportamento da evolução do emprego e do desemprego, um e outro corrigidos de sazonalidade, verificamos que comparativamente com os dados conhecidos em Dezembro de 2015, os dados agora divulgados de melhoria da actividade económica no 3º trimestre de 2016, são o reflexo da melhoria registada no emprego ao longo do corrente ano, mais cerca de 94 mil postos de trabalho criados e menos cerca de 66 mil desempregados, desde o início do corrente ano.
  1. Estes dados, apesar do seu carácter provisório e conjuntural, são já do meu ponto de vista em parte, o reflexo das alterações de política económica que a nova solução política saída das últimas eleições permitiu introduzir. A melhoria que tem vindo a ser registada ao nível do Consumo Privado, reflecte por um lado a melhoria registada ao nível do emprego e do desemprego, ao mesmo tempo que reflecte também alguma reposição do poder de compra dos trabalhadores, quer através da devolução de parte da sobretaxa do IRS, quer através da reposição salarial que gradualmente tem vindo a ser feita aos funcionários públicos. Acredito que a melhoria registada no Consumo Privado ao longo dos últimos meses possa já ter tido efeito nalguma melhoria na evolução do Investimento Privado nos últimos meses. Veremos o que os dados desagregados que o INE irá divulgar sobre a evolução do PIB no 3º trimestre, no próximo dia 30 de Novembro, nos dirão sobre isso.
  1. Quanto à análise do comportamento das Exportações e das Importações de bens e serviços ao longo de 2016, ela não á fácil ser feita tendo em conta, que os dados divulgados para os 1ºs nove meses do ano, são dados em valor e análise correcta terá de ser feita em volume, isto é, só após o conhecimento dos deflatores dos preços das importações e das exportações, conseguimos analisar correctamente o seu comportamento. O INE aponta no entanto para uma melhoria na Procura Externa Líquida, o que significa que as exportações estão em volume a crescer a um ritmo superior das importações e por isso mesmo a ter um contributo positivo para o PIB, o que não deixa de ser surpreendente tendo em conta a forte queda nas exportações para Angola, para os EUA e para a China. Significa isto que tem sido possível compensar estas quebras nas Exportações, com a subida nas Exportações para os países da União Europeia, em particular para a Espanha, a França e o Reino Unido.
  1. Uma nota final para referir que os dados agora divulgados são tanto mais surpreendentes quando eles se verificam apesar de todos os enormes constrangimentos a que o nosso país tem estado sujeito por parte da União Europeia, com o permanente garrote do défice e da dívida a condicionar a política económica prosseguida por este Governo. Apetece perguntar a que ritmo não estaria a crescer a economia portuguesa se mais recursos financeiros fossem libertados anualmente para o investimento público e para apoio do investimento privado?

CAE, 15 de Novembro de 2016