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Nació hombre / y en toro si encendió / como un vuelco de cuernos / de fuerza indomable y razones de luz / Sólo le ata la vida / pues nació para arder bravo /

(quando descobri que a razão de um só homem valia duas vezes mais que a força da gigante América, e que a força de um só homem era superior à razão da luxúria burguesa, que, neste caso, é razão de uma cuba livre servida em casinos e bordéis, já nada podia convencer-me do seu contrário: um touro bravo pode ser o motor do mundo)

Un toro de barbas / de pasión y de aire / arraigado a su pátria / tenazmente soñándola / una verdad en lucha / que surge de una ferida dela Sierra Maestra / y que penetra su arado trastesterrado en Habana / para solidário nos volver y nos fustigar la dignidad / Por lo tanto, la palabra dignidad se refleja en su nombre – Fidel /

(e quando aquilo que faz mover Fidel é a gasolina da sobrevivência humana, em conjugação com o movimento dos pistões da dignidade do seu povo, mais o poderoso acelerador da síntese e da antítese das civilizações, então o sol da «democracia» burguesa não passa de uma lâmpada de sessenta voltes, uma simples faúlha de isqueiro a apagar-se, apenas uma pálida chama de vela numa corrente de ar num qualquer canto obscuro do mundo)

Más luz tiene el cigarro que rompe de la boca de Fidel / un cubano con humo en el viento es como una revolución en movimiento: / pide a la liberdad su altura permanente; / creche como hierba defendiendo llanuras; / grabando del valor de sus ojos / la advertência de un grito: «Revolución o muerte! /

(Com efeito, o sonho da liberdade humana é o mais inconfessável dos pecados: a última blasfémia. Há quem a encontre nos pântanos da Florida, nessa fonte de patacas e crocodilos, comendo não importa o quê, inclusive os animais da sua espécie ou traindo a sua própria classe; há quem a encontre porque, num dia qualquer, julgaram pensar melhor que os outros só para serem excêntricos, ou porque continuam a matar o pai (vide o Freud), ou porque acreditam que a democracia é uma ideologia aristocrática, algo de ateniense, numa sociedade em que as elites gozam todos os privilégios, como esses dandys que, ainda hoje, nos caem pelas fileiras da comunicação social)   

Independencia, pan, salud y educación para todos / se están movendo sus brazos y sus libros / aromas de la liberdad jamás olvidado / la posible sensibilidad en una pequeña isla rodeada de enemigos  / el sol incensante en la Tierra / que quando nació / sempre brillaba para todos/

(Cuba e o princípio fundamental da filosofia e da vida: a luz da matéria contra a treva do espírito.  Nessa pequena ilha, durante décadas o ser e o nada lutaram entre si; e o resultado foi a superação dialéctica dos contrários. Quem foi ao ar perdeu o lugar! Quem disse que a vida nasceu perfeita?  Para ela nascer implica sempre as suas dores de parto. Há quem, tendo passado por esta experiência, continue a desconhecer esta verdade tão elementar, por isso não nos admiremos que os mesmos não reconheçam as razões da força e as forças da razão de um touro bravo como Fidel)

Hoy en día /a los noventa años de su edad de fuego / murió toro de lidia / Sin y con embargo/ Cuba sigue habiendo su emoción de camiños/ Patria o muerte, hasta la victoria sempre!

(Por baixo da terra que milhões de cubanos agora pisam, em cinzas anónimas Fidel partilha o mesmo sono escatológico dos seres humanos: espécies de revolucionários mortos de parto, vítimas de pestes liberais em todos os confins do mundo, juntam os ossos na mais exacta das igualdades, porém nada é tão vivo como a ausência, na Terra, deste autêntico e inteiro touro bravo).

Álvaro Couto, 30 de Novembro