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Fundador do Partido Socialista e seu Secretário-geral de 1973 a 1986, Mário Soares foi ministro de quatro dos governos provisórios após o 25 de Abril, exerceu as funções de primeiro-ministro e de Presidente da República. Foi também deputado à Assembleia Constituinte, à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu.

Durante o regime fascista, participou em estruturas unitárias antifascistas a partir da segunda metade dos anos 1940, tendo sido preso pela PIDE diversas vezes, por curtos períodos.

Após o 25 de Abril, protagoniza movimentações com o objectivo de travar o processo revolucionário, ficando célebre o episódio do 1.º de Maio de 1975 quando quebrou o compromisso assumido de participação no desfile unitário promovido pela Intersindical Nacional.

De primeiro-ministro a Presidente da República

Enquanto primeiro-ministro, a formação do I governo constitucional marca, por um lado, o fim da dinâmica revolucionária e, por outro, a viragem para o desencadeamento do processo contra-revolucionário a partir do governo e da Assembleia da República, onde o PS, partido com maior representação parlamentar, manteve alianças preferenciais com os partidos da direita.

É nesse quadro que, por exemplo, foram aprovadas leis que abriram caminho à posterior privatização de sectores estratégicos (Lei da Delimitação dos Sectores) e ao combate à Reforma Agrária, com a tristemente célebre «Lei Barreto». No plano laboral, foi aprovada a lei dos contratos a prazo e avançados projectos que promoveram a facilitação dos despedimentos colectivos e a restrição de direitos sindicais.

Nas eleições presidenciais de 1980 assume a oposição à candidatura de Eanes, contra o seu partido, que acabaria reeleito com o apoio do PS, do PCP e do PRD. O caminho até à sua candidatura a Belém em 1986 passou ainda por mais dois anos como primeiro-ministro, agora em aliança com o PSD, durante os quais volta a chamar o Fundo Monetário Internacional.

É eleito para a Presidência da República, contando com os votos decisivos dos comunistas perante a ameaça da candidatura de Freitas do Amaral, que federava os sectores mais reaccionários e revanchista do País.

Na década seguinte, divide com Cavaco Silva o protagonismo político de dez anos de privatizações e reconfiguração do tecido económico, com destaque para a revisão constitucional de 1989.

Apesar do anúncio da reforma política em 1996, ano em que abandona as funções presidenciais, é candidato ao Parlamento Europeu, em 1999, e a um terceiro mandato como Presidente da República, em 2006, sem sucesso.

in “AbrilAbril”

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