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No plano internacional vive-se momentos de grande complexidade e de muita incerteza de que, certamente, a tomada de posse do novo presidente dos EUA, Donald Trump, é um sintoma, sublinhando-se, no entanto, que o peso maior está na contínua corrida aos armamentos, designadamente na Europa, onde chegaram mais tropas e material bélico norte-americano, embora, por outro lado, sejam também visíveis alguns progressos na luta dos povos contra as ingerências e guerras, mas mantém-se o drama humano dos deslocados e refugiados e o agravamento das desigualdades sociais e económicas.

Na sequência das decisões da cimeira da NATO, em Varsóvia, no passado mês de Julho, está em marcha a corrida aos armamentos, de que é exemplo a estratégia de reforço às unidades militares integradas na NATO, tendo chegado à Polónia, poucos dias antes da saída de Barack Obama da presidência, um grande contingente de tropas e de blindados norte-americanos, considerado por analistas militares como uma das maiores mobilizações de forças dos EUA na Europa desde o fim da Guerra Fria, o que, naturalmente, originou protestos da Federação Russa, que considera esta situação uma provocação. Registe-se que esta brigada de milhares de soldados e material de guerra vai reforçar o que já existe noutros países vizinhos da Federação Russa e circular na região, incluindo, designadamente, Lituânia, Letónia, Estónia, Hungria Roménia e Bulgária. Mas este reforço tem sido acompanhado também do reforço do arsenal nuclear e do chamado escudo anti-míssil, o que agrava o clima de tensão na região.

Recorde-se que, sobretudo desde a preparação do golpe fascista na Ucrânia, a situação na Europa é caracterizada pelo agravamento da insegurança e instabilidade em resultado da escalada militarista e agressiva promovida pelos Estados Unidos, as grandes potências da União Europeia e seus aliados.

Mas esta deriva militarista e agressiva dos EUA, da Nato e dos seus aliados, designadamente na União Europeia, intensificou-se desde a invasão do Iraque, em 2003, atentando contra os povos e os estados que afirmem os seus direitos, soberania e independência como tem sido visível no Médio Oriente, em África, na Ásia Central e na América Latina, e encerra o perigo do desencadeamento de uma escalada de conflitos que levem ao deflagrar de um confronto de grandes e incalculáveis consequências para a Humanidade.

No entanto, os povos mobilizam-se e lutam, enfrentando a ofensiva imperialista, a brutal barbárie que esta representa e a grande ameaça que encerra. E essa luta corajosa e persistente em defesa dos seus direitos, da soberania e da independência dos seus estados, pela paz, liberdade, democracia, pelo seu direito ao desenvolvimento, à justiça e progresso social, tem, em vários casos, travado a ofensiva imperialista, mesmo que à custa de muito sofrimento, como na Palestina e na Síria, e obtido alguns êxitos, embora a situação se mantenha muito complexa.

Mas não se pode deixar de valorizar positivamente, por exemplo, a resistência do povo sírio e do seu legítimo governo que, com o apoio que solicitou à Federação Russa, tem conseguido defender a integridade do seu território. Outros exemplos são a decisão da União Europeia que finalmente revogou o que ainda restava da sua inadmissível «posição comum» relativamente a Cuba, que remontava a 1996, e onde estabelecia uma política de ingerência inaceitável que punha em causa o direito soberano do povo cubano escolher o seu caminho, e a recente condenação pelo Conselho de Segurança da ONU da política de Israel de manutenção de colonatos no território da Palestina, reconhecendo assim as razões da luta corajosa e persistente dos povos cubano e palestino.

Por isso, o fortalecimento da luta contra a guerra e o militarismo, pela paz e a solidariedade com os povos vítimas da ingerência e agressão imperialista coloca-se como uma das grandes exigências do nosso tempo, como ainda se referiu na Assembleia Mundial da Paz que teve lugar no Brasil, em 18 e 19 de Novembro passado, ou, mais recentemente ainda, no magnífico Concerto pela Paz, no dia 7 de Janeiro, no teatro Rivoli, no Porto, onde, a muitas vozes, se proclamou « Paz sim! Guerra não!»

 
in “Avante” a 19 de Janeiro
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