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Com o advento da web o ser humano encontrou novas formas de aceder e partilhar informação e, até, de se relacionar com os outros, da pesquisa na web ao e-mail, da blogosfera às redes sociais.

As redes sociais são hoje tidas como a nova forma de cultivar e viver a amizade, de comunicação e intervenção cívica. Os poucos abelhudos que se mantém longe de tais mundos, abstémios na arte do like, post e MEME, são seres do passado, fechados que estão à nova Atena.

Sobre o cultivar e o viver a amizade não deixa de ser curioso que uma pessoa possa ter dezenas, centenas, milhares de amigos. Logo a amizade, sentimento e relação de partilha e de tempo convivido. Como é que é possível conviver com noventa e nove, seiscentos e sessenta e seis ou dois mil e dezassete amigos? Só mesmo no mundo virtual!

No domínio da participação e intervenção cívica o caso é ainda mais estranho. O moderno partilha de uma estranha crença, considera a palavra dita e a palavra escrita nos meios tradicionais e nas páginas oficiais da web produtos de olhar tendencioso, mas na blogosfera e nas redes sociais não. Não aceita a existência de centrais de informação, de vários quadrantes e propósitos, que colocam ideias a circular nos vários meios e plataformas de informação e comunicação.

Essa coisa das centrais de informação não foi apenas marca de Santana Lopes e de José Sócrates, andam e andarão por aí. São poderosos instrumentos de formação e formatação da opinião pública que nenhum Poder abdica. A sua eficácia é ainda maior quando conseguem pôr a circular ideias à sombra de agentes e espaços tidos como livres, independentes e apolíticos.

É deveras interessante ver o moderno absorver a substância dessas ideias e a replicá-las, convencido que se trata de criação sua, ou não fossem os millennials, assim chamam às gerações nascidas nas últimas décadas do século passado, humanos informados, criativos, despreconceituosos e abertos ao mundo.

Pena é que tanto saber não passe muito pelos clássicos. Se passasse, saberíamos que há quase cem anos, um certo espanhol, Ortega y Gasset de nome, alertava que moderno quer tão-somente dizer novo. Não é, portanto, sinónimo de bom, de melhor ou de saber, apenas qualifica a idade. Ora, nas Ideias o valor advém da substância, não da juventude!

in “Discurso Directo” a 24 de Março

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