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X ASSEMBLEIA DA ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE AVEIRO DO PCP

“Com os trabalhadores e o povo, mais PCP, melhor futuro”

Camaradas,

Trazemos a esta Assembleia Regional três apontamentos, um sobre a nossa organização de Arouca, outro sobre o trabalho realizado e o que perspectivamos realizar, e um último sobre uma matéria que esteve, esta semana, na ordem do dia, os incêndios.

Somos uma pequena organização, vinte e dois camaradas, tendo em conta o falecimento, há pouco mais de um mês, de um camarada, o “João do Registo”, que aqui aproveitamos para homenagear. Dos vinte e dois apenas metade tem militância activa e condicionada pelos problemas migratórios. Temos um organismo em funcionamento, a Comissão Concelhia, existem dificuldades no recrutamento e na elevação da militância dos recrutados.

Mas estes problemas não nos fizeram, nem vão fazer, desistir. Levámos já quinze anos de actividade regular continuada. Temos um núcleo de amigos da CDU que participa connosco em diversas iniciativas locais e regionais, publicamos regularmente textos na comunicação social local, participamos nas assembleias municipais no período destinado aos munícipes, somos considerados como força política séria e com opinião.

E vamos a votos, nas autárquicas deste ano, com o objectivo de voltar a ter voz nos órgãos autárquicos. Há quatro anos ficámos a 83 votos de eleger um deputado municipal. E vamos a votos desalinhados com as modas do momento, a vacuidade popularucha do PSD e o show off do PS. O nosso olhar será sobre os problemas  concretos, procurando as soluções  no que Arouca tem de único, o seu património – natural, edificado e  imaterial.

2016 foi ano mediático para a terra: futebol na Liga Europa, a febre dos passadiços, um folhetim policial em directo na Tv e incêndios de uma dimensão impressionante.

Mas são os incêndios que aqui merecem destaque, porque são um problema do concelho, do distrito, de toda a região norte e centro do país. São um problema que veio para ficar e cuja solução passa por uma intervenção pública nacional, multifacetada e estendida no tempo.

O clima está a mudar, o mundo rural fenece demograficamente, fruto de anos e anos de políticas de direita que abandonaram o interior à sua mercê, afastando investimento, serviços públicos e gente. O combate aos incêndios não produz resultados imediatos, exige consideráveis recursos e muita determinação política, a qual, nunca virá da política de direita.

Nunca virá da política de direita porque é uma questão de política pública nacional, não resolúvel nem pelo mercado nem pelo poder autárquico. Pelo mercado não, porque o ordenamento e planeamento florestal necessários não possibilitam o lucro e o retorno rápido de investimento que o negócio sempre exige. Pelas autarquias também não, como agora parece querer fazer o chamado processo de descentralização de competências em curso, porque ignora a dimensão nacional e os princípios de universalidade que uma política pública florestal exige.

Não quer isto dizer que a autarquia não tenha qualquer responsabilidade nesta matéria. Tem responsabilidade e, no caso de Arouca, foi particularmente esclarecedor ver o nosso (salvo seja) autarca, em mangas de camisa, no pico dos incêndios, a diagnosticar males e prognosticar soluções à miúde e em directo na Tv. Pena é que nada tenha sido feito desde então. Não houve nenhuma intervenção nem apoio aos pequenos proprietários, nem em projecto nem no terreno, relativamente às áreas ardidas, e pouco ou nada foi feito para unir vontades, dar o exemplo como proprietária florestal que é, identificar zonas prioritárias de intervenção, etc..

Está tudo na mesma, as áreas ardidas com os solos mais pobres e a vegetação espontânea a crescer, a ganhar corpo para novas imolações em anos futuros, e as áreas que não arderam em 2016 prontas para imolar já este Verão, caso se conjuguem temperaturas elevadas, baixa humidade relativa e ventos moderados a fortes, conjugação esta, cada vez mais plausível, tendo em conta as mudanças climáticas em curso no planeta.

Camaradas,

Também nesta área fizemos o nosso papel, trouxemos o deputado Miguel Viegas a Arouca, visitando áreas ardidas, reunindo com autarcas, associações florestais, bombeiros e conselhos directivos de baldios. Levámos os assuntos às assembleias municipais, produzimos documentos, especialmente o caderno temático “Arouca, Desenvolvimento, Ambiente e Recursos Naturais”, em Junho de 2013, no fundo a síntese da nossa proposta de desenvolvimento para o concelho.

A sangria demográfica que o mundo rural padece tem ajudado os incêndios, os quais, por sua vez, contribuem para a desertificação das poucas aldeias que restam serra a fora. É uma verdadeira bola, não de neve, mas de fogo, tal é o rasto de terra queimada, abandonada e deserta, que fica atrás de si.

Como referíamos no caderno temático já referenciado “a paisagem serrana é fruto da natureza, mas também e muito em resultado da actividade humana que sempre soube ser agente de um grande equilíbrio, equilíbrio este que, nas últimas décadas, fruto de políticas erradas, foi criminosamente posto em causa. A sobrevivência das aldeias e o povoamento da serra são imperativos de ordem natural, cultural e económica. (…) nestas montanhas pastam vacas e cabras que têm de ser vistas como património animal de interesse local e nacional e que podem ser, cada vez mais, condição de sobrevivência do homem da serra, mas também de defesa e manutenção da paisagem como a conhecemos. O planalto da Freita e outras alturas do concelho não passariam de imensos matagais se o pastoreio desaparecesse.”

Ordenamento e limpeza da floresta, preservação da vegetação ripícola das margens de rios e ribeiros, valorização dos produtos da floresta, do campo e da serra, revitalização das aldeias e serviços públicos de proximidade são os caminhos a seguir. Mas para isso é necessária uma ruptura, uma alternativa, uma política patriótica e de esquerda.

Viva a X Assembleia da Organização Regional de Aveiro do PCP

Viva o Partido Comunista Português

 

São João da Madeira, 25 de Março de 2017

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