1 – O que motivou a sua candidatura a Presidente da Comissão Política?

O PCP tem uma organização e funcionamento diferentes dos restantes partidos. Temos organizações de base (empresa, sectores, freguesia, concelhias), organizações regionais (distritos) e o órgão de direcção do PCP (Comité Central).

Como o modelo de funcionamento é baseado no Centralismo Democrático, cada organização de base tem um responsável, que é membro da direcção da organização regional e cada organização regional tem como responsável um membro do Comité Central.

O papel do responsável é o de garantir o fluir dos dois fluxos vitais do PCP, os contributos dos militantes e a opinião apurada na organização de base e as orientações do órgão regional e central do PCP.

Por isso, sou responsável pela Comissão Concelhia de Arouca do PCP e membro do órgão executivo da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP.

Respondendo à sua pergunta – não sou presidente (não há presidentes no PCP), não me candidatei, fui proposto pela Direcção Regional para esta tarefa, a proposta mereceu a anuência da Comissão Concelhia de Arouca e aceitei. Trabalho em Arouca há duas décadas, gosto da terra e da gente.

2 – Como tem corrido a articulação entre a Comissão Política e os autarcas?

Nos últimos dois mandatos não elegemos nenhum autarca em Arouca. Entre 2005 e 2009 tivemos um deputado eleito na Assembleia Municipal, o José Oliveira, de Cabeçais. Tanto nesse mandato como nos seguintes, na intervenção com rosto CDU nas assembleias municipais, como autarca ou como munícipe, o trabalho preparatório foi sempre articulado e preparado colectivamente. A diferença é que, com eleitos, é possível fazer um trabalho muito mais aprofundado.

3 – Qual o balanço do trabalho desenvolvido pela Comissão Política Concelhia do PCP Arouca no seu mandato?

Do período que mediou a 3ª e a 4ª assembleia da Organização Concelhia de Arouca, 2013 a 2016, o balanço que fazemos é muito positivo. Já levámos quinze anos de trabalho contínuo, desde a reorganização da Concelhia em 2002, facto que muito valorizamos, pois somos uma pequena organização, de um pequeno concelho do interior e do norte do país.

4 – Que candidatos vão apresentar aos principais órgãos?

Essa decisão ainda não está tomada. Neste momento o importante é consolidar o trabalho e a intervenção e procurar agregar o maior número de pessoas em torno do projecto. Como somos uma organização pautada pelo trabalho e lógica colectiva não temos grandes dramas quanto a isso. Não somos projecto de um homem só ou de uma mulher só.

5 – Qual é a estratégia para as candidaturas às Juntas de Freguesia?

Ir a votos no maior número possível de assembleias de freguesia. Em cada freguesia procuraremos ir o mais longe possível no debate sobre a necessidade de responder aos problemas das populações, desde logo aproximando a autarquia dos fregueses e olhando de uma forma global para o concelho e não como uma mera soma de partes, não para isentar ninguém de responsabilidades, mas antes para, a partir de uma visão integrada, garantir que tudo é feito para dar melhores condições da vida à população do concelho, em geral, e de cada freguesia em particular.

6 – Como tem acompanhado o trabalho do Executivo no seu todo e da Assembleia Municipal?

Sobre o executivo da Câmara Municipal no seu todo diria duas coisas, uma sobre o PS, outra sobre o PSD. A consolidação do protagonismo do presidente (parecendo às vezes projecto de um só), mais esbatida neste mandato face ao imperativo táctico de dar visibilidade a quem pretendem ver suceder. Esta consolidação deu-se, também, no projecto em si, tudo que tem obra, inauguração, show off é valorizado, tudo que não tem, mesmo que necessário, é esquecido.

Por parte do PSD, o não assumir uma proposta alternativa clara, que mostrasse o que faria diferente e o que faria igual. A confirmação disso mesmo foram as intervenções no executivo, por vezes acertadas, mas sem enquadramento e coordenação global, talvez pela incerteza futura quanto ao timoneiro.

Quanto à assembleia municipal, que tenho acompanhado com bastante regularidade nos dois últimos mandatos, noto uma grande disparidade no desempenho dos eleitos. Uns intervêm regularmente, com maior ou menor qualidade ou acerto político, mas batendo-se galhardamente na defesa dos seus pontos de vista, outros passam o mandato sem fazer praticamente uma intervenção, uma proposta, uma observação. Nestes casos, pode-se mesmo dizer que, se tivessem faltado ou não sido eleitos, ninguém notaria. Não são um bom exemplo de exercício político.

7 – Que opinião tem sobre a opção do governo relativamente à ligação Escariz à A32?

É uma tentativa de encontrar financiamento para fazer mais um troço. Para concluir a Variante, mantendo o governo a opção errada de, praticamente, circunscrever o investimento público aos fundos europeus, não existem recursos nacionais e os europeus não podem ser canalizados para tal. Se esta opção avançar é positiva mas insuficiente. É uma boa imagem da acção global deste governo do PS.

8 – Como caracteriza o atual estado de desenvolvimento do concelho? Qual o principal entrave?

O concelho tem tido uma grande projecção mediática, o que tem trazido alguns proveitos, particularmente para o comércio. Mas isso, por si só, não chega, a publicidade é importante, mas não é o essencial. O essencial é, com o património que tem, com os recursos que tem, conseguir fixar os que cá estão e trazer outros para cá.

É aqui que está o problema, no definhamento demográfico. Arouca, em termos populacionais, cresceu até aos primeiros anos do terceiro milénio. De lá para cá perdeu, ano após ano, população, 2.627 residentes entre 2004 e 2015, uma quebra de 10,9%.

9 – Considera que os investimentos no setor do turismo estão a ter retorno?

Talvez ainda seja cedo para fazer uma apreciação rigorosa. Dada a projecção mediática do concelho, que já referi, é possível que já haja algum retorno. O turismo pode ser um sector complementar importante para a economia local. Mas não nos iludamos, não se pode viver só do turismo.

10 – O que pode e deve fazer Arouca para ser um território competitivo sobretudo no contexto regional?

Continuamos a afirmar que o desenvolvimento de Arouca passa pelo potenciar do seu património – natural, edificado e imaterial -, pelo ordenamento e limpeza florestal, pela preservação dos rios e da vegetação das suas margens, pela valorização dos produtos da floresta e do campo, pela manutenção de serviços públicos de proximidade, pela existência, em Arouca e nos concelhos limítrofes, de ofertas de emprego com direitos e pela capacidade de poder de compra dos que nos visitam.

 Sobre estas últimas condicionantes importa não esquecer que o poder de compra dos que nos visitam e a existência de trabalho com direitos, no distrito de Aveiro e na Grande Área Metropolitana do Porto, dependem das políticas de crescimento e desenvolvimento económico que o país for capaz de empreender.

Uma última nota sobre os serviços públicos de proximidade, condição central para manter e fixar população. Apesar da relativa acalmia actual, as políticas de encerramento e concentração de serviços não foram, ainda, ultrapassadas. Escolas, serviços de saúde, repartições de finanças, postos dos correios, tribunais, postos da GNR, freguesias, serviços bancários, etc., continuam no “prego”. Neste particular, o papel da autarquia arouquense foi, em muitos casos, colaboracionista, no mega-agrupamento, no encerramento da Escola de Tropeço, na extinção de freguesias, por exemplo.

in “Discurso Directo” a 7 de Abril

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